Povo Cigano: entenda essa manifestação na Umbanda

O povo cigano na Umbanda está presente na maioria dos terreiros por todo o Brasil. No entanto, ainda estão cercados de mistérios para boa parte do povo de santo e para a maioria da população.

Sua cultura é tão importante que um decreto assinado em 2006 instituiu o dia 24 de Maio como Dia Nacional dos Ciganos no país. A data faz menção ao 24 e 25 de maio – dias em que prestam-se homenagens no mundo todo a Santa Sara Kali, padroeira do povo cigano. Na Umbanda, Santa Sara Kali é sincretizada com Egunitá (Oroiná) para algumas vertentes.

Mas para muitos ainda resta uma dúvida principal: povo cigano é Linha de Umbanda?

Sim, é uma das mais recentes Linhas da religião. O Povo Cigano passou a conquistar os terreiros e os níveis mais elevados na espiritualidade, o que explica a grande abertura para o seu grupo/falange/Linha trabalhar na Umbanda.

Esses espíritos – tal qual os povos ciganos de carne e osso pelo mundo – acabaram por se identificar com muitos ritos presentes na Umbanda e se adaptaram por aqui, somando com sua ritualística vasta, suas cores, conhecimentos e vivências seculares.

Mas nem sempre foi assim. O caminho foi longo até se fincarem como Linha de Umbanda. Foram muitos e muitos anos em que suas manifestações espirituais surgiam aqui e acolá em Giras diversas, pois ainda não caracterizavam um grupo organizado dentro de um nível na escala evolutiva.

Noutras palavras, não havia Gira de Ciganos, mas sim Ciganos incorporados em Giras de Esquerda, de Boiadeiro, de Baianos e etc. Somente o fato de alguns médiuns manifestarem essas entidades, ainda não concedia a esses clãs se mostrarem como uma Linha.

Hoje, a Linha dos Ciganos traz em sua mensagem o ímpeto pelo desapego, pela liberdade, pelo amor e pela alegria de viver. Mas desapego e liberdade não são característica fortes da Linha do Oriente?

Sim, e nesse momento precisamos ressaltar que LINHA DE CIGANO NÃO É LINHA DO ORIENTE.

A Linha dos Ciganos e Ciganas não corresponde a um grau evolutivo, e sim a uma tendência de espíritos (de cultura nômade/arquétipo cigano) que se organizaram e ascenderam formando suas hierarquias. Posteriormente esses espíritos foram recebendo o aval da espiritualidade para se configurar como Linha de trabalho, e então passam a se manifestar dentro da Umbanda de maneira mais ordenada.

Pode-se dizer que a Linha dos Ciganos surgiu para reavivar no ser a cultura de liberdade no sentido mais prático do termo. E isso está presente no caráter nômade do povo cigano e de determinados povos. A liberdade de crença e a mística sincrética dos oráculos ciganos, tal como as cartas, a quiromancia, o oráculo de moedas, as runas e etc, são o maior símbolo dessa fusão de credos.

Toda essa forma de entender a vida faz do atendimento com o Povo Cigano um bálsamo pra alma. A liberdade aqui se refere ao ato de se libertar de circunstâncias que já não te fazem bem, libertar-se das frustrações que vão pesando o espírito e acabam se tornando um fardo. E esse axé vem para trabalhar nesses sentidos.

Por esse motivo, no atendimento dos Ciganos não é frequente o manejo com trabalhos mais densos, como quebra de demandas por exemplo. É mais comum vê-los ensinando fazer determinada simpatia, dando elementos para que a pessoa manipule por si mesma e assim realize rituais simples em seu próprio benefício. Questões profissionais, econômicas e também emocionais são muito tratadas por eles (as).

A leitura de cartas a partir do Baralho Cigano talvez seja a prática mais conhecida pelo povo brasileiro, independentemente de serem umbandistas ou não. De fato, é um conhecimento tido como milenar que ultrapassa e agrega conhecimento de diversas culturas e que se tornou o mais popular oráculo do mundo!

Arriba! Optchá! Salve o Povo Cigano!

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