Pele branca, alma negra: a identificação espiritual

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Pele branca, alma negra!

Quando foi realizada a Conferência de Berlim (1884 -1885) com o objetivo de dividir o continente africano e extrair as riquezas repartindo-as entre si, era impossível imaginar que alguns colonizadores ficariam encantados com o povo, música, dança e arte da África.

O tráfico transatlântico trouxe para o Brasil princesas e sacerdotisas como Iyá Akala, Iyá Adeta e Iyá Nasso, que fundaram os primeiros Candomblés, que se multiplicaram e se espalharam por todo o país, despertando a consciência de nossa ancestralidade.

Com o tempo, surgiram diversos sacerdotes de pele branca, e uma crescente identificação espiritual com os deuses africanos e sua cultura, que se mostrou riquíssima em ensinamentos.

Percebeu-se que a religiosidade estava presente em todos os aspectos da cultura e do dia a dia do povo.

O espirito do negro africano, seu vínculo com a ancestralidade, realidade e cultura foram importantes para a formação de uma identidade brasileira.

Os “brancos de alma negra”, se sensibilizaram com a escravidão, mesmo sem sentir diretamente na pele cada chicotada que o escravo recebia.

Entre os primeiros “Brancos de alma Negra” estavam: José Bonifácio, Eusébio de Queiróz, Visconde do Rio Branco, Antônio Bento, Joaquim Nabuco, Silva Jardim, Rui Barbosa e David Canabarro.

Como destacou o leitor Alepo Duarte, em post no facebook, Luiz Gama (filho de português e de uma negra livre) e José Bonifácio (filho do padre João Carlos Monteiro e de Justina, escrava africana), não eram brancos.

Castro Alves em seu poema A canção do Africano (1863) recita:

O escravo calou a fala
Porque na úmida sala
o fogo estava a apagar
E a escrava acabou sua canção
pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar

Nos dias de hoje, quando a cultura e religiosidade do continente africano estão difundidas por todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, as conquistas dos africanos e afrodescendentes ainda contam com os “brancos de alma negra”.

Os brancos filhos de escravas que tinham como pai senhores de engenho, possivelmente foram alguns dos colaboradores.

O fato é que em todas as partes do planeta existem cultos aos deuses africanos em suas diversas formas, principalmente no Brasil, visto por muitos como a segunda África.

Foto: Lívia Mariáh Fotografia e Tupã Óca Caboclo 7 Pedreiras

Nota dos Editores do Umbanda, eu curto!

Seria o surgimento da Umbanda no Brasil possível se não fôssemos esta “segunda África” citada no texto acima?