Oxum e o espelho: por que Ela carrega um?

Oxum e o espelho carregado por Ela na maioria das imagens e representações gráficas pode ter um significado diferente do que a maioria julga correto.

Muitos podem acreditar que a Orixá Oxum é a divindade da beleza e do amor suave, dourado, enfim tudo lindo. Mas engana-se quem acredita que Oxum deve ser tida como uma divindade serena, calma, superficial e vaidosa.

Oxum, segundo as lendas, era sim adornada de enfeites, vaidosa e impossível de não ser notada. São histórias que relatam sociedades sob o governo de reis, rainhas e súditos e, nestes relatos, Oxum surge como uma figura feminina forte, inteligente e boa negociadora. Isso a fez uma excelente estrategista, levando-a ao sucesso material. Daí o esmero nas vestimentas, adornos e ouro, inclusive em seu espelho.

Ainda nesta linha, o ouro de Oxum não era o mesmo que conhecemos aqui na Terra. Mais do que um mineral precioso, que hoje possui valor monetário e é símbolo de riqueza e status, para Oxum o ouro (ou o dourado) é brilho, pois reflete a luz, deixando tudo mais claro.

Assim, a simbologia de Oxum e o espelho adornado de ouro que Ela carrega torna-se um importante elemento para dissolver energias dissonantes, energias negativas que possam ser lançadas em Sua direção.

Refletindo a inveja, o ciúme, o mal em geral, seu espelho põe “às claras” quem é quem, mostrando a realidade a todos. E quando a inveja, por exemplo, é detectada, Oxum e o espelho se tornam armas de dissipação de tudo o que é ruim.

Então, Oxum se apresenta sempre bem adornada, enfeitada e vistosa. Quando os olhos ruins pairavam sobre ela, eles se miravam no espelho de Oxum e a si mesmos se destruíam.

Conta uma lenda que Oxum teria cegado com o reflexo do seu espelho os olhos de uma pessoa que a observava maldosamente. Oxum se põe em brilhos dourados nada berrantes para que a vejamos, mas que nossos desejos ruins não a toquem.

É por isso também que suas pulseiras e braceletes precisam estar sempre muito bem polidos: é com o brilho deles nos braços que ela se defende dos olhares maldosos dos pobres de espírito.

Oxum e o espelho: a questão é o reflexo

Acompanhe o trecho de um artigo assinado por Louise Nazareth, no site Medium:

“Na história do meu Orixá, Oxum possui um espelho. Para muitos é a representação da vaidade, de se olhar, de se enfeitar para depois poder seduzir. Entendo que isso pode sim ser uma faceta, uma maneira de compreensão. Da mesma maneira que, humanamente falando, usamos um espelho para nos limparmos, arrumar o rosto/o corpo, contemplar. Mas o espelho também tem outra função, e é nesta outra que eu me debruço agora. O espelho é literalmente o reflexo de quem somos. Sendo óbvio ou não, quando pensamos de maneira mais sensível sobre o assunto, olhar um espelho psíquico mostra o que somos, reflete a nossa verdade no momento atual. O que sentimos, o que acreditamos e o que pensamos. Imagina você agora podendo ver os detalhes dos seus sonhos! E dos seus medos? Dos seus defeitos… Olhar para essas coisas dói, né?”

Portanto, a questão sobre Oxum e o espelho pode ser lida sob muitos ângulos. É uma defesa contra maus olhares, mas pode ser também algo além da vaidade, pois o amor próprio é algo desejável a todos nós.

Pois se Oxum é amor, que ele seja, antes de tudo, amor próprio.

Orar para Oxum é vibrar amor próprio, é a busca do seu próprio eu. É entender que tudo é possível para si mesmo (a), desde que você entenda que tudo começa com você. Sua autoimagem deve ser positiva ao máximo, mesmo reconhecendo que todos temos defeitos e limitações. O foco deve ser no que temos de melhor e não nos defeitos e carências.

O amor próprio fortalece, dá segurança, impulsiona. Oxum e o espelho são exemplo, figura, ilustração. É um alerta para viver a vida com fé e coragem. Daí surgirão as realizações que você almeja.