Irmã Dulce: Babalorixá baiano vai à canonização

Irmã Dulce será canonizada como santa católica no domingo, 13 de outubro de 2019.

No entanto, Babá Pecê, sacerdote que conheceu pessoalmente a religiosa e foi ajudado por ela nos anos 1990, terá a honra de participar da cerimônia.

A saber, o babalorixá Sivanilton da Encarnação da Mata, conhecido como Babá Pecê, é dirigente da Casa de Oxumarê, um dos Terreiros de Candomblé mais antigos e tradicionais da Bahia.

Sem dúvida, ele vai representar o carinho que os religiosos de matriz africana têm pelo “Anjo Bom da Bahia”, que era respeitada por diversos credos e até ateus.

“Salvador é conhecida pelo sincretismo religioso, é uma cidade em que há uma cultura de diálogo entre as religiões, especialmente as de matriz africana e o catolicismo, por conta da formação dos nossos povos, da nossa história”, declarou ao portal G1.

A saber, o sacerdote revela ter vivido uma experiência pessoal com Irmã Dulce.

Posto que, em março de 1990, a mãe dele, a Iyalorixá Mãe Nilzete de Iemanjá, estava internada em um hospital particular da cidade.
No momento em que soube que ela precisaria de uma medicação que não era disponibilizada na unidade.

Pois ela havia passado mal após tomar uma anestesia e estava com os movimentos do corpo parcialmente comprometidos.

Assim, o estado de saúde da Mãe de Santo era tão delicado que o neurologista que a acompanhava, na época, sugeriu que a família lutasse para obter a substância.

“Era um remédio caro e difícil de ser encontrado.
Então comecei a pedir nas farmácias, nos hospitais, mas não consegui.
Já estava desesperado, quando decidi ir até o Largo de Roma”, lembra, referindo-se ao local onde está a sede das Obras Sociais Irmã Dulce.

Aliás, foi o local onde Irmã Dulce viveu até morrer.

Será que ele foi recebido por Irmã Dulce?

Ao passo que, lá chegando, quis falar com Irmã Dulce, mas não obteve permissão das pessoas que cuidavam dela.

“Disseram assim:
‘Hoje ela não está atendendo ninguém porque está com a saúde abalada. Volte amanhã’.

Então saí andando pela praça, cabisbaixo, sem saber o que fazer.
Sem dúvida eu estava perdido.
Decidi insistir, pois já estava lá mesmo, precisava tentar mais uma vez.
Assim, quando ela ouviu a minha voz de novo, falou assim:

‘Esse rapaz veio me procurar e já é a segunda vez.
Não estão vendo que ele está com algum problema? Deixem ele subir'”, disse.

Imediatamente a ordem dela foi obedecida.
Por certo ele ficou nervoso no encontro, entretanto foi acalmado pela religiosa.

“Impressionante como ela era tão franzina e doce, ao mesmo tempo em que transmitia força no olhar”, acrescentou.

Irmã Dulce: Babalorixá baiano vai à canonização 1
Reprodução: Site da Osid

Então Babá Pecê contou para Irmã Dulce o problema da mãe e prontamente recebeu ajuda.

“Ela foi muito ágil. Logo começou a fazer ligações, tinha uma agenda cheia de contatos.
Não desistiu até conseguir o remédio”.

Por fim, o medicamento foi disponibilizado pelo Exército Brasileiro, graças ao apelo de Irmã Dulce.
Nesse meio tempo, a Iyalorixá não resistiu.

Ainda assim, Babá Pecê lembra dos fatos com emoção.

“Aquele foi um momento muito nebuloso na minha vida.
Foi difícil perder a minha mãe, mas conhecer Irmã Dulce de perto me marcou profundamente.
Pois ela fez o que pôde para me ajudar, sem perguntar quem sou eu, quem era minha mãe, sem nenhum tipo de julgamento ou interesse.
De fato, ela realmente fazia o bem sem olhar a quem e eu pude testemunhar isso.
Assim, eu que já respeitava a figura e o trabalho dela, depois disso passei a admirá-la ainda mais”.

Em conclusão, essa foi a única vez que Babá Pecê e Irmã Dulce se viram.
Porém, ele mantém um carinho enorme pela futura santa e foi presenteado por um grupo de brasileiros que vive na Itália para assistir à celebração no Vaticano.

“São pessoas que me acompanham dentro da espiritualidade e me convidaram por conhecerem esse episódio, por saberem que Irmã Dulce foi muito especial na minha trajetória”, detalhou o sacerdote.

O babalorixá destaca que a baiana merece a veneração não somente dos baianos, mas de todos os brasileiros.
Em síntese, independentemente de crenças religiosas, por causa do legado deixado por ela.

“Irmã Dulce é um símbolo de fé, de amor para com os irmãos, de exemplo do que é amar ao próximo como a si mesmo.
Ela é digna de todas as homenagens”.

Confira AQUI um especial do G1 sobre a canonização de Irmã Dulce


Você conhece a definição da palavra ‘mandinga’? E o que isso tem a ver com os Pretos Velhos? CLIQUE AQUI e saiba mais!

[creditos titulo=”Fonte” nome=”Portal G1 – Bahia” url=”https://g1.globo.com/ba/bahia/irma-dulce/”]