Sálvia – Dia 49 – Erveirança 5.0

Sálvia é a nossa penúltima erva. Salve turminha de coração verdinho!
Quase lá! Falta apenas uma erva para completar as cinquenta prometidas na nossa Erveirança 5.0.

E amanhã, 27 de Maio, às 11 horas da manhã, faremos um AO VIVO pelo Facebook, na página O Erveiro, falando sobre essas ervas, sobre o que podemos fazer com elas e, aproveitando a oportunidade, práticas de defumação, com as resinas que publicamos ontem, com a Sálvia de hoje e os fumos sagrados que cito aqui nessa matéria.

A Live com as meninas do Sabor de Fazenda foi muito bacana, e tem bastante informação lá sobre as cidreiras, manjericões, boldos e mentas, vale a pena assistir, está na linha do tempo!

Dia 49 – Erva 49

Sálvia – Salvia officinalis L.

Vamos à Sálvia! Uma das ervas mais usadas em defumações em diversas culturas e religiões pela sua capacidade de queima sem a necessidade do carvão em brasa e pelo aroma agradabilíssimo que proporciona.

A Sálvia foi responsável pelo aforismo “De que pode morrer um homem se em seu quintal cresce a Sálvia”… Que é bem justo, pois é remédio para muitos males, como é anunciado e comprovado pela fitoterapia. Largamente usada também na culinária, apresenta sabor marcante e tempera carnes, peixes e saladas.

No uso ritualístico, entendemos que a Sálvia é erva consagrada, classificada como MORNA ou EQUILIBRADORA, que carrega vibração de “ancestralidade”, remetendo-nos a um clima de sabedoria anciã, por isso é associada aos Orixás Pais Obaluaiyê e Oxalá e Mãe Nanã.

As defumações com Sálvia, sozinha ou compostas com resinas, proporcionam excelente purificação e iluminação espiritual para o ambiente e pessoas presentes.

Costumamos queimá-la diretamente dentro de conchas de abalone, lembrando um processo xamânico, a “defumação dos quatro elementos”, onde abanamos a erva com um instrumento de penas, representando o elemento ar; a concha representa o elemento água ou o próprio útero gerador; o fogo colocado na erva o seu próprio elemento e a erva propriamente dita o elemento terra – vegetal.

Acendemos a erva com fogo, seja de um fósforo ou de um isqueiro, pois ela realmente se torna uma defumação depois de consagrada como tal, caso contrário é apenas erva queimando e aromatizando o ambiente.

Essa queima por ser muito fácil de fazer é indicada para benzimentos rápidos, cerimônias de casamento, batismo e funeral e defumações onde não há condições de usar carvão em brasa.

Suas folhas depois de bem secas também podem compor os “fumos sagrados”, associada ao Alecrim e ao Anis Estrelado, sua mistura mais conhecida, difundida por nós desde os anos 2000.

No lugar desse Anis, recebe bem o Cravo e a Canela, resultando em uma ótima combinação. Vale lembrar que quando nos referimos a “fumo sagrado”, não é qualquer coisa que se fuma de forma profana. Há de ser consagrado, rezado e usado de forma respeitosa. Diferença entre remédio e veneno pode ser a dose, a forma, o contexto.

E com veneno só se brinca uma vez!

Nos banhos é extremamente equilibradora, proporcionando “pés no chão”, capacidade de discernimento, sabedoria e propiciando as melhores condições de tomadas de decisão.

É importante lembrar que a Sálvia a que nos referimos é a Salvia officinalis, essa simples mesmo, que cresce nos nossos quintais. Há também a Sálvia Branca (Sálvia Apiana), preferida pelos praticantes dos diversos caminhos xamânicos, bastante usada pelos nativos americanos, e outra qualidade de Sálvia usada como enteógeno (alterador da consciência) da qual não fazemos referência.

Como já dissemos, a Sálvia é elemento consagrado na fitoterapia, culinária e uso ritualístico e a cada dia essa fantástica erva me surpreende com uma nova ação. Vale a pena pelo menos uma vez na vida ter uma experiência pessoal com ela, seja em banhos, defumações, amacis, ou com os fumos sagrados, afinal é a nossa erva de sabedoria e ancestralidade.

Gratidão imensa, ainda e sempre!

Saúde e esperança para todos nós!