Sete doces para a Festa de Cosme e Damião

Sete doces? Por que sete? Acompanhe abaixo o texto de Jeferson Santana para a página Conselhos de Preto Velho e descubra!

Vocês conhecem quais são os sete doces da festa de Cosme e Damião? Então vamos lá:

O doce de leite é para Mamãe Iansã, para que nunca falte a fé nos corações, que é o alimento da alma. Tal como sua chuva que cai e jorra, o leite materno jorra do cuidado de nossa mãe dos raios e ventos.

A maria-mole branca, tal qual a espuma do mar e as ondas de Mamãe Iemanjá, é para que sempre lembremos que nossa alma tem que ser maleável ao aprendizado e todos os dissabores derretem com o perdão e o amor.

A cocada branca, que advém de uma fruta com uma casca tão dura e resistente, mas com paciência se chega ao seu interior que é feito de água e polpa, que alimenta e sacia a sede. Isso se compara a Papai Ogum, que é o provedor, vence as batalhas da vida, protege com seu escudo, mas é o Pai amoroso que não abandona seus filhos.

A goiabada traze na sua polpa a fartura de suas sementes, pedrinhas duras, mas que com a transformação do fogo faz a polpa cheia de cristais sair do estado de pouca massa para algo de extremo sabor. Isso se associa bem a Xangô, que tem as pedreiras como Seu elemento, mas com o poder do seu fogo nos molda com extremo conhecimento.

E os pirulitos? Até em sua forma parecem as flechas de Oxóssi, nos lembrando que para obtermos o doce da vida temos que primeiro saber caçar, atirar as setas para os caminhos certos, persistir.

As 7 balinhas, doces como mel, como os seixos redondos da nossa Mamãe Oxum, nos ensinando que só o amor constroi, blindam e nos fazem caminhar em passos largos. Que nunca faltará o ouro da alma e a proteção de suas pedras da cachoeira.

E, por fim, a bananada, feita da banana-da-terra do meu grande Papai Omulu, que com seu campo sagrado traz da bananeira o símbolo da resistência. E para futuros cachos de frutas tem que cortar o pé que já cumpriu sua finalidade e deixar um novo broto sadio crescer e dar frutos.

O bolo que é o rei da festa é consagrado a Oxalá, onde reúne todos os ingredientes que aprendemos na Umbanda. É a reunião de todos os ingredientes para conseguirmos fazê-lo, assim como nós todos reunidos para um bem maior em seu nome.

E há que se ter amor na execução, pois quem cozinha sabe que um bolo, se não for feito com amor e cuidado não cresce (e pode até solar, como dizem). Paciência e resiliência são necessários para esperar a hora certa e, depois de pronto, deixar esfriar para poder retirar da forma e completar com o recheio usando ingredientes que darão a ele seu gosto característico, um gosto especial, tornando-o ainda melhor.

Aliás, esta é uma prática que temos que introjetar em nós mesmos: buscar sempre o melhor em nossos dias, a cada dia. E sermos gratos pelo que temos e assim nos tornarmos merecedores do que almejamos ter.

O glacê, por fim, nada mais é do que a humildade, porque ele pode até enfeitar, mas sem o bolo ele não existiria. Sua função é só um acabamento. Como nós que somos somente um instrumento da Luz de nossos Orixás e Guias.

E, por final, a fraternidade, pois bolo que é bolo tem que ser partido, partilhado, distribuído, pois ninguém come um bolo sozinho.

Salve os sete doces! Salve Cosme e Damião!