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Quando o médium de Umbanda se sente superior

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Médium de Umbanda se sente mais do que os outros?

Afinal, o que eu poderia dizer ou escrever que pudesse ser aproveitado por todos que estão com os pés no chão em um Terreiro?
Para a comunidade umbandista?

Contudo para tantos que estão vestindo o branco como médiuns de Umbanda?

Assim, pensando nos anos que já passei como zelador e nas centenas de Giras de caridade que já realizamos, concluo que o grande obstáculo que paralisa muitos médiuns é a jactância.

A saber, é aquele sentimento velado de superioridade.

Portanto, é um certo tipo de tédio, que vai se instalando em relação aos irmãos de corrente e consulentes, de tanto escutar suas queixas.

Pois anda de mãos dadas com o orgulho e a vaidade, estabelecendo um senso de superioridade irreal, um certo enfado e ar desmotivado.

Obviamente que tal situação já observei em espíritas, espiritualistas, pastores, padres, bispos, teosofistas, budistas, maçons, rosacrucianos, apômetras…
Então atribuo este estado psíquico inerente ao ser humano.

Mas como se instala a jactância no médium umbandista?

Porque o médium sendo consciente, o que é o estado natural da mediunidade na atualidade, é provável que ele caia num automatismo comodista.

Assim, inevitavelmente, nas suas reflexões examina as consciências alheias, identificando os erros do próximo, muitas vezes opinando em questões que não lhe diz respeito.

Igualmente, indica as fraquezas dos semelhantes, educando os filhos dos vizinhos, reprovando as deficiências dos companheiros, corrigindo os defeitos dos outros.
Da mesma forma, aconselha o caminho reto a quem passa, receitando paciência a quem sofre.
E segue resoluto retificando os defeitos de quem o procura no centro umbandista, como se ele fosse só perfeição.

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Mas enquanto o medianeiro se distrai orientando, se distância de si mesmo.

Assim, como um aprendiz que foge à verdade e à lição, agrava a situação enfatuando-se.

Igualmente, agrava sentindo-se superior aos consulentes e irmãos de corrente, sempre incansáveis em seus pedidos de ajuda, reclamações e tristezas.

Portanto, enquanto o médium se ausentar do estudo das suas próprias necessidades e fragilidades que fundamenta o indispensável processo de auto-conhecimento e autorrealização, esquecendo a aplicação dos princípios superiores que deve abraçar na fé viva que é mero instrumento, cheio de defeitos e imperfeições e tão frágil e carente quanto àqueles que o procuram, será simples cego do mundo interior relegado à treva da ilusão.

Em suma, nada estará realizando.
Pois locupleta-se em si mesmo e se basta.

Da mesma maneira, acredita que está fazendo uma grande obra, um palácio de realizações com o passar dos anos.
Aliás, muitos até se gabam do tempo de mediunidade e menosprezam os mais novos.

Claro que a experiência acumulada ao longo dos anos dá sabedoria ao medianeiro.

Mas ele não deve sentir-se melhor a quem quer que seja.
Pois não sabemos o passado e a idade sideral de cada um de nós.

Ou você sabe qual a idade do teu espírito?

Portanto, despertemos e vigiemos sempre.

Da mesma forma, mantenhamos nossas energias mais profundas.
Tudo isso para que os ensinamentos, instruções e consolos que passamos na forma de orientações recebidas de nossos Guias espirituais aos consulentes não seja para nós médiuns de Umbanda uma bênção que passa.

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Pois são dádivas e misericórdia divina da mediunidade que nos foram concedidas.

Isso em proveito à nossa própria retificação pelo auxilio incondicional aos irmãos de caminhada que nos procuram.

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Porque o infortúnio maior de um médium de Umbanda e para a sua combalida alma eterna é aquele que o infelicita quando a graça do Alto passa por ele em vão em toda uma encarnação!

Assim, nenhuma valia tem um rito, seus elementos e liturgias, se o médium de Umbanda internamente não tem a condição necessária de recebê-lo satisfatoriamente.

Portanto, a aplicação ritualística externa é feita pelo sacerdote e seus assistentes.
Mas a ligação espiritual interna é de cada médium de Umbanda.

Se assim não acontecer, qualquer rito será um mero PLACEBO RITUAL, inócuo e sem efeitos positivos.

Dessa forma, é tarefa primeira de um zelador espiritual vigiar e “correr Gira” para que a jactância mediúnica não se instale nele ou em sua corrente.

Reflitamos.

Paz, saúde, força e união.

TEXTONorberto Peixoto