Ciência e religião não são inimigas, diz Gleiser

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Ciência e religião segundo Marcelo Gleiser

‘A ciência não mata Deus’, diz o físico brasileiro Marcelo Gleiser

Inegavelmente o cientista se esforça para demonstrar que ciência e religião não são inimigas.

Assim, sua postura e trabalho lhe rendeu, em março de 2019, o prêmio Templeton.

O prêmio Templeton recompensa a cada ano uma personalidade que explora “a dimensão espiritual da vida”.

Portanto, foi concedido com justiça ao físico teórico brasileiro que sempre buscou demonstrar que ciência e religião não são inimigas.

Por outro lado, o professor de Física e Astronomia, carioca, 60 anos (há mais de 30 nos EUA), não acredita em Deus. Ele é agnóstico.

“O ateísmo é inconsistente com o método científico”, afirmou Gleiser à AFP no Dartmouth College da Universidade de New Hampshire, onde é professor desde 1991.

“O ateísmo é uma crença na não-crença.
Então você nega categoricamente algo contra o qual você não tem provas”, acrescentou.

“Mantenho a mente aberta, porque entendo que o conhecimento humano é limitado”, completa o cientista.

A saber, o prêmio Templeton é financiado pela fundação do falecido John Templeton, um americano presbiteriano que fez fortuna em Wall Street.

Da mesma forma, já foi recebido desde 1973 por Desmond Tutu, Dalai Lama, filósofos e outros astrofísicos, entre outros.

O que pensa Marcelo Gleiser

De fato, com cinco livros em inglês e centenas de artigos em blogs e na imprensa dos Estados Unidos e do Brasil, Gleiser explica de que maneira ciência e religião estão direcionadas para responder perguntas muito similares sobre a origem do universo e da vida.

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“A primeira coisa que você lê na Bíblia é uma história da criação”, afirma.
Judeus, cristãos, muçulmanos: independentemente da religião, “todos querem saber como o mundo surgiu”.

Assim, esta curiosidade fundamental, científica ou religiosa, leva, sem dúvida, a respostas diferentes.
De outro modo, o método científico é feito de hipóteses refutáveis, o que não acontece com as religiões.

“A ciência pode dar respostas a certas questões, até um certo ponto”.

Afinal, o que são o tempo, a matéria, a energia?
Portanto, as respostas científicas são válidas apenas em um âmbito teórico.

“Este é um problema conhecido na filosofia por muito tempo, chamado de problema de primeira causa: ficamos presos”, afirma Gleiser.

“Devemos ter a humildade para aceitar que estamos cercados de mistério.”

“Arrogância” científica

A saber, Gleiser já escreveu sobre mudança climática, Einstein, furacões, buracos negros, a consciência…
Sem dúvida, seu credo é rastrear os vínculos entre a ciência e as humanidades, incluindo a filosofia.

Então, o que ele pensa dos que acreditam que a Terra foi criada em sete dias?

“Eles consideram a ciência como o inimigo, porque têm um modo muito antiquado de pensar sobre ciência e religião, no qual todos os cientistas tentam matar Deus”, disse.

“A ciência não mata Deus”, completa.

Assim, para Gleiser, a religião não é apenas a crença em Deus: dá um senso de identidade e comunidade.

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“Ao menos metade da população do planeta é assim”.

“Quando você ouve cientistas muito famosos fazendo declarações como … a cosmologia explicou a origem do universo e de tudo, e nós não precisamos mais de Deus. Isso é um completo nonsense”, acrescenta.

“Porque nós não explicamos a origem do universo em absoluto”, conclui.

“É extremamente arrogante para os cientistas descer de suas torres de marfim para fazer estas declarações sem compreender a importância social dos sistemas de crenças”, opina.


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FONTEAFP
FOTOEli Burakian/Dartmouth College

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