Cipó-Caboclo – Dia 11 – Erveirança 5.0

Cipó-Caboclo é a 11ª erva desta série inédita. E agora estão faltando 40 dias para o meu aniversário de 50 anos. Seguimos então com a Erveirança 5.0 com firmeza de propósito, concentração e foco!

Dia 11 – Erva 11

Cipó-Caboclo – Davila rugosa Poir.

Já dissemos aqui que podemos usar cascas, raízes, folhas, enfim, todas as partes das plantas e denominá-las “ervas”, pois afinal não fazemos um tratado botânico, então para nós, cipó é planta, cipó é erva!

Tanto para ervas frescas, encontradas nos jardins e hortas, e principalmente secas, compradas no comércio de especiarias desidratadas, é necessário ter bastante cuidado com a procedência e com os achismos.

Quando não conhecemos uma planta, especialmente as secas, é importante que tenham uma identificação do nome científico, esse em latim que colocamos no topo de todas as matérias, e no corpo de alguns textos como o do Boldo (dia 9). Melhor conferir e se certificar que está comprando a erva correta do que confiar no conhecimento de alguns “vendedores” que temos por aí. Cuidado nunca é demais.

E nosso querido Cipó-Caboclo é uma dessas incríveis ervas que é muito mais fácil ser achada nas lojas especializadas, do que nos quintais do Brasil. A nossa querida – Davila rugosa Poir. Chamada também de Cipó de Caboclo, Folha de Lixa ou Sambaíba.

Erva cuja denominação já remete ao uso ritualístico. Os Caboclos estão presentes nas várias manifestações culturais religiosas brasileiras e são a base da Umbanda, basta lembrarmos a manifestação do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas no seu médium Zélio de Moraes, na fundação ou anúncio dessa religião.

Falando desse termo etimológico, “Caboclo”, que pode ser pejorativo por remeter a uma casta inferior ao branco, sobretudo na tradição histórica do Brasil. Assim como a união de índio e branco. Em Tupi existem duas traduções especulativas: caa-boc = aquele que vem da mata; e kari’boka, que significa “filho do homem branco”.

Cipó-Caboclo - Dia 11 - Erveirança 5.0 4
Cipó-Caboclo seco

Eu gosto mais da primeira: Caboclo é quem vem da mata! Caboclo é o homem (ser humano) da terra! O Índio, o mestiço, o simples… adoro a forma com que “Tião Carreiro” e todos os seus parceiros de viola caipira falaram de caboclo, assim como o brasileiríssimo Rolando Boldrin ilustra em poesia esse universo caipira… Não importa, sou fã de Caboclo e ponto final! (risos)

Voltando às ervas… Essa incrível trepadeira nativa, encontrada nas matas e cerrados, é bastante utilizada nas preparações e iniciações ao Sagrado Orixá Oxóssi, por sua característica expansora e sua forma de crescimento rápido e seguro, agarrado às árvores mesmo. Sua aparência forte, de encorpado marrom escuro e áspero ao toque, dão-lhe a visão de força e certeza e podem ser bem utilizadas para a espiritualidade.

O Cipó-Caboclo é uma potente ERVA MORNA ou EQUILIBRADORA que proporciona pé no chão, firmeza de propósito, concentração e foco, quando utilizada em banhos e defumações. Pode ser usado um pedacinho de Cipó Caboclo junto ao corpo, num colar ou guia, para que crie um campo vibratório que proporcione direção e raciocínio, além de segurança e proteção.

É praticamente impossível para quem os tem no seu panteão de Divindades, dissociar o Cipó-Caboclo de Pai Oxóssi e Mãe Obá, principalmente se levarmos em conta sua cor energética que vai do verde-escuro ao marrom-avermelhado. Ainda encontramos num grau frequencial mais discreto, as vibrações de Mãe Iansã.

Ah, tenho um causo para contar: o termo ERVEIRANÇA surgiu numa conversa com um caboclo, desses encarnados e cheios de sabedoria… meu querido amigo Elves do Juruá, que deu ao seu trabalho com as medicinas da floresta o nome de “Caboclança”. Aí um dia eu falei – Pajé = Pajelança; Caboclo = Caboclança; Erveiro = ERVEIRANÇA! É isso!

Salve todos os Caboclos, na matéria e no espírito! Salve os Caboclos da Umbanda! Okê Caboclo!

Gratidão de sempre!