Contos dos Orixás cria HQs com heróis negros

Contos dos Orixás é um projeto adapta os mitos e lendas sobre as divindades da África Ocidental, com respeito às tradições dos povos Iorubás.

Aliás, filmes, animações e séries de heróis como Pantera Negra e Luke Cage acenderam debates sobre a representatividade entre os heróis nos últimos anos.

Então, como instrumento para reforçar o empoderamento negro nas histórias em quadrinhos (HQs), o quadrinista baiano Hugo Canuto criou os “Contos dos Orixás”.

Assim, os mitos e lendas sobre as divindades da África Ocidental e as histórias dos Orixás são adaptados para uma linguagem artística.

E tudo isso com respeito às tradições dos povos Iorubás!

Estas, existentes no continente africano, onde ficam hoje a Nigéria e partes do Benin e do Togo.

Portanto, dentre os protagonistas das HQs está, por exemplo, o Rei Xangô, o senhor do trovão.

A história conta ainda com Obatalá, que criou o mundo com a ajuda dos irmãos e muitos outros.

Da mesma forma, Orixás guerreiros como Ogum, o senhor do ferro, e Oxóssi, o caçador, também são retratados.

Contos dos Orixás - Oxóssi e Ogum
Reprodução

De acordo com Canuto, a jornada para criar os Contos dos Orixás teve uma inspiração:

“O legado das civilizações africanas que moldaram minha terra de origem, a Bahia e sua ancestralidade, representadas aqui pelos Itan.

Estes, compõem um conjunto de narrativas ligadas aos Orixás, arquétipos milenares de força, coragem e sabedoria”.

Assim, para construir o projeto, o quadrinista trabalhou por cerca de dois anos e meio ao lado de sacerdotes, acadêmicos e outros autores que compartilharam saberes.

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Além do estudo, fez cursos de língua e cultura Iorubá, e usou como referência obras de Pierre Verger, Edson Carneiro e Lydia Cabrera.

Apesar das referências aos elementos ligados aos Orixás, o autor alerta:

“Os contos não falam sobre o Candomblé, a Umbanda, Santeria ou Ifá, seus ritos, fundamentos iniciações e segredos.

Mas buscam fazer um recorte respeitoso com foco na cultura Iorubá, assim como os mitos e histórias dos Orixás”.

Assim, a publicação dos Contos dos Orixás começou a ser viabilizada de forma independente.

E isso ocorreu a partir de um financiamento coletivo, o chamado “crowdfunding”.

“Ao longo do tempo de produção, senti a necessidade de ampliar o conteúdo para contar a história que desejava.

Assim, dobramos o tamanho da revista, tendo a versão final o total de 120 páginas.

Isso exigiu mais tempo na elaboração, visto que, do roteiro até a arte, o processo se deu de maneira autoral”, contou Hugo.

O projeto foi disponibilizado na plataforma Cartase.

Até recentemente já havia arrecadado quase 800% da meta que era de R$ 20 mil [a campanha já arrecadou mais de R$ 150 mil].

Contos dos Orixás - Xangô
Reprodução

Além disso, quem deseja apoiar o quadrinista pode fazer contribuições a partir de R$ 20,00.

As recompensas vão desde revistas impressas e exemplares autografados a ilustrações e outros itens.

O valor do quadrinho atualmente é de R$ 45,00.

A saber, as duas primeiras tiragens tiveram cerca de 4 mil exemplares.

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Ao mesmo tempo em que foram lançadas em pré-venda na Comic Con Experience (CCXP), em dezembro de 2018.

O lançamento oficial será na noite desta terça-feira, 22 de janeiro de 2019, com palestra e noite de autógrafos no Teatro Sesi, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.

“Nosso projeto possui um braço social, que busca fazer da arte um instrumento de transformação”, explicou Hugo.

Como parte do braço social que envolve Canuto e os Contos dos Orixás, exemplares da revista foram distribuídos para educadores.

Contos dos Orixás - Rascunho
Reprodução

Da mesma forma, estes também costumam usar as 16 artes da representação dos Orixás, principalmente em Salvador.

“No geral, a maioria usa as imagens disponibilizadas na página e, de maneira orgânica, aplicam em suas disciplinas de história, geografia, artes”, ponderou.

“O trabalho se tornou um instrumento natural de empoderamento e afirmação por parte do público, o que muito nos alegra”.

Além do uso nas escolas, as histórias também estão sendo utilizadas como referência em livros didáticos.

Igualmente estão sendo citadas em teses universitárias e expostas em alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra.

“O mais importante é que está presente nas casas e, principalmente, no coração do público.

Isso serve ao seu maior propósito: ser instrumento de empoderamento, reflexão e transformação de percepções sobre o grande legado das civilizações africanas e sua descendência na formação histórica, cultural e espiritual do povo brasileiro”.

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