Capim Rosário – Dia 14 – Erveirança 5.0

Capim Rosário é erva do dia. E nossa Erveirança não pode parar. E hoje, além da erva do dia, temos bônus! Vamos lá!

Dia 14 – Erva 14

Capim Rosário, Lágrima de Nossa Senhora, Lágrima de Cristo, Conta de Lágrimas, Capiá, entre outros nomes populares – Coix lacryma-jobi L.

“Preto Velho senta no toco, faz o sinal da cruz, pede proteção a Zambi para os filhos de Jesus… Cada conta do seu rosário, é um filho que ali está… se não fosse Preto Velho, eu não sabia caminhar…”

Não tem como falar de Capim Rosário e não lembrar de Preto Velho, não é? Com suas guias de contas, rosários feitos à mão pelos seus médiuns caprichosos, a simplicidade explícita na figura do velho escravo que se libertou não só das correntes do sinhô, mas das amarras do ego, da ilusão da matéria e da necessidade de ter.

Ele simplesmente é! Assim como essa poderosa erva espontânea – chamada pelos jardinistas de daninha pois infesta nossos jardins e terrenos baldios Brasil afora –, simplesmente vem chegando, se estabelece e não precisa de muito alarde, nem show de cores, mas mostra sua força na naturalidade da sua propagação.

Podemos dizer que é a “erva do bem”, do exemplo para o bem, e assim ele é se olharmos sua simplicidade e o exemplo que nos mostra: aparece discreto aqui, num ato isolado. Daqui a pouco se propaga, ainda discreto, surge aqui e ali, e tem força e domínio, sem precisar mostrar à mão esquerda o que a direita está fazendo. Óia só eu filosofando bonito aqui! (risos)

Essa poderosa e tradicionalíssima erva com várias funções dentro do uso ritualístico já foi mais encontrada nos nossos quintais. Hoje temos até mudas comerciais, atendendo assim a necessidade daqueles que não tem contato direto com a terra. E também já desperta interesse econômico pela qualidade dos seus frutos (contas) na alimentação, na forma de farinha.

Há muita história dessa pequena asiática naturalizada em terras tupiniquins, desde sua origem até o uso indígena em adornos sagrados e artesanato em geral, passando pelos tradicionais e misteriosos brajás ou fios de contas de Rosário usados pelos mestres catimbozeiros, até sua perfeita adaptação na Umbanda. Então, sobre tudo isso estamos falando das sementes, frutos na verdade, que vão do branco até o preto, passando pelo cinza e castanho.

Mas pouco se fala das folhas do Capim Rosário, que para nós em banhos e defumações fazem dessa planta uma incrível aliada nas curas e regenerações de doentes. Sua energia luminosa e colorida que vai do branco cristalino até o lilás profundo, passando por várias nuances de verde e amarelo, a habilitam às mais variadas ações benéficas.

Suas folhas podem ser colocadas embaixo da cama de crianças com sono agitado e pesadelos constantes, deixada por quarenta dias e depois retiradas e devolvidas na natureza. O banho com as folhas é excelente para convalescência; também pode ser associado a outras ervas em preparos para desenvolvimento mediúnico, calma e tranquilidade. Eu particularmente gosto muito de colocá-la em banhos para crianças, pois traz uma energia ímpar de Mãe Nanã, ou melhor, com todo respeito, do colo de Vovó Nanã.

Dentro dos nossos critério de classificação, é uma erva MORNA OU EQUILIBRADORA, associada, como já dito, à Mãe Nanã, Pai Oxalá e em faixas frequenciais mais sutis a Pai Oxóssi e Mãe Iansã. E suas contas podem compor elementos de trabalho de Pretos Velhos, Caboclos, Mestres Juremeiros, etc. etc. etc, sempre com criatividade e muito respeito.

Esse é o nosso Capim Rosário, ou o nome que você quiser dar a ele! Gratidão define nosso momento!

Muito obrigado pela companhia, vamos em frente que tem mais!