Tomb Raider os Orixás são destaque na segunda temporada de Tomb Raider: A Lenda de Lara Croft, lançada na Netflix em dezembro de 2025 com grande repercussão. A série mostra como animações podem ir além do simples entretenimento com suas sequências de ação e aventuras arqueológicas.
A nova temporada expandiu seu universo ao incluir referências culturais profundas, com destaque para elementos das religiões de matriz africana.
Nesta nova fase, a protagonista Lara Croft tem sua trajetória enriquecida pela presença dos Orixás, explorando temas como espiritualidade, ancestralidade e a relação com a natureza ao redor.
Ao longo dos episódios, ela visita diversas cidades do mundo, cada uma com suas histórias e simbolismos, que refletem tanto os desafios externos quanto os conflitos pessoais da heroína.
O papel dos Orixás Oxum, Iemanjá e Omolu ganha destaque na narrativa, representando valores como cuidado, cura, força feminina, proteção e respeito aos ciclos da vida. Dá para dizer que Tomb Raider e os Orixás acabam se unindo em referências culturais muito além de meramente decorativas, dialogando diretamente com o crescimento emocional de Lara, mostrando uma personagem mais sensível, humana e consciente de seu lugar no mundo.

Um dos cenários mais emblemáticos da temporada é a cidade de Salvador, capital do estado da Bahia. A história cidade nordestina é retratada com respeito e significado por ser um importante centro das tradições afro-brasileiras desde o início da colonização brasileira.
Assim, Tomb Raider e os Orixás fazem escolhas certeiras e reforçam a importância da fé, da resistência e da preservação dos saberes ancestrais, simbolizando memória, identidade e continuidade histórica.
Ao combinar aventura e elementos espirituais, a série se torna uma ferramenta de representatividade cultural, abordando princípios associados aos Orixás — como equilíbrio, justiça, proteção e transformação — e enriquecendo a jornada de Lara Croft.
Tomb Raider e os Orixás: diversão e reflexão
Mais do que apenas ampliar o universo da franquia, Tomb Raider e os Orixás demonstram nesta nova temporada o potencial das animações como meio de aprendizado e reflexão, e não apenas ao público mais jovem como também para adultos.
Vale dizer que, ao valorizar culturas que foram historicamente marginalizadas, a produção incentiva o público a conhecer, respeitar e reconhecer a força das tradições religiosas de matriz africana, tornando-se também uma importante criação artística em favor de uma cultura de paz e combate ao preconceito religioso ainda presente em nosso país.
Em um país em que religiões como o Candomblé e a Umbanda ainda enfrentam intolerância e desinformação, a presença simbólica dos Orixás em uma produção de alcance global representa um gesto de reconhecimento cultural e espiritual.
Ao associar a jornada de Lara Croft à ancestralidade e à força dos Orixás, a série contribui para deslocar essas tradições do lugar do estigma para o espaço da valorização narrativa. Isso é particularmente significativo no Brasil, onde a herança africana é parte fundamental da identidade nacional, mas nem sempre é tratada com o devido respeito nos meios de comunicação.
Produções como essa, que unem Tomb Raider e os Orixás, têm potencial para ampliar o interesse do público por temas ligados à ancestralidade, espiritualidade e diversidade religiosa. Quando esses elementos aparecem integrados a histórias de aventura e protagonismo feminino, reforçam a ideia de que saberes tradicionais são contemporâneos, vivos e relevantes.
No futuro, a repercussão positiva pode abrir portas para mais obras audiovisuais que explorem mitologias afro-brasileiras com profundidade e protagonismo local, seja em animações, séries ou cinema. Além disso, pode estimular roteiristas e criadores brasileiros a contar suas próprias histórias, fortalecendo uma indústria cultural mais plural. Assim, a série não apenas entretém, mas ajuda a construir caminhos para maior respeito, visibilidade e diálogo inter-religioso no Brasil.
