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Castigo de Santo: existe isso na Umbanda?

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Castigo de Santo existe?

Afinal, é muito comum ouvirmos o termo castigo de Santo, ou ainda castigo dos Orixás, principalmente dos mais antigos.

São frases como:

“Se eu parar de trabalhar, ou não trabalhar, o Santo me castiga”, e por aí vai.

Mas o que eu peço pra você é um pouquinho de boa vontade em colocar a razão e reflexão para funcionar.

Assim, a Umbanda não é uma religião punitiva, ao contrário.

Sem dúvida, ela nos ensina a liberdade de nossas ações e que somos senhores de nossas vontades e escolhas.
Pois possuímos a lei irrevogável dada por Deus do livre arbítrio.

Portanto, não somos obrigados por Deus nem por um Guia de Luz e de Lei a atuar como médium seja de que forma for.

Não há isso de castigo de Santo!

Mas então porque conheço pessoas que ficam doentes se pararem de trabalhar como médiuns?

Entendendo a questão

Eu também já presenciei casos assim.

Mas quem provoca essas doenças e desequilíbrios muitas vezes psíquicos não é o Guia/entidade e sim a sua inatividade mediúnica.

Certamente, muitas pessoas vêm com uma energia magnética maior que outras, maior que outros médiuns.

Por isso precisam de constante trabalho para estar sempre com seu corpo energético equilibrado.

Pode ser até mesmo um trabalho holístico como Reiki, bienergia, cristal, limpeza e harmonização de chacras que nos ajudam a limpar e equilibrar a energia de nossos centros de força.

Mas se a pessoa não pratica nada, essa energia vai se acumulando no corpo.

Igualmente, vai criando toxinas, bloqueando o movimento energético de entrada e saída de energias e, aí sim, pode causar malefícios.
Pois tudo que é demais é ruim. Mas ainda assim não é castigo de Santo…

Além disso, existem pessoas que vem com vários canais mediúnicos abertos, várias capacidades ao mesmo tempo aflorando.

Nesse sentido, é preciso um trabalho de canalização e equilíbrio dessas capacidades.

Pois também podem causar muitos malefícios se a pessoa insiste em “deixar pra lá’ ou procurar apoio somente na medicina alopática.

Em outras palavras, ela se cura de um mal e tempo depois aparece outro problema.

Porque a pessoa com mediunidade aberta se torna invariavelmente um ponto de energia magnética que atrai quem precisa dessa energia para se sentir melhor.

Então o espírito doente, desequilibrado emocionalmente, encontra um grande conforto perto de médiuns que esbanjam energia.

Mas muitos deles, mesmo sem ter a índole ruim, pela sua mente perturbada e corpo astral debilitado, podem trazer consequências ruins para os médiuns nos quais se aderem.

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Então, entendam:

Não são os Guias que atuam para o mal, para castigar quem não quer atuar com eles.

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É um processo natural de uma pessoa que está no auge de sua abertura mediúnica e se recusa a procurar equilibra-la.
É o que chamamos de síndrome da mediunidade reprimida.

A ‘escolha’ pela mediunidade

Além disso tudo, ainda existem os que ESCOLHERAM encarnar para atuarem como médiuns.

Dessa forma, prestam serviços para a humanidade, ao seu próximo e para a caridade.

Igualmente, para o amparo aos necessitados para o seu próprio aprimoramento humano e espiritual.

Assim, pessoas nessa categoria são mais complexas, porque a questão de “livre arbítrio” fica comprometida.

E isso ocorre porque estas já escolheram o labor mediúnico, só que não lembram, pelo véu de escurecimento do reencarne.

Então muitas voltas na vida essa pessoa pode dar, negar, recusar, desprezar.

Mas sua própria mente superior acaba sempre a conduzindo para os caminhos da espiritualidade mediúnica.

Afinal, foi o caminho escolhido para esta encarnação, para o seu elevar espiritual.
Eu mesma sou um exemplo vivo disso.

Exemplo pessoal

Desde meus 17 anos que sofri com meu afloramento mediúnico que foi muito violento e traumático.

Aliás, passei por médicos, emergências para controlar supostos surtos psíquicos, pastores “exorcistas”, etc.

E ninguém da minha família sabia o que fazer comigo quando eu entrava em crise.

A única solução que viam era me levar pra emergência e lá tudo piorava.
Perdi um ano de escola porque não conseguia estudar.

Da mesma forma, quase perdi emprego porque não não conseguia ficar sentada numa cadeira, pois meu corpo ficava mole como geleia.

Até que uma prima minha me levou em um centro espírita e tudo começou a melhorar.

Assim, pararam as crises, as vozes na minha cabeça que não me deixavam dormir, os vultos que via, tudo estava indo normal, até eu precisar sair do Centro por motivo de viagem e, meses depois, tudo voltou, ainda mais forte do que antes.

E só fui realmente melhorar quando entrei para uma Tenda Cigana e comecei a atuar mediunicamente.

Mas todas as minhas perturbações não eram dos Guias, dos Exus ou Pombagiras. Não era um castigo de Santo…

Mas eram sim espíritos completamente desajustados que sentiam a minha energia e vinham até mim, tentando quem sabe um auxílio.

Como lidar com isso, afinal?

Mas eu não estava pronta para ajuda-los, pelo contrário: eu era quem precisava de ajuda.

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Mas eles não entendiam, e só queria um meio de alívio ao sofrimento que passavam.
Então, casos como o meu (que felizmente vi poucos) não me deu escolha a não ser seguir meu labor mediúnico e através dele ajudar as pessoas em seus conflitos e sofrimentos, conforme as leis de merecimento de cada um.

Então eu tive que cumprir com o que me propus.

Mas nem todas as pessoas nascem com essa “missão”.
Muitas delas só precisam tratar de um afloramento desequilibrado, sem a necessidade de seguir religião A ou B, colocar roupa, ou fazer seus votos de iniciação.

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Para essas pessoas, tudo é mais fácil, porque eles podem sair a hora que quiserem.
Pois as entidades de Luz entendem e sabem que cada ser humano tem o direito de suas escolhas.

Não existe a lenda de que “se você sair eu acabo com sua vida”.

Vamos evocar mais uma vez o bom senso e a razão: se são espíritos evoluídos, de Luz, esclarecidos, do Bem, que receberam pela espiritualidade superior divina a capacidade de ser um Guia e, portanto, guiar outros, jamais tomarão tal postura.

Não se deixem ser influenciados por ideias, conceitos e crendices sem sentido, envoltas de ignorância cultural, pois desde muito tempo somos pela nossa sociedade doutrinados a temer e pensar as piores coisas das religiões de matrizes africanas.

Sendo assim…

Orixá não dá surra, não promete matar, não castiga.
Se isso acontece na sua vida, olhe pra dentro de si e vai ver que são apenas reflexões de suas próprias escolhas impensadas e inconsequentes.
De negar, quem sabe, seguir um caminho, por preconceito, vergonha ou medo da opinião alheia.

A maioria não tem que ditar o seu caminho, até porque o nosso caminho deve ser trilhado com base nas nossas escolhas, atitudes e ações.

E com os irmãos e antepassados que cultivamos na nossa trajetória humana.
Aquele que diz para onde você deve ir não irá com você.

Em suma, castigo de Santo não existe!

Pois o caminho para “redenção” é individual e não coletivo e ele depende exclusivamente de uma cabeça boa, sadia e equilibrada com méritos de ações, coração puro e bondade ao próximo.


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TEXTOAna Araújo/Terreiro de Umbanda Vovó Catarina
IMAGEMAarón Blanco Tejedor/Unplash