Axé pela Democracia, Justiça pela Paz será neste domingo (20/08)

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Axé pela Democracia!

Neste domingo, 20/08, a partir das 9 horas, as comunidades tradicionais de matriz africana, movimentos sociais, culturais e a sociedade civil vão unir forças.

O motivo é o ato público “Axé pela Democracia, Justiça pela Paz” contra a intolerância religiosa, o preconceito e a discriminação que vêm sendo cada vez mais praticadas em todo o país.

O evento é um convite para que toda a sociedade participe e defenda a liberdade de cultos no Brasil.

A ideia é reafirmar o Brasil como um país laico que precisa manter o respeito à diversidade de religiões presentes em todo o território nacional.

Casos graves de intolerância religiosa tem sido registrados nos últimos meses, muitos em estados que são berço das tradições africanas no Brasil.

Dados consolidados pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR) em 2016 mostraram que mais de 70% dos casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados entre 2011 e 2015 foram contra praticantes de religiões de matriz africana.

O mesmo estudo apontou Minas Gerais como sendo o terceiro estado com maior número de denúncias.

“Estamos vendo crescer dia após dia ações de violação aos direitos garantidos pela Constituição Federal, pela Declaração de Direitos Universais da ONU e pelo próprio Código Penal. Como sociedade, não podemos nos calar frente aos acontecimentos e estamos utilizando a cidade de Santa Luzia como local simbólico de nossa não aceitação aos atos de intolerância em todo o país. Estamos defendendo o direito de todos, não somente os nossos, de praticar qualquer fé sem medo”, afirma Makota Celinha, coordenadora nacional do Cenarab.

Alguns casos recentes

No dia 27 de julho, a Casa de Oxumaré localizada em Salvador, na Bahia, teve o trabalho do artista plástico Lee Mendes – que fez um grafite em homenagem ao patrono do Axé da Casa – apagado e substituído pela frase bíblica “o senhor é meu pastor e nada me faltará”.

No dia seguinte, o Terreiro de Candomblé Ilê Axé Obá Iña situado na zona norte do Rio de Janeiro foi atacado com pedras, ovos e legumes podres.

Em 9 de agosto, o Terreiro de Candomblé Manzo Kaiango Ngunzo, de Mãe Muiandê – em funcionamento há mais de 30 anos, sendo os três últimos em Santa Luzia, Minas Gerais – foi agredido por um policial militar que ameaçou sacar sua arma aos gritos de protesto por não aceitar “macumbaria” em sua rua.

Há mais de cinco meses, na mesma cidade, o Centro Espírita Ilê Axé e Sangô, sofre restrições na prática de seus cultos por imposição da própria Justiça da região.

No dia 12 de agosto um Terreiro de Candomblé foi invadido e depredado na cidade de Lauro de Freitas, interior da Bahia.

As paredes e os quartos dos Orixás foram pichados com a mensagem “sangue de Jesus tem poder” e pregado um panfleto de divulgação do Congresso das Testemunhas de Jeová.

Segundo a coordenadora do Cenarab, o ato público “Axé pela Democracia, Justiça pela Paz” tem a proposta de fazer a sociedade refletir sobre a liberdade aos cultos, mostrando ao povo o que as tradições de matriz africana têm de melhor: beleza, cores, alegria, música e, principalmente, paz.

“Queremos para todas as religiões o que tem sido nos negado: respeito”, finaliza.

O ato será realizado na Av. Brasília, no marco de entrada da cidade de Santa Luzia (MG).

EVENTO
Axé pela Democracia, Justiça pela Paz
Ato público em defesa das tradições de matriz africana

DATA
Dia 20 de agosto de 2017

HORÁRIO
A partir das 9 horas

LOCAL
Avenida Brasília – no marco de entrada da cidade de Santa Luzia (MG)

INFORMAÇÕES
Cenarab – (31) 3019-6017

 

Foto: Carta Capital (Reprodução)