Quaresma e Umbanda. Para começo de conversa, a Quaresma faz parte e é super importante dentro da liturgia católica. A importância que se dá à Quaresma e Umbanda em certos templos está relacionada com a origem mais ou menos católica do dirigente e de seus fundadores(as) e menos com alguma suposta “obrigação” que deveríamos seguir.
Os Guias espirituais acabam, afinal, respeitando o quanto tal dirigente é “católico umbandista” ou “umbandista católico”, e então tomam providências e ajustes ritualísticos de acordo com o que faz este dirigente se sentir seguro ou confortável diante de suas crenças, paradigmas e limitações doutrinárias.
Se sua casa/templo/centro/terreiro já tem as firmezas de Direita e Esquerda bem estabelecidas ou assentadas, não vejo necessidade para mais nada a não ser que um Guia determine algo diferente.
E se o médium já tem suas proteções e anjo da guarda firmados não há necessidade de mais nada. A não ser que ele sinta que precisa de um quê a mais neste período específico.
Agora, quando o dirigente não consulta seus Guias e por algum motivo possui temor da Quaresma, dá para crer como normal para ele fazer muitos rituais ou se fechar. E mais: muitos realmente fecham suas casas/templos/centros/terreiros com o objetivo de evitar qualquer “mal” que possa estar “solto” por aí especificamente neste período.
Se o médium não se abriu à percepção de sentir quando precisa ou não de uma proteção extra, então é comum estar sempre tentando se proteger mais e mais. E isso é independente da necessidade real.
Neste caso, Quaresma e Umbanda podem andar juntas na concepção e visão de mundo destas pessoas.
Em muitos anos e muitas outras vezes já expliquei e escrevi o que é Quaresma para o católico. Hoje não vejo mais necessidade de explicar os fundamentos de outra religião por aqui.
Alguns Terreiros de Umbanda tradicionalmente fazem um ritual de “fechamento de corpo”. E isso independe da crença ou da Quaresma. Participar de um ritual é algo sempre bom, interessante e estimulante do ponto de vista espiritual ou religioso.
Então, todo ritual deve ser respeitado, independente da motivação ou explicação de seu “fundamento”. Rituais vão além do que compreendemos e nem sempre é possível saber porque estamos ali. Apenas constatamos se trouxe um benefício ou não.
Sobre o Carnaval espero mesmo que todos tenham cantado, dançado, extravasado, viajado, passeado, namorado, descansado ou até passado em algum retiro. Que vocês tenham feito o que quiserem, desde que não sejam os chatos que só querem ficar recriminando os outros com discursinhos moralistas.
E pense sempre que no fundo de um discurso moralista sempre tem alguém que gostaria de fazer o que o outro faz, mas não tem coragem, então se veste de “estraga prazeres” para tentar convencer a si mesmo que sua escolha de “não ter prazeres” é a melhor escolha, mesmo que viva de amargura e reclamações, se “conforta” com a infeliz esperança de ser feliz na Aruanda.
O ponto nunca é o comportamento ou a atitude: é sim a motivação correta (feliz) ou incorreta (infeliz). Apenas não se esqueça que Aruanda é lugar de gente que já é feliz e bem resolvida com suas escolhas. Quaresma e Umbanda é um tema que não precisaria ser motivo de discórdia quanto a isso.
Faça o que quiser, consulte apenas seu coração e sua consciência, busque sua verdade. Faça o que quiser, só não seja “o chato”. Viva e deixe viver!
“Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”, diz o ditado popular.
Quaresma e Umbanda tem ou não tem relação. Depende de cada um, de cada Casa.
Então não julgue, não aponte, não critique, que é o melhor que você pode fazer por si mesmo e pelo outro!
