Finados na Umbanda: muito além da morte

Finados na Umbanda vai além de seguir simplesmente o calendário católico.

A comemoração do dia dos mortos, hoje denominada Dia de Finados, teve origem na antiga Gália, no território europeu. Era no dia 1º de novembro que eles celebravam a festa dos espíritos. Não nos cemitérios – os gauleses não honravam os cadáveres -, mas sim em seus lares, onde os médiuns e videntes falavam com as almas dos que haviam partido. Eles acreditavam que os bosques e os pântanos eram povoados por espíritos errantes.

No século I as pessoas religiosas já rezavam por seus falecidos, mas somente por aqueles que morriam sem martírio; os que morriam martirizados eram considerados heróis e, portanto, já teriam um “lugar no céu”. Assim, não precisavam de orações em seu intermédio.

No século IV, encontramos a memória dos mortos na celebração da missa. A partir do século V, a Igreja Católica passa a dedicar um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e nem se lembrava.

Mais à frente, no século XI, os Papas Silvestre II, João XVIII e Leão IX obrigam os cristãos a dedicarem um dia por ano aos mortos.

Então, desde o século XIII, este dia anual de oração por todos os mortos é realizado no dia 2 de novembro. Isso ocorre porque no dia 1º de novembro é a festa de “Todos os Santos”.

E o Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados. O Dia de Todos os Mortos celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração.

Contudo, somente no Brasil a data tem este nome.

Na realidade, esta data celebra a lembrança dos “fiéis defuntos” e não o dia de finados. Adentrando-se a fundo no significado e na origem das palavras (etimologia), há uma diferença relevante no significado dos termos.

A palavra finado significa, em sua origem, aquele que se finou, ou seja, que teve seu fim, que se acabou, que foi extinto.

A palavra defunto, por sua vez, originada no latim, era o particípio passado do verbo “defungor”, que significava satisfazer completamente, desempenhar a contento, cumprir inteiramente uma missão. Mais tarde foi utilizada e difundida pelo cristianismo para dizer que uma pessoa morta era aquela que já havia cumprido toda a sua missão de viver. Porém, atualmente, tornou-se sinônimo de cadáver.

E Finados na Umbanda?

Finados na Umbanda também é comemorado no dia 2 de novembro, tido como o dia das Almas Benditas. É o dia dedicado para homenagear as Santas Almas que trabalham anonimamente na espiritualidade, nos bastidores, fazendo caridade e auxiliando os encarnados e desencarnados em muitas missões e tarefas. E também para orar pelas almas sofredoras e, muitas vezes, errantes.

Muitas Casas de Umbanda costumam homenagear Obaluayê ou Omulu (até ambos) neste dia, pelo fato de que Obaluayê é o Senhor da Transmutação, da passagem e é o chefe da Linha das Almas. E Omulu é o Orixá que rege a morte física, o momento da passagem de encarnado para desencarnado (mas não apenas isso).

Contudo, Obaluayê tem seu dia próprio de homenagem, que é dia 17 de dezembro (sincretismo com São Lázaro). Podemos e devemos rezar para pedir a Obaluayê que proteja, abençoe e encaminhe as almas (idem a Omulu).

Portanto, para nós umbandistas, dia 2 de novembro, Finados na Umbanda, não é dia de luto e nem de tristeza. Não nos lastimamos pela morte, mas sim celebramos a vida espiritual e o maravilhoso trabalho dos desencarnados em prol de seus irmãos sofredores.

Como diz este lindo Ponto:

Orai pelas almas do rosário de Maria,
orai pelas almas, ao meio-dia,
orai pelas almas do rosário de Maria.
Almas da escuridão
almas de prisioneiros
almas que pedem salvação
almas de feiticeiros.
Orai pelas almas do rosário de Maria
orais pelas almas, ao meio-dia,
orai pelas almas do rosário de Maria.
Almas de Dom Miguel
almas tão inocentes
almas que pedem o céu
almas de penitentes.
Orai pelas almas do rosário de Maria,
orai pelas almas, ao meio-dia,
orai pelas almas do rosário de Maria.