Exu na música brasileira é foco de pesquisadora

exu na música brasileira
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Exu na música brasileira é o centro da pesquisa da educadora Lisandra Pingo, da Faculdade de Educação da USP.

Com isso, o Orixá Exu começa a ter sua imagem desmistificada como ser do mal.

Com efeito, a pesquisa analisou canções brasileiras que citam múltiplas faces da entidade.
Curiosamente, nem sempre negativas, elas também dizem muito sobre a questão do negro brasileiro

Portanto, tido por muitos como um ser “assustador”, o orixá Exu, cultuado nas religiões de matrizes africanas, está fortemente ligado ao negro brasileiro e a sua história.

Exu na música brasileira

“É possível, inclusive, melhor compreender o Brasil ao entendermos esse orixá”, afirma a educadora Lisandra Pingo, que estudou as características de Exu e suas representações em canções brasileiras.

Além de entender a história do negro brasileiro, o estudo também mostra a necessidade de inclusão das culturas africana e afro-brasileira no ensino público.

Assim, a pesquisa Uma análise das múltiplas faces de Exu por meio de canções brasileiras: contribuições para reflexões sobre o ensino da cultura e da história africana e afro-brasileira na escola foi apresentada na Faculdade de Educação (FE) da USP, em 2018.

Segundo Lisandra, a melhor compreensão de Exu poderá ser ainda uma ferramenta de combate ao racismo.

“Em minha pesquisa procurei desconstruir a imagem negativa que foi associada a este orixá”, justifica.

Dessa forma, com base em bibliografias e num acervo de 72 canções que citam Exu na música brasileira, das quais sete foram selecionadas para o estudo, a pesquisadora

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identificou diversas situações que fizeram de Exu um ser malvisto em quase todas as camadas da sociedade brasileira.

Para a pesquisadora, o uso das canções que citam a “entidade” facilita a compreensão e reflexão sobre o papel do Orixá e suas significações.

Lado B Lado A
Lado B Lado A (1999), música da banda O Rappa faz referência a Exu

“Creio ainda que seja uma boa ferramenta a professores no sentido de desmistificar aspectos negativos de Exu e incentivar a disseminação do conhecimento da cultura de origem africana nas escolas, o que estaria de acordo com as Leis 10.639/03 e 11.645/08”, avalia Lisandra.

Exu e o demônio

Aliás, um dos fenômenos que a pesquisa analisa é a associação feita de Exu com o demônio cristão.

“Tal associação foi feita pela igreja católica e, posteriormente, pelas igrejas evangélicas”, explica a professora.

Igualmente ela ressalta que hoje acontece uma espécie de “reapropriação” dessa atitude, principalmente pelas igrejas neopentecostais.

“É comum observamos nesses templos cultos exclusivos para a expulsão dos demônios, ou de Exu”, descreve.

O estudo também aborda aspectos históricos da questão.

“O padre José de Anchieta, por exemplo, trazia o ‘diabo cristão brasileiro’ diferente do ‘diabo cristão europeu’.

O primeiro era visto como um ser debochado e zombeteiro, que se aproxima à figura do Saci”, conta.

Já o segundo, o europeu, era ‘soturno’ e ‘horrendo’, como cita a professora em seu estudo.

“A igreja católica também atribuía as qualidades do ‘diabo cristão brasileiro’ aos índios e aos africanos”, ressalta.

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E Exu na música brasileira, segundo a pesquisadora, está relacionado a esta personalidade e, principalmente, ao negro.

A identificação de Exu com o negro brasileiro também é devido aos aspectos que esse ‘demônio cristão brasileiro’ ganhou na visão da Igreja Católica, de ser zombeteiro e debochado, por exemplo.

“São aspectos da época de colonização que reforçam, desde então, a relação entre Exu e o racismo”, enfatiza Lisandra.

Ela lembra ainda que, a partir da criação da Umbanda, no ano de 1917, o estereótipo de Exu aproxima-se ainda mais do brasileiro.

“Principalmente nas figuras de José Pelintra e da Pomba Gira, aqueles que conseguem dar um jeitinho em tudo”, destaca Lisandra.


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FONTEJornal da USP
IMAGEMIlustração de Caio Vinícius Bonifácio

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