Dinheiro na Umbanda: um olhar sobre a questão

Dinheiro na Umbanda já chegou a ser um tema praticamente tabu.
Hoje, muita coisa mudou, mas a questão ainda merece discussão.

Assim, reproduzimos abaixo um artigo recente de João Paulo Francisco, autor e sacerdote umbandista.

Confira!


Avisos importantes:

  1. Esse texto é uma opinião pessoal: falo como um umbandista e não pela Umbanda.
    Assim, caso esteja sensível, peço que não leia.
    Pois possuí palavras amargas e o objetivo é conscientizar, não deixar você mal;
  2. Tenho compromisso com Deus, com os Orixás, meus amigos espirituais e minha consciência.
    Dessa forma, faço o texto preocupado com isso, apenas.
    Igualmente, tenho a sensibilidade necessária para saber que vai machucar algumas pessoas contrárias a ideia.
    Porém, no atual cenário e como sacerdote, vejo a necessidade de trazer o texto para quem acompanha meu trabalho;
  3. A Umbanda é plural, é verdade.
    Porém, acredito que, de uma maneira geral, todos concordam que seu alicerce são: amor, fé, humildade e CARIDADE (atente-se a essa palavra).
    Sendo assim, aqui vai o texto.

Dinheiro na Umbanda

Sem hipocrisia, sabemos que para TUDO necessitamos de dinheiro. Comer, estudar, viajar e até morrer.
Portanto, não sejamos utópicos e românticos: dinheiro é necessário e ponto.

Porém, dinheiro é para coisas MATERIAIS, tais como: aluguel do espaço do Terreiro, velas, ervas, imagens, etc. Certo?

Então, como é possível entrar no quesito ESPIRITUAL?
Pois, quando se paga por um desenvolvimento mediúnico, é isso que está em jogo, por exemplo.

Atendimentos particulares? Como é isso?
São beneficiadas as pessoas com melhor poder aquisitivo? É isso?
Afinal, não adianta argumentar com “o valor é para o Terreiro”, “é energia de troca” e blá blá blá.

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Pois sabemos, principalmente quem é sacerdote, das dificuldades de manter um Terreiro.
Mas não podemos (nem devemos) dar espaço para ludibriar a espiritualidade.

E o que estamos vendo atualmente é de ferver o sangue.
Então, vamos aos pilares da Umbanda, que acredito que todos devem concordar:

AMOR

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, eu nada seria…”
“Amar ao próximo como a ti mesmo.”

Porque, tirando a subjetividade, uma das bases essenciais da Umbanda é o amor.
Cada um com sua interpretação, mas certos do objetivo maior e divino que é empregado a palavra.
Enfim: um Terreiro tem que ser baseado no AMOR.

Podemos ter mil diplomas, cursos, experiências e afins.
Mas sem FÉ nada faz sentido, nada tem força, nada tem de Umbanda.

HUMILDADE

Palavra essencial na Umbanda.
Em suma, é reconhecer quem sabe mais e aprender com o mesmo.
Da mesma forma, é reconhecer quem sabe menos e ensinar.
É saber as limitações, os progressos, onde está e onde é preciso chegar.
Sempre com HUMILDADE.

CARIDADE

A Umbanda nasceu para ajudar quem quer que seja.
Preto, branco, azul, amarelo, rico, pobre, brasileiro, estrangeiro.
Caridade em ajudar quando estamos bem, caridade em reconhecer quando estamos mal e ter um irmão que possa nos auxiliar.
Assim, é fazer com nossas limitações, mas com o coração recheado de amor, fé e humildade.
Igualmente, é fazer por sentir, não para parecer mais iluminado.
Enfim, é não fazer distinção de ninguém, olhar com os olhos da alma e não com a avareza da terra.

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A palavra chave para não errarmos quando o assunto é dinheiro na Umbanda: BOM SENSO

Dessa maneira, confira alguns exemplos:

Mensalidade para os médiuns

Ao passo que a corrente mediúnica deve contribuir com um valor mensal, para a manutenção do Terreiro (velas, materiais de limpeza, ervas e etc).
Porém, há de ter um VALOR JUSTO!

Como resultado, valor justo = bom senso.

De tal forma que quando o médium estiver passando por um problema financeiro, tudo bem não contribuir naquele momento.
Assim que as coisas melhorarem, ele volta a ajudar.
Por outro lado, os irmãos que tiverem uma condição melhor podem contribuir um pouco a mais e assim vamos seguindo.

Cursos no Terreiro

É essencial os estudos no Terreiro.
Sobretudo para conscientizar os médiuns e evitarmos as insanidades que vemos aos montes por aí.
Mas, novamente, o critério principal é o bom senso quando envolve dinheiro na Umbanda.

Pois desenvolver cursos para arrecadar fundos para o Terreiro é muito válido. E em todos os quesitos.
Mas colocar um valor justo e acessível, isso sim é bom senso.

Por outro lado, divulgar cursos dizendo que vai aprender com os melhores, vai sair expert, que você precisa muito daquilo pra ser um super médium e coisas parecidas, é falta de caráter.

Cursos de desenvolvimento mediúnico

O Terreiro ter um dia específico para desenvolver seus médiuns é super necessário.
Afinal, os médiuns precisam estar preparados.

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Desse modo, você ir a um Terreiro como assistência, participar ativamente, falando com as entidades e ser constatado que tem a mediunidade ou até mesmo, ser convidado para ser cambone ou fazer parte da curimba é super válido.
Então, nesta lógica, junto aos outros médiuns, se você contribuir com um valor JUSTO e fizer parte da corrente como um todo, isso é bom senso.

Por outro lado, divulgar cursos de desenvolvimento, abertos para inscrição para qualquer um, sem critério (a não ser a questão financeira), o que acham?
Em outras palavras, deixo aqui para você pensar.

Afinal, podia escrever linhas e mais linhas aqui.
Mas acho que já deu pra entender.

Um Terreiro de Umbanda sério tem como principal atividade o ATENDIMENTO AO PÚBLICO, de forma CARITATIVA (gratuita).

Se fugir disso é apenas uma máquina de cursos e dinheiro.
Reflita se é realmente isso que você quer para você.
Porque para Deus, os Orixás e Entidades espirituais, independente quem você seja ou sua situação, sempre estarão lá por você.

E acredite com o fundo da sua alma: eles vão até você de todas as formas possíveis.
Acima de tudo, não colocam preço para isso.
Com toda certeza, apenas pedem que tenha o coração limpo e cheio de amor, com vontade e coragem para mudar.

Dinheiro na Umbanda é necessário.
Mas há que se te bom senso!

Pensem nisso!

TEXTOJoão Paulo Francisco