Pai Antonio: o primeiro Preto Velho da Umbanda

Pai Antônio foi o primeiro Preto Velho da Umbanda. E manifestou-se também naquele famoso dia 15 de novembro de 1908.

Naquele mesmo dia, o jovem médium Zélio de Moraes incorporou um Preto Velho chamado Pai Antônio que, em decorrência de sua fala mansa, foi tratado por alguns como uma manifestação de loucura.

O Preto Velho, proferindo palavras de muita sabedoria e humildade, além de aparente timidez, recusava-se a sentar à mesa com os presentes, dizendo:

“Nego num senta não, meu sinhô; nego fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco, e nego deve arrespeitá”.

Após a insistência dos presentes, ele pronunciou:

“Num carece preocupá não. Nego fica no toco, que é lugá di nego”.

E assim continuou, dizendo outras palavras que expressavam sua humildade. Uma pessoa participante da reunião lhe perguntou se sentia falta de alguma coisa que havia deixado na Terra, ao que ele respondeu:

“Minha cachimba; nego qué o pito que deixô no toco. Manda mureque buscá”.

Provavelmente deve ter surgido daí o seguinte ponto cantando de Pretos Velhos:

“Seu cachimbo tá no toco, manda moleque buscar / No alto da mata virgem, seu cachimbo ficou lá”, o qual, por essa circunstância, torna emblemática a presença dos Pretos Velhos na origem da Umbanda.

A solicitação desse primeiro elemento de trabalho para a nova religião deixou perplexos os presentes. Foi Pai Antônio também a primeira entidade a solicitar uma guia.

E essas mesmas guias são usadas até hoje pelos membros da Tenda, carinhosamente denominadas de “guia de Pai Antônio”.

No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, formou-se uma verdadeira romaria em frente à casa da família Moraes.

Cegos e paralíticos foram curados. Todos iam em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

Pai Antônio, o primeiro Preto Velho da Umbanda segue atendendo em muitos e muitos Terreiros de Umbanda. E que continue assim.

Fonte
A Missão da Umbanda/Norberto Peixoto (Ramatís)
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