Espadas e Lanças – Dia 8 – Erveirança 5.0

Espadas e lanças não poderiam faltar nesta jornada de 50 ervas – 1 por dia, não poderíamos deixar de falar destes verdadeiros símbolos da Lei Divina.
Faltam 43 dias, vamos juntos?

Dia 8 – Erva 8

Espadas e Lanças de São Jorge e de Santa Bárbara – Sansevieria trifasciata var. laurentii (De Wild.) N.E.Br

Lança de São Jorge – Sansevieria cylindrica Bojer

Se “eu tenho sete espadas pra me defender, eu tenho Ogum em minha companhia…”. Quem anda na Lei, tem a Lei como sua companhia. Quem anda fora dela, bom, aí tem a companhia que merece.

Espadas são símbolos sagrados, muito além das armas de combate que tanto nos encantam nas histórias épicas. Empunhá-las, definitivamente, não é para qualquer um. Se não dominarmos os sentidos para onde essas cortantes e perfurantes simbólicas nos direcionam, com certeza seremos dominados pelos seus mistérios.

Biblicamente falando, espadas são também as palavras de Deus, traduzidas pelos seus intérpretes humanos, que cortam as incertezas levando ao conhecimento superior. São ícones de poder e distinção militar.

E essa mítica toda fez com que essas maravilhosos exemplares da natureza que nos remetem a esse simbolismo tivessem seu lugar garantido no meio ritualístico. Certamente, essa associação criou um campo energético mental poderoso em imagem e poder realizador, atribuindo assim um verdadeiro arsenal de batalha às Espadas vegetais.

São Jorge, o santo guerreiro que dá nome à uma das Espadas, na figura de Jorge da Capadócia, tão contado e cantado nos terreiros, no samba e na vida, é sincretizado com nosso sagrado Pai Ogum, Orixá também guerreiro e vencedor das demandas que nos aprisionam nas trevas da incerteza.

E sua parceria com Santa Bárbara, que nem foi tão guerreira, mas que com seu manto vermelho, vestes amarelas e espada repousada, alenta seus seguidores nas horas difíceis da vida. Por isso, sua relação também sincrética com a aguerrida Mãe Orixá Iansã justifica-lhe a reputação.

O formato espadado das folhas dessas plantas confere a elas sua fama: corta todos os males em nossa vida, nos protege e guarda do que não nos serve para a evolução.

No nosso critério de trabalho, classificamos as espadas, tanto de São Jorge quanto de Santa Bárbara, assim como as Lanças, como ervas QUENTES OU AGRESSIVAS. Que podem ser usadas em banhos e defumações (frescas ou secas), em poderosos vasos de proteção, ou em magias bem específicas.

Atribuímos todas as sansevierias, espadas longas, anãs ou lanças, à vibração de Pai Oxóssi, perfurante como sua flecha, e qualificadas nas forças cortantes de Pai Ogum e Mãe Iansã, assim como outras divindades aplicadoras da Lei Divina.

Ferramenta de trabalho constante para nossos amados Caboclos e outras entidades da Umbanda, que empunhando-as, cortam magias negativas e suas conexões com o baixo astral. Também constantemente recomendada para ser colocada embaixo da cama, cruzadas ou não, ou atrás das portas de entrada para proteção da casa.

Para o uso em banhos, devemos cortar um pedacinho bem pequeno e ferver, pois podem causar algum tipo de reação alérgica. E para defumações, devem ser cortadas no comprimento e bem secas de forma que percam quase toda a água que concentram em si, para então serem queimadas em carvão em brasa.

As Lanças, por sua vez, que são folhas cônicas que crescem muito lentamente, demoram um tanto para secar e tendem a apodrecer, então as reservamos aos vasos de proteção. Facilmente cultivadas num vaso com água, para quem não tem espaço, ou na terra onde formam canteiros compactos e firmes com crescimento garantido.

As folhas totalmente verdes, claras ou escuras e rajadas de branco-acinzentado, chamamos de Espada de São Jorge ou de Ogum, assim como as Lanças cônicas. Se tiver as bordas amarelas, chamamos de Espada de Santa Bárbara ou de Iansã. Há também a espécie anã, que não cresce muito e dificilmente floresce, mas segue as mesmas atribuições energéticas.

Lembro bem que além dessas formas de uso, minha mãe tinha nas Espadas uma poderosa aliada na “aplicação da lei” em crianças rebeldes, no caso eu… bagunceiro que só. Sempre tinha uma Espada me colocando na linha (risos)! Boas lembranças do coração de menino!

Falando em coração, e fechando o assunto Espadas, vale lembrar que: “Se eu não tiver um coração, nem todas as espadas da história poderão me defender das minhas escolhas e suas consequências!”

Que a Lei Divina nos guie e ampare hoje e sempre!