Dandá da Costa – Dia 22 – Erveirança 5.0

Dandá da Costa, ou simplesmente Dandá. Chegamos na 22ª erva desta série!

Dia 22 – Erva 22

Dandá da Costa – Tiririca – Cyperus rotundus L.

O Dandá da Costa, ou simplesmente Dandá, é o nome africano dado aos tubérculos ou “batatinha” dessa planta conhecida como “Tiririca”, esse matinho infestador de jardins e plantações que tira o sono de muita gente, pois se desenvolve com velocidade e força, e é de difícil controle, considerado tecnicamente uma praga. Portanto, não chamamos a planta toda de Dandá, mas sim sua parte que fica subterrânea.

Há dezenas de espécies do gênero Cyperus, e de acordo com seus locais de infestação, todos chamados também de Tiririca. Podemos encontrá-los todos com diversos nomes populares como Junco, Junçá, Junquinho, Três-quinas, Tiririca amarela ou vermelha. Sua alta capacidade de infestação a coloca como a planta daninha mais nociva de todo o mundo, pois se propaga em todo tipo de solo e clima, exceto nos campos inundados para lavoura de arroz. Ainda para a lavoura, é uma perigosa inibidora da brotação para algumas culturas.

Eu cresci ouvindo sobre mitos em relação ao Dandá. Principalmente que não se podia com ele, pois é erva de muita força e conexão com Exu. Então, se encostasse na cabeça traria desequilíbrio e loucura. Além de não poder ser manuseada por qualquer pessoa.

Enfim, o tempo passou, eu cresci e conheci outros meios religiosos e percebi que as atribuições feitas ao Dandá não eram muito diferentes, mas caiam em verdadeiros paradoxos: ao mesmo tempo que poderia ser essa erva perigosa ao manuseio, a ela também se associava a atração pessoal e material (financeira mesmo), a sacralização de objetos de poder; portada nos velórios como afastadora de “eguns”, os espíritos dos mortos e de outras más influências.

Pesquisando, percebi que houve uma mistura de mitos do Dandá e de outra erva prima-irmã dessa: a Priprioca ou Piripirioca (C. articulatus)!

Essa última nativa das regiões amazônicas, de rara infestação, portanto cultivada com controle, e largo uso na fitocosmética e medicina popular regional. Há inclusive grandes empresas do ramo que usam a “Priprioca” e seus incríveis óleos aromáticos em sabonetes e águas de cheiro.

Há muitas lendas nativas sobre essa planta e seu surgimento. Nos mercados populares do Norte e Nordeste, essa sim é sugerida e vendida como atrator de dinheiro, amor, caminhos abertos, etc,etc.

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Dandá da Costa seco

Já o nosso poderosíssimo Dandá, de cheiro de terra mesmo, concentra uma energia limpadora incrível. Exímia anuladora de vibrações inferiores e de elementos materiais usados em magias negativas.

Anula e esteriliza em profundidade energias condensadas pelo uso de elementos animais e suas partes (sangue, ossos, etc.), assim como paralisa as ações de rezas malignas e encantamentos.

Usada em assentamentos, firmezas e proteções, oferendada às vibrações da Esquerda da nossa Amada Umbanda, os Senhores e Senhoras Exus e Pombagiras, com todas essas funções protetoras e desagregadoras.

Além dessas vibrações, conecta-se energeticamente com Pais Ogum e Omulu, e Mães Obá e Iansã, podendo, em todas essas nuances, ser ativada em sua capacidade esgotadora em profundidade de magias inteiras, seus elementos, ordens mágicas e seus ativadores.

Além dos amuletos e firmezas, podemos usar o Dandá em banhos e defumações. É legal cortá-lo com uma tesoura de jardim ou triturá-lo para um melhor aproveitamento.

Por se tratar da parte dura da planta, pode ser fervida (banhos), e também usada em pó nos preparos ou assoprada nos cantos da casa para limpeza e proteção.

O caminho do despertar da consciência nos permite extrair dos mitos o conhecimento, esse sim, que preenche as lacunas do desconhecido.

Conhecer as ervas é importante, ter sabedoria para usá-las é vital!

Gratidão que não cabe em palavras!