Meu Tranca Ruas só vem se tiver o Whisky dele. Será mesmo?

Tranca Ruas só vem se tiver isso ou aquilo. Preto Velho só incorpora se trouxe X ou Y pra ele. Será mesmo?

É bom lembrar, por exemplo, que um Exu, uma Pombagira, um Caboclo ou um Preto Velho podem beber água ou água de coco quando incorporados no médium.

Pois ficar cerca de 4 horas incorporado sem se hidratar é prejudicial para a saúde do médium. É incrível, mas muitos ainda acham que Exu não bebe água. Sim, Exu bebe água sim para matar a sede! Pode ser Tranca Ruas, Tiriri, Sete Trevas, qualquer um!

Água é elemento de trabalho na Umbanda. Na tronqueira de Exu também tem água. Água é fonte de vida.

O médium não morre durante o processo de incorporação. Incorporação não é possessão, é bom deixar claro novamente.

O uso do fumo e do álcool não são obrigatórios durante o processo de incorporação. Não há necessidade de um Exu consumir 10 charutos. Se assim fosse, médium que tem problema respiratório não poderia frequentar a Umbanda, não é mesmo?

Da mesma maneira, não há necessidade de uma Pombagira fumar, por exemplo, 3 maços de cigarros e tomar 3 garrafas de cachaça. Assim como não há necessidade de um Preto Velho esvaziar uma garrafa de vinho. Tudo nessa vida é equilíbrio. Todo excesso esconde uma falta, seja de disciplina ou de conhecimento.

O fumo é utilizado para o descarrego e não por vício da entidade. Vale lembrar que ao invés de utilizar o cigarro comum é possível usar os cigarros de kumbayá, cigarrilhas e mini charutos, pois eles são menos agressivos e não contém o excesso de substâncias químicas que o cigarro comum contêm.

O charuto, quando feito de ervas específicas, se torna menos agressivo que o tradicional. Importante falar que a entidade não exige que se trague o charuto ou o cigarro. Basta apenas manipular a fumaça, puxar e soltar.

Outro ponto que parece óbvio, mas é bom lembrar. É totalmente errado a entidade jogar fumaça no rosto do consulente. Também não é ético a entidade servir bebida alcoolica para os consulentes. O álcool é elemento de trabalho.

Ainda sobre o elemento álcool, existem entidades que apenas passam cachaça na mão do médium para descarregar, sem ao menos beber um gole do seu marafo.

Assim também existem entidades que manipulam água junto com aguardente, tornando-o um elemento forte de trabalho. Existem médiuns que não utilizam o fumo ou bebidas alcoolicas por escolha própria, seja por escolha ou por algum problema de saúde. E isso não faz com que, durante a Gira, as entidades trabalhem menos ou tenham menos “poder”: elas trabalham da mesma maneira respeitando sempre o seu médium.

Incorporação é uma troca, uma parceria entre médium e Guia. A entidade trabalha com ou sem fumo ou alguma bebida.

Para quem sabe trabalhar espiritualmente, a entidade descarrega com um copo de água, com uma vela, com uma erva ou apenas com um passe magnético. Entidades não carregam vícios. Não caia nessa de “ah, meu Malandro só vem se tiver a cervejinha dele”. Será mesmo? Isso é coisa do Malandro ou do médium?

“Meu Tranca Ruas só vem se tiver o Whisky dele….” Será mesmo?

Vamos buscar, aprender. Nossa religião evolui todo dia, mas alguns médiuns insistem em regredir. Nunca um espírito de Luz irá prejudicar seu médium porque ele não tem um charuto ou uma bebida ou por escolher não utilizar esses elementos em conjunto com sua entidade de trabalho.

Exu ou Pombagira, Caboclo ou Preto Velho, todos respeitam o médium e suas limitações, assim como o médium deve respeitar suas entidades.

A incorporação é uma parceria entre médium e Guia. Mantenha sempre uma sintonia de lealdade e respeito. Todos ganham.