Casa dos avós: lição sobre tempo e relações familiares

Este texto sobre a casa dos avós circula pela internet, mas infelizmente ainda não encontramos o autor para dar-lhe os devidos créditos. Indo além da Umbanda e de qualquer religião, trata sobre algo que a maioria vivencia e nem sempre se dá conta.

Acompanhe!

Quando a casa dos avós se fecha para sempre é um dos momentos mais tristes da nossa vida. Quando a casa dos avós se fecha encerramos os encontros com todos os membros da família que, em ocasiões especiais quando se reúnem, exaltam reencontros, histórias passadas e até sobrenomes, tal qual uma família real, sempre carregados pelo amor dos avós, pois eles (os avós) são centrais nestes encontros, ainda que muitos sejam discretos.

Quando fechamos a casa dos avós também terminamos as tardes felizes com tios, primos, netos, sobrinhos, pais, irmãos e até recém-casados que se apaixonam pelo ambiente que ali se respira. Não precisa nem sair de casa; estar na casa dos avós é o que toda família precisa para ser feliz.

As reuniões de Natal, regadas com o cheiro a tinta fresca, a casa arrumada, que a cada ano que se encerra leva muitos a pensarem algo do tipo:

“E se essa for a última vez?”

É difícil aceitar que isso tenha um prazo, que um dia tudo ficará coberto de poeira e o riso será uma lembrança longínqua de tempos idos (e talvez melhores).

O ano passa enquanto você espera por esses momentos e, sem perceber, passamos de crianças abrindo presentes a adultos que se sentam na mesma mesa, contando histórias no almoço, no jantar e durante os aperitivos entre um e outro, pois na casa dos avós tem sempre alguém beliscando alguma coisa. Ali o tempo não passa e certas práticas são quase sagradas.

A casa dos avós como muitos conhecem está sempre cheia de cadeiras (de onde elas saem?). Nunca se sabe se um primo vai trazer namorada ou vice-versa, porque lá todos são bem-vindos. Sempre haverá uma garrafa térmica com café ou chá – ou alguém disposto a fazê-lo.

Você cumprimenta as pessoas que passam pela porta, mesmo que sejam estranhas, porque as pessoas na rua dos seus avós são o seu povo, eles são a sua cidade.

Fechar a casa dos avós é dizer adeus às canções com a avó e aos conselhos do avô; ao dinheiro que te dão secretamente dos teus pais como se fosse uma ilegalidade; chorar de rir por qualquer bobagem (ou chorar a dor daqueles que partiram cedo demais). É dizer adeus à emoção de chegar à cozinha e descobrir as panelas e saborear a “comida da nona”.

Portanto, se você tiver a oportunidade de bater na porta dessa casa e alguém abrir para você por dentro, aproveite sempre que puder, porque ver seus avós ou seus velhos aguardarem sentados esperando para lhe dar um beijo é uma das sensações mais maravilhosas que você pode sentir na vida.

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E conforme nossos avós se vão descobrimos que agora nós é que temos que começar a nos preparar para sermos os avós da vez. É quando nossos pais se vão, cabendo então a nós nunca perdermos a oportunidade de abrir as portas para nossos filhos e netos e celebrar com eles o dom da família. Porque só na família é onde os filhos e os netos encontrarão o espaço oportuno para viver o mistério do amor por quem está mais próximo e por quem está ao seu redor.

Aproveite a casa dos avós, pois chegará um tempo em que na solidão de suas paredes e recantos, se fechar os olhos e se concentrar, poderá ouvir talvez o eco de um sorriso ou de um grito, preso no tempo.

No mais, podemos dizer que ao abrir os olhos a saudade vai pegar você. E então você se questionará:

“Por que tudo foi tão rápido?”

E vai ser doloroso descobrir que eles não foram embora, pois tudo tem seu tempo. É preciso saber deixar a casa dos avós ir, assim como é preciso seguir em frente. Tudo é história, tudo é importante. Tudo isso faz e fará parte de nós e devemos cultivar estas relações.

A casa dos avós se fecha, termina, é vendida. Outros se tornam avós e o ciclo continua. Que bom que é assim!