Mamona – Dia 17 – Erveirança 5.0

Mamona é a erva do dia. Falta pouco mais de um mês para o meu aniversário, 34 dias para ser mais preciso. E a erva de hoje é poderosíssima!

Dia 17 – Erva 17

Mamona – Ricinus communis L.

Sempre que tenho a oportunidade de perguntar em aulas ou palestras “de quem é a mamona?”, a maioria esmagadora das respostas é: “De Exu! Claro que é de Exu!”.

Porque assim foi aprendido e assim foi passado de uma pessoa para outra, simplesmente não se importando o quando e onde surgiu esse saber.

Debruçar sobre esse assunto, de certo ou errado, é com certeza investir horas e mais horas de pesquisas e conjecturas que levarão a lugar nenhum, pois a partir do momento que algo é feito, se repete e mostra efeito, passa a ser considerado correto e ponto.

Mas temos que ir muito além do visível nos rituais para entender o funcionamento dessa poderosa euforbiácea, tóxica por definição e extremamente útil nos interesses da indústria mundial.

Para mim, quando criança suas sementes não passavam de munição poderosa, interessante sim, mas para as brincadeiras de rua! Tenho certeza que muita gente se identificou agora!

Falando sério, vamos evocar os velhos itans, contos e cantos da cultura ioruba, que se servem da história relembrada inúmeras vezes como verdadeiro árbitro para resolver as questões do dia a dia, as disputas de opinião, e deve ser aceita e nunca discutida.

As lendas contadas pelos velhos babalaôs ou os griots, mananciais de conhecimento e sabedoria ambulantes, trazem que “Exu come na terra…”, mas que fique claro, isso não é literal.

Assim como esse sagrado Orixá não tem mil bocas. Mas absorve e anula, como função fatoral divina, na terra, elemento base e com suas mil bocas em todas as dimensões, conhecidas ou não, engole no seu vazio tudo o que não deve ter lugar na criação. Por definição de estudo, o Mistério Exu engole nos seus domínios do vazio tudo o que é preciso ser engolido.

Então como evocar Exu sem que ele “engula” algo?

Usando um elemento que dê base de plenitude.

Você pode estar lendo e relendo e pensando: “Uau! Quanta coisa esse erveiro tá fando aqui, e não estou entendendo”. Ou: “Onde ele quer chegar?”

Vale lembrar, antes que chovam as críticas, que aqui não faço nenhum tratado teológico ou explicativo de Orixás na Umbanda, nos Cultos de Nação, etc. Aqui falamos sobre ervas e os por quês de algumas conexões com os Orixás. Então continuemos:

Se oferenda Exu em agradecimento, ou pedido de algo que se precise, forrando a base da sua oferenda, seja num alguidar ou diretamente na terra, com folhas, inclusive de Mamona!

E Mamona, essa poderosa erva quente associada a Pai Oxalá em seu magnetismo positivo sustentador de quantas vibrações forem necessárias, se tornou um elemento manipulado por Exu, que precisa desse elemento para atuar com seu mistério na dimensão humana, de forma criadora, sustentadora e mantenedora. É um “prato” para se arriar oferendas de Exus e Pombagiras.

Lembro que minha mãe colocava farofa nas folhas de mamona e depositava na estrada, rua, linha de trem, enfim, para pedidos de prosperidade, saúde e abertura de caminhos. Claro que também colocava marafo (cachaça) e um bom fumadô (charuto).

Ufa! Daí vem a fama dessa erva! E é assim, a gente começa a falar de Exu, dá uma vírgula a Ele, e ele “come” uma página inteira!

Voltando à Mamona, que tem a origem do nome no termo kimbundo “mumono”, com influência da palavra “mamão”, muito provavelmente devido à semelhança das folhas.

Planta abundante em todo o Brasil, muito fácil de ser achada, em beiras de estrada inclusive, é uma poderosa erva quente, capaz de esgotar processos infecciosos provenientes do astral negativo e de energias enfermiças, que possivelmente estejam minando a saúde de suas vítimas.

Também pode ser usada em banhos e defumações e de outras formas como “cama de mamona”: durante uma hora no máximo, forrando uma esteira ou cama com suas folhas, cobrindo com um lençol branco, e deitando-se a pessoa a ser tratada sobre esse lençol.

Depois desse processo, devolvem-se as folhas para a terra, num jardim, beira de mata, ou o local mais adequado na natureza. Esse procedimento é interessante auxiliar para o tratamento de doenças degenerativas. Pode-se associá-la a outras práticas como o Reiki por exemplo.

Verde ou Roxa, sua potência limpadora é ímpar! Limpa em profundidade, cura e combate as forças negativas voltadas contra a pessoa, casa ou local religioso. Imantadora por definição, esgotadora por vocação, nos ajuda a vencer os desafios cármicos facilitando sua assimilação.

Além das vibrações de Pai Oxalá, Pais Omulu e Obaluayê fluem nas intensas ondas verdes arroxeadas dessa incrível planta que Deus Pai Criador e Mãe Natureza permitem em nossas vidas.

Gratidão às Divindades aqui citadas, principalmente a Exu (olha ele de novo aqui fazendo eu escrever mais… risos, ou melhor, gargalhadas). Laroyê!

Gratidão à Mamona e aos seres incríveis que respondem nas suas essências vibratórias! Gratidão por toda cura!

Foto
Ernesto de Souza/Ed. Globo