A descoberta da Umbanda (e fora do Brasil)

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A descoberta da Umbanda se deu para Juliana como para muitos: ao por seus pés pela primeira vez num Terreiro.

Então, acompanhe sua história!


Pois bem. Como todas as histórias têm que ter um começo, a minha história com a Umbanda começa com o meu primeiríssimo contato com um Terreiro.

De fato, eu sempre segui a doutrina espírita e sempre frequentei centros espíritas.
Mas nunca passou pela minha cabeça entrar num Terreiro de Umbanda.

Ainda mais depois de ter deixado de viver no Brasil.

Mas mesmo que a gente não pondere, não procure, a vida nos encaminha.

Assim, o desejo de obter alguma notícia de um familiar próximo, recentemente falecido, me colocou no caminho de um Terreiro.

Em Lisboa, capital portuguesa, onde eu vivo, há muitos brasileiros e eu já tinha ouvido falar de algumas pessoas que jogavam búzios, liam cartas, “mexiam” com Umbanda e Candomblé.

Ainda mais que um amigo da minha melhor amiga aqui também o fazia.

Então, eu e o meu marido resolvemos procurá-lo para saber se ele poderia nos ajudar.

Por certo, eu mentiria se dissesse que estava animada e curiosa ao entrar num Terreiro pela primeira vez.
Na realidade, eu estava era com medo, muito medo e receio do que poderia se passar ali dentro.

Aliás, só o nome ‘Terreiro’ carrega um estigma enorme, de todas as coisas negativas que ouvimos falar.
Assim, quem não está familiarizado com a religião, como eu, se engana muito sobre ela.

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Aquele dia era a festa de Iemanjá.

Assim, ao entrar, vi o espaço decorado, cheio de flores, e a imagem grande da Orixá mais conhecida por aqueles que desconhecem a Umbanda.

Ou seja, a descoberta da Umbanda pra mim se deu de cara por Iemanjá!

Senti-me familiarizada e de alguma forma aquilo me acalmou.
Os trabalhos começaram e eu fiquei extremamente envolvida com todo o ritual, o toque do tambor, as músicas, os movimentos.

Então logo começaram as primeiras incorporações nos médiuns, do lado de dentro da tronqueira.
Nesta hora o medo voltou, e tudo aquilo que dizem de mal sobre a Umbanda começou a passar pela minha cabeça:

‘Eles mexem com espíritos maus, atrasados! Espíritos que voltam para beber, fumar e tirar a energia boa das pessoas encarnadas!’

Mesmo que o medo ainda tomasse conta resolvi ficar.

Certamente não estava nada à espera de ser chamada para o lado de dentro, para falar com um médium incorporado.

Aliás, não sabia que as coisas funcionavam assim.

Então entrei, receosa, e não disse nada.

Era um médium que estava incorporado com um Marinheiro e que imediatamente me disse:

“Menina, você é filha de Iemanjá! Não é por acaso que veio parar aqui hoje. A Mãezinha te guiou.
Você tem mediunidade e vai trabalhar na Umbanda, filha. Tem é que se preparar!”

Oh Deus! Fiquei completamente desnorteada com aquela mensagem!
Por mais que eu tenha achado lindo dizerem que eu era filha de Iemanjá (eu sempre tinha ouvido falar Dela) senti-me bem por ter alguma ligação com Ela.
Mas aquilo de eu ter mediunidade e de ir trabalhar, o que aquilo queria dizer?

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Seja como for, a Gira ainda durou muito tempo depois daquilo, e eu fiquei prestando atenção em tudo, enquanto pensava na mensagem recebida.
Após o final, no caminho para casa, fui pensando sobre aquilo que havia vivenciado.

Minha cabeça estava às voltas. A descoberta da Umbanda tinha acontecido (e diferente de tudo que eu poderia imaginar).

No entanto, parecia estranho conceber que eu tinha ido num Terreiro de Umbanda, um lugar com tanto estigma e que eu nunca pensei antes em ir.
Não conseguia identificar, na minha cabeça, se eu havia gostado ou não, se tinha confirmado ou não tudo de mal que dizem desta religião.
Se achava verdade ou não o que o médium me falou.
Minha cabeça era um grande um nó.

Mas de repente, no meio do caminho, eu parei e prestei atenção numa outra coisa: apesar da confusão na minha cabeça, eu estava me sentindo bem, muito bem.

Aliás, estava leve e com uma energia tão boa como há muitos meses não sentia.

Assim, naquela hora eu percebi que, mesmo que a cabeça não entenda, o coração sente, e se sente bem é porque a coisa é boa.

Diante disto, eu aceitei o que senti, aceitei que a ida ao Terreiro havia mudado algo em mim e que aquilo foi positivo, ainda que a minha mente não compreendesse.
E tomei uma decisão: na semana a seguir eu voltaria!

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Por fim, esta foi a descoberta da Umbanda para mim. E muito mais viria!

Texto escrito por Juliana Moya diretamente de Lisboa, Portugal.

IMAGEMDavi Nunes
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