O dia em que o Preto Velho foi expulso de um Centro

Preto Velho foi expulso

Preto Velho foi expulso de um Centro Espírito. E não é lenda urbana, é uma história verídica.

A saber, ela de fato aconteceu em um Centro Espírita de uma pequena cidade do estado de Minas Gerais há algum tempo atrás.

Assim, conta-se que os médiuns estavam realizando seus trabalhos de esclarecimento e doutrinação num certo Centro Espírita em Minas Gerais.
Subitamente um Preto velho incorporou numa médium e começou a falar.
Contudo, no momento em que os trabalhadores perceberam que o espírito incorporado era um Preto Velho mandaram suspender a incorporação.
Pois naquele centro não eram aceitos Pretos velhos.
Decerto os dirigentes consideravam estes como espíritos não muito evoluídos.
Por isso pode-se dizer que o Preto Velho foi expulso, pois não poderia ser admitido a orientar uma atividade de doutrinação.
Inegavelmente o espírito foi então convidado a se retirar do Centro.
Então o Preto Velho fez o que eles pediram e foi embora.

Logo depois a mesma médium incorporou um espírito de um filósofo, um doutor de nome difícil.
Provavelmente europeu, foi muito bem recebido por todos os presentes.

Em seguida, o filósofo deu instruções aos membros do Centro, fez os trabalhos de doutrinação e todos ficaram felizes e maravilhados com a intervenção desse que consideraram um espírito muito elevado.

Então os dirigentes resolveram que já era hora de encerrar os trabalhos.
No entanto, a médium novamente começou a incorporar um espírito.
Surpreendentemente todos olharam com interesse aquela manifestação mediúnica espontânea.

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Todavia um dos trabalhadores disse que as atividades do dia já estavam terminando e perguntou quem estava ali.
O espírito respondeu que era de novo o Preto Velho.
O dirigente fez cara de tédio e perguntou o que ele ainda queria ali nos trabalhos do centro.
Então o Preto velho disse:

– Zifio… Ce suncê mi permiti, só quiria que ocês sobessem qui o dotô que apareceu agora há poquinho era este Preto Velho aqui, que agora proseia com vosmicês…

Por consequência, todos ficaram espantados com a revelação.

O Preto Velho foi expulso, é fato, mas retornou e, após se revelar, começou a não mais falar como um Preto Velho:

– É engraçado isso, meus irmãos.
Pois quando eu apareci como Preto Velho fui praticamente expulso dos trabalhos de vocês.
Mas depois quando eu apareci no formato de um doutor, um filósofo europeu prestigiado, que tem conhecimento acadêmico, com toda a pompa e com ar de autoridade, todos me trataram muito bem.
Assim, ouviram meus conselhos e ficaram felizes e maravilhados com a aparição.
Por que isso, meus filhos?
Devo alerta-los para esse comportamento de vocês.
Prestem muita atenção nisso, meus irmãos!

Pois no plano espiritual, assim como em toda a realidade universal, não existem aparências.
As aparências existem apenas aqui na Terra.

Deus, em sua sabedoria infinita, oculta aos vossos olhos as verdades do espírito camufladas pelas aparências do mundo…
A saber, para que vocês aprendam a vê-las com os olhos do coração, com a visão da alma e possam enxergar a verdade como ela é.

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Portanto, no plano espiritual, meus irmãos, não existem doutores.
Igualmente, não existem classes sociais, não existem nacionalidades, não existem religiões, não existem raças.
Da mesma forma, não existem essas divisões humanas que vocês criaram em toda parte para poderem se sentir melhores uns que os outros.

Posto que, no plano espiritual, o que vale é o que você é lá no fundo, e não o que você tem.

Não, meus irmãos: todas essas divisões são ilusórias.
Visto que, no plano espiritual, o que vale é o amor, a verdade, a paz, a harmonia interior.
No plano espiritual ninguém é julgado por ser rico ou pobre, branco ou negro, doutor ou uma pessoa simples.

Aliás, lembram-se do que disse o nazareno sobre isso meus irmãos?

O mestre disse: “Deus revela aos simples de coração aquilo que esconde dos doutos”.

Assim, quando cada um de vocês chegar ao plano espiritual, meus filhos, os anjos de Deus não vão perguntar quantos títulos de doutor vocês conquistaram.
Ou quantos bens vocês acumularam, quanto sucesso vocês fizeram, quantos altos cargos vocês subiram na empresa ou quanto de boa fama vocês projetaram.

Não meus queridos filhos…

Os anjos vão perguntar quanta luz você espalhou pela Terra.
Igualmente, indagarão quanto você tocou o coração dos outros com justiça e benevolência e o quanto a sua obra foi pautada no amor e na paz.

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Ou seja: se sua passagem na Terra foi apenas um capricho do ego, voltada apenas para seu mundinho egoísta e para os prazeres da matéria.

Portanto, vamos tomar cuidado, meus queridos filhos, com o veneno da hipocrisia e do preconceito.

Assim, não permitam que as aparências do mundo roubem a sua essência.

Pois o importante, meus filhos, é o que cada um traz em sua alma, em seu espírito.
O que importa de verdade é ser simples e verdadeiro.
Por analogia, importa ser honesto e ter caráter, ser caridoso e ter o amor de Deus no coração.

Assim, não se deixem levar pelas aparências.
Pois todas elas estão erradas e vemos isso muito claramente quando chegamos ao plano espiritual.

Lá, meus filhos, não existem discriminações: todos trabalham por Deus e Deus é a essência regente tudo.
Assim, é isso que vocês devem buscar a partir de agora, meus queridos filhos.

Então o Preto velho despediu-se de todos e deixou a sala de atendimento do Centro Espírita.

Os trabalhadores ficaram envergonhados com seu próprio comportamento, visto que o Preto Velho foi expulso, pode-se assim dizer, por puro preconceito.
Mas aqueles trabalhadores adquiriram uma pérola de sabedoria que nunca mais, em toda a sua vida, seria esquecida.

O Preto Velho foi expulso mas, em sua sabedoria, voltou de outra forma e, assim, pôde ensinar o que é o amor e o conhecimento.

Texto de Hugo Lapa/Reprodução da página Ogum São Jorge

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