Incorporação fora do Terreiro

Incorporação fora do Terreiro

Incorporação fora do Terreiro merece uma análise.

Pois nós, umbandistas, temos necessidade quase fisiológica de auxiliar alguém quando o encontramos em dificuldades.

Afinal, quem de nós já não teve vontade de auxiliar alguém necessitado, ansioso por fazer o bem, a ponto de não aguentar esperar o dia da Gira para isso?

Da mesma maneira, quem nunca pensou em incorporar as suas entidades em casa ou na casa da pessoa?
Ou ter incorporação fora do Terreiro até mesmo em outro lugar a fim de auxiliar o mais breve possível?

A saber, a intenção é ótima, não resta dúvida.

Mas nem sempre as boas intenções são sinônimo de bons resultados.

Aliás, são inúmeros os relatos de casos que a tentativa de ajudar foi desastrosa para ambas as partes: para o que buscava ajuda e também para o médium.

Então alguns dirão: “Ah, minhas entidades são fortes e minha fé é firme”.

Sem dúvidas quanto a isso.

Mas pergunto: e os eguns e quiumbas que você (e suas entidades) vão encarar são fracos?

Você tem noção da força deles?

Sobretudo, lembre-se que não são apenas os “bonzinhos” que têm forças e firmezas.

Outros detalhes para refletir sobre incorporação fora do Terreiro

De fato, se fosse para incorporar entidades em casa (ou na casa do consulente), qual a necessidade de existir um Terreiro, com tronqueira, congá e corrente mediúnica firmada?

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Afinal, se temos tudo isso num Terreiro é porque lá é o lugar da incorporação e do atendimento acontecer.

Pois se pensarmos o contrário vamos fechar os Terreiros e abolir os fundamentos da Umbanda, visto que tudo isso passaria a ser desnecessário.

Mas vamos ao que realmente interessa.

Dar atendimento e incorporação fora do Terreiro equivale a nadar em rio de piranhas famintas.

Assim, imagine as falanges de espíritos sofredores, zombeteiros, trevosos, malfeitores, quiumbas e energias nefastas que o acompanharão e que, provavelmente, ficarão em seu lar.

Sensação desagradável como mal-estar, doenças, desarmonias não tardarão a surgir.

Portanto, quem é o culpado disso?

As suas entidades que se deixaram incorporar em qualquer lugar?

Não, elas estão sempre dispostas a ajudar, independente da hora ou lugar.

Dessa forma, a responsabilidade é sua!

Pois foi você, médium, que abriu as portas da sua vida e da sua casa para essas energias.
E não adianta dizer que antes de fazer o atendimento domiciliar você firmou vela para seu anjo da guarda e para sua Esquerda.

Terreiro é Terreiro. Ambiente familiar é morada de espíritos encarnados e não pronto socorro espiritual.

Pense em tudo isso. Pense nos prejuízos que você pode levar a si próprio e à sua família.

Pois lugar de manifestação de Orixás e entidades é no Terreiro, salvo exceções, como caso de saúde em que o doente está totalmente impossibilitado de se locomover.

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O resto é vaidade do médium.

Aliás, é justamente a vaidade que costuma derrubar os médiuns.

Portanto, respeitar essa regra é respeitar a si mesmo.

É respeitar a hierarquia da sua Casa, é respeitar os consulentes.
Pois você não é detentor da verdade e não tem a certeza de que irá resolver os problemas deles.

Igualmente, é respeitar seus irmãos de fé, o nome do Terreiro que frequenta e é respeitar, acima de tudo, os seus Orixás e as suas entidades.

Assim, incorporação fora do Terreiro só em raríssimas exceções, como citamos.

TEXTOTupã Óca do Caboclo 7 Pedreiras
IMAGEMLívia Mariáh Fotografia

Mandingas de Preto Velho