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Colares de Umbanda: aluna é expulsa da aula em Teresina

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Colares de Umbanda (ou Guias) podem ser usados no dia a dia? Podem ser usados na escoala?

De fato, uma estudante de 15 anos foi vítima de intolerância em Teresina, capital do Piauí.

Assim, após dificuldades, registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa e Proteção dos Direitos Humanos e Repressão às Condutas Discriminatórias contra um professor de Matemática da escola municipal Professor Ofélio Leitão no bairro Esplanada, zona Sul de Teresina.

A saber, a jovem denuncia que foi expulsa da sala de aula por estar usando guias de Umbanda no pescoço.

A aluna, que é umbandista, disse em depoimento que chega a esconder os colares em baixo do uniforme para evitar comentários.
Mas, desta vez, como as contas apareceram pelo uniforme, geraram uma discussão que levou à expulsão de sala.

Assim, acompanhe um trecho do depoimento da jovem:

“Eu estava no intervalo quando meus fios de contas apareceram por baixo do uniforme.
Em seguida, um amigo meu olhou e ficou pegando.
Então eu falei: ‘Não pode pegar porque minhas guias contém energias espirituais’.”

Inesperadamente, o professor que estava perto olhou e disse:

“Não toca nela que ela está cheia de macumba”, e meus colegas já ficaram olhando torto.

Aliás, na hora fiquei bem constrangida e não consegui falar nada.
Então, na entrada da sala eu já estava bem envergonhada e fiquei meio triste na aula de cabeça baixa.”

Desse modo, o professor disse a ela:

“Saia da minha sala, você parece que está dormindo!”

E insistiu:

“Saia, não quero saber, vaza, caia fora”.

A jovem retrucou, dizendo que o professor precisava respeitar as escolhas dos alunos e e ele respondeu:

“Não vou respeitar ninguém e se você quiser me processar pode processar; já tenho 12 processos nas costas, mais um não vai me fazer falta!”

Assim, abalada, a jovem informa que chegou a procurar a diretoria da escola que a orientou apenas a “procurar pelos seus direitos”.

De fato, ela usa sete colares de contas, que segundo os preceitos de seu Terreiro devem ser usados 24 horas após o batismo (também prática em seu Terreiro).

Então continuaram as dificuldades.

A advogada da jovem, Sabrina Rafaela, alerta também para a dificuldade que a adolescente encontrou para registrar a denúncia de preconceito.

Assim, orientadas pela OAB, procuraram a Delegacia de Proteção a Criança e o Adolescente.
Mas lá começaram as resistências quanto à competência.

Enfim, o delegado optou por registrar o boletim de ocorrência para ser enviado para a corregedoria.
Dessa forma, esta indicará qual é a delegacia competente para começar a investigação.

Por outro lado, a jovem Laysa se encontrou na Umbanda.

Infelizmente já havia tentado suicídio no passado e hoje descreve a religião como fundamental para superar a depressão.

Igualmente ela lamenta que ainda exista preconceito contra práticas religiosas e afirma que só se sente feliz na Umbanda.

“Eu tentei me suicidar e não estava muito bem.
Eu tinha depressão por conta dos meus problemas e minha mãe me ajudou e me levou.
Na Umbanda eu me encontrei e é lá que sou feliz.
Sou muito grata ao meu Pai de Santo e aos Guias espirituais”, completa.

Aliás, Pai Bruno de Ogum relata que o preconceito é recorrente.

“É bem comum. Já houveram casos em ônibus, em vários ambientes, mas são casos isolados.
Assim, nossa equipe sempre procura se informar com advogados para tomar as providências.
Sempre vamos procurar informações para tomar medidas cabíveis.”

Além disso, o dirigente do Terreiro destaca um outro duro aspecto:

“Daqui há alguns dias ela vai se deparar na mesma escola, com o mesmo professor e é uma situação constrangedora.
Afinal, ninguém sabe o que uma pessoa dessa pode fazer movido por intolerância.
Vamos lutar a família toda e dar o apoio psicológico, moral e da família e amigos”, disse Pai Bruno de Ogum

“Eu vou firme e forte, vou agir naturalmente e apenas me retirar se for o caso”, disse Laysa.

Ademais, a Secretaria Municipal de Educação do município se posicionou através de nota.
Certamente, como esperado, declara-se contrária a qualquer tipo de preconceito.

Leia a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Educação (Semec) está acompanhando o caso ocorrido na Escola Municipal Ofélio Leitão e deixa claro que repudia toda forma de preconceito ou intolerância religiosa.
O professor afirma que a aluna não foi retirada de sala de aula pelo fato de usar um acessório religioso.
Mas sim por estar dormindo durante a aula.
A Semec destaca ainda que possui uma gerência específica para dialogar com gestores, professores, alunos e famílias sobre os mais diversos temas sociais, a fim de buscar entendimento sobre as diferentes formas de expressão do indivíduo.

Colares de Umbanda são elementos ritualísticos que cada Terreiro orienta aos seus frequentadores como e quando usarem.

Assim, se a pessoa escolhe usar Colares de Umbanda, apenas nas Giras, ou no dia a dia, a escolha é livre.

A liberdade de culto deve ser respeitada, pois está prevista em nossa Constituição Federal.

Que o caso se espalhe e a coragem da jovem seja exemplo para todo o Brasil.

Fotos: Catarina Malheiros/Cidade Verde (Reprodução)