Abrir um Terreiro: em que momento eu devo fazer isso?

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Abrir um Terreiro novo de Umbanda é uma grande decisão. E uma grande responsabilidade.

No dia a dia, notamos que os motivos que levam os médiuns a decidir pela abertura de uma nova Casa são muito variados.

E nem sempre são os melhores motivos.

Vamos a alguns deles:

O MÉDIUM ‘BRIGA’ COM O DIRIGENTE OU COM OUTROS MÉDIUNS

Brigas e desavenças já não são um bom motivo para nada, ainda mais no ambiente religioso.
Mas somos todos humanos, imperfeitos, em evolução.
Se não houver condições de resolver a contenda e o mal estar gerado, abrir um Terreiro novo, ainda assim, não é a melhor opção.
Neste caso, recomenda-se a busca de uma nova Casa parar frequentar.
Ou, quem sabe, dar um tempo, ‘tirar umas férias’ do trabalho religioso.
O tempo costuma curar muitas feridas.

 

SÃO MUITOS ANOS DE UMBANDA. CHEGOU A MINHA HORA!

Não está escrito em nenhum lugar que médium com muitos anos de serviços prestados na Umbanda deve, necessariamente, se tornar um dirigente.

Avalie conosco por um momento:

– Você sente o desejo, a propensão ao desenvolvimento da mediunidade;
– Você então é autorizado a passar de consulente a cambone (o que ocorre em muitas Casas);
– E começa a vivenciar a religião mais de perto;
– Passa a estudar e desenvolver na prática a sua mediunidade;
– Certo dia, já acostumado com a mediunidade de incorporação e com os ritos da Casa, começa a atender os consulentes;
– E segue aprendendo, estudando e se desenvolvendo.

Há algo errado nesta descrição?
Se este médium seguir nesta Casa ele valerá menos do que outros que abriram novos Terreiros?

É claro que não!

Ser médium na Umbanda é um privilégio, uma missão, um ato de amor e caridade.
É uma forma de autoconhecimento e desenvolvimento contínuos.
E se isso tudo lhe traz bem estar, felicidade e senso de dever cumprido, porque mudar?
Pense nisso.

 

MUDANÇA DE CIDADE

Aí você muda de cidade e, chegando lá, percebe que não existem Terreiros de Umbanda próximos.
Ou, em muitos casos, não há Terreiros de Umbanda na cidade.

Bom, aí não tem jeito não é? – diriam muitos.

Sim e não. Explicamos.

A mudança de cidade, estado ou até de país demanda um esforço de adaptação.
Novos amigos, novo emprego, novos vizinhos, nova moradia, tudo novo.

Você vai mesmo querer encarar de frente, logo de início, abrir um Terreiro novo?

Que tal aguardar um pouco, deixar a poeira assentar?
Que tal buscar um Terreiro numa cidade próxima e visitá-lo de vez em quando?

Pense nisso também.

***

Há muitas outras situações para serem analisadas sobre este tema.
E se você chegou até aqui deve estar achando que não recomendamos que ninguém nunca abra um Terreiro novo.

Calma, este não é o nosso objetivo.
A ideia aqui é apenas mostrar que a decisão por iniciar uma nova Casa deve ser bem pensada.
E nem falamos das questões legais, custos, etc (assunto para um outro artigo).

Mas você sente e quer abrir um Terreiro novo. O que fazer?

Alexandre Cumino, autor, professor e dirigente do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, durante a Jornada Sacerdotal 2018 deu algumas recomendações sobre o assunto.

Continue no seu Terreiro, mas comece a testar a si mesmo na função de sacerdote ou dirigente.
Faça, por exemplo, uma Gira fechada em sua casa, só com a família.
Reproduza a ritualística da sua maneira ideal, com início, meio e fim.

Com o tempo, chame alguns amigos mais próximos.
Vá observando a dinâmica, se tudo dá certo, se consegue manter o trabalho e ainda assim estar atento a tudo que ocorre à sua volta.

Se tiver mais alguém na família que é médium, convide-o a participar.
Veja como funciona, vá se acostumando.

E se um dia perceber que sua felicidade é ainda maior neste trabalho caseiro, este pode ser um indicativo de que abrir um Terreiro novo pode ser o seu
caminho.

Este e outros temas sobre como ser um sacerdote de Umbanda serão discutidos na Jornada Sacerdotal 2019. CLIQUE E SAIBA MAIS

Foto: Artem Bali/Pexels