Exu é potência da vida: representa o que o ser humano é

Exu é potência da vida. Veremos porque.

Podemos pensar a vida como uma pulsação, contração e expansão.
Assim como o corpo que, desde a sua estrutura mais simples até a mais sofisticada, pulsa.

Assim, a vida também se realiza nesse movimento de prazer e desprazer.

Da mesma forma, Exu é potência da vida pode ser percebida pela própria manifestação da vida em nós, através dos afetos, das paixões (Pathos). Assim observamos a vida no agora que se eterniza. Por exemplo: quando sentimos angústia, retraímos; quando alegres, expandimos.

Assim, observando esses movimentos descobrimos os nossos limites.
Por consequência, também descobrimos o outro e seus limites.

Quebramos o poder das influências sobre nós.
Igualmente, não machucamos o outro com o nosso mesquinho desvio de poder e finalidade.

Dessa maneira, nesse encontro consigo mesmo e com o outro nasce a ética, dá-se o processo individuação do ser humano.

Exu parece assumir a figura desse movimento da vida, essa pulsação.

Exu, simbolizado pelo elemento fogo, presente como luz nas trevas, nos leva ao encontro das nossas paixões.

Da mesma forma, Exu nos revela os limites; nos desnuda.

Exu se releva na ética!

Portanto, o tridente de Exu, símbolo do poder, não do diabo, nos remete à diferenciação ética e a individuação.
Igualmente nos remete ao poder sobre nós mesmos através do autoconhecimento.

Sobretudo nos alerta para a aceitação da impermanência e do constante renascimento.

Exu é a essência do poder. Exu é potência da vida!

Deve ser por isso que costumamos amar ou admirar Exu – ou em alguns casos odiar- porque ele se mostra como é, sem máscara.
Se aceita, revela que nós também podemos ser como realmente somos, sem fantasia de qualquer espécie, luz e sombra, livres do poder de meros condicionamentos, instituições, sociedade, etc.

Igualmente, livres da castração e do domínio do outro.
Livres até da ideia do eu ideal inalcançável.

Assim, livres até da concepção de liberdade.

Exu é a representação do devir, do vir a ser o que o ser humano é.

Exu demostra a nossa incompletude, o nosso constante renascimento enquanto sujeitos.

Notadamente, Exu desmonta qualquer ideia de perfeição, substituindo-a pela completude.

Da mesma forma, nos lembra da importância do desapego e superação das etapas da vida, da necessidade constante renascimento.

Assim, sempre aponta para o frescor da vida no agora.
E usa a própria ilusão do mundo para revelar a farsa que o mundo é.

Ah, Exu…
Leve essas palavras no tempo, desfaça-as no vento, pois nem elas serão a verdade última.

Pois Tu já demostraste que verdade mesmo só a impermanência, e que prazer estar no pulsar, no viver.

Exu, a ti confio para me lançar sempre no desconhecido.

Portanto, deixo o apego de lado e, com a sua orientação, permito-me mergulhar nos mistérios da vida de quem por amor permanece a caminhar.

Isto sim: Exu é fogo, poder e vida!

Exu é potência da vida!

Conceito de Potência

A potência é a quantidade de trabalho (ou energia de uma força) efetuado por unidade de tempo. Isso equivale à velocidade de mudança de energia num sistema ou ao tempo despendido para realizar um trabalho. Portanto, a potência é igual à energia total dividida pelo tempo.

Comumente associada ao conceito de força, potência também foi conceituada pelo filósofo Baruch Espinosa.

Para exemplificar, vamos a um brever exercício: pense em algo, pense em qualquer coisa. Ela é possível de existir? Ou seja, esta coisa que você pensou tem contradições internas que impedem sua existência? Não? Então ela existe? A resposta é: não necessariamente, isso apenas faz com que esta coisa tenha a possibilidade de existir. Nesta forma de pensa, o fato de conhecer a essência de uma coisa, saber que ela é possível, não a torna necessária. Ela é potência.

A potência de uma coisa existir está em si mesma ou vem de fora. No nosso caso (seres humanos) somos versões reduzidas da potência de existir e, ao mesmo tempo, temos em nós parte destas forças que nos permitem existir. O finito reflete o infinito, pois somos parte de um ser absolutamente infinito que existe em si mesmo e dentro de nós (Deus, Olorum).

Assim, Deus para Espinosa é a potência infinita de expressão e atualização: não há nada fora dele, nada o limita, nada está para além de sua existência. Deus é definido por sua potência de ser, existir e produzir. Daí decorre também que a unidade de Deus se manifesta através da multiplicidade: a expressão de Deus se dá na diferença (homens, animais, minerais, etc.).

É mais uma evidência de que a divisão Ciência/Religião deve ser relativizada, pois se tocam a todo momento.