Depressão se esconde na imagem de ‘país’ alegre do Brasil

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Depressão é o mal da modernidade, isso é quase unanimidade.

O que muitos não percebem é que a imagem do Brasil como um lugar alegre que emana felicidade contrasta com o relatório feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que indica que o país tem a maior taxa de depressão da América Latina.

De acordo com o organismo, 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão, superando a média mundial, que é de 4,4%.

Para a psicóloga Celia Resende, o aumento da depressão no Brasil se deve à “falta de valores” da sociedade.

“Existe uma insegurança econômica muito grande, os jovens estão sem esperança e a droga está muito espalhada”, disse.

Segundo a OMS, a taxa de depressão no mundo subiu 18% em apenas uma década.

Na América Latina, o Brasil lidera os casos. No continente, só os Estados Unidos superam o índice brasileiro.

Para o psicólogo e psiquiatra Alexandre Keusen, uma das causas que explicam o aumento é o ritmo de vida atual.

“Hoje as pessoas querem respostas imediatas. O organismo fica sobrecarregado e existem mais pessoas ansiosas”, analisou.

A nível mundial, a incidência da doença é maior nas mulheres (5,1%) do que nos homens (3,5%).

Porém, os dois psicólogos são céticos sobre os números.

Segundo Celia, os dados sobre as mulheres podem ser atribuídos “a uma questão hormonal” e em sua opinião a taxa de depressão feminina seria menor do que a taxa masculina.

“Os homens estão perdendo valores, poder e liderança. Estão desorientados e não estão colocando outros valores. Ainda existem pensamentos machistas, como há 50 anos, e isto já não funciona mais. Existe um vazio na busca de poder através do sexo”, sentenciou.

Para Keusen, as mulheres “assumem mais a depressão do que os homens”, mas ele não descarta que a realidade seja diferente.

“Às vezes a depressão aparece com o alcoolismo. Muitos alcoólatras são deprimidos e os homens acabam expressando a depressão de uma forma que não está reconhecida como tal”, explicou.

Keusen criticou os preconceitos que cercam a doença e lamentou que ela seja “ridicularizada socialmente” e que “poucas pessoas admitam ter”.

“Existem muitos preconceitos com depressão. Ela é vista como uma fraqueza, e muitas pessoas não entendem a perda da vontade e da alegria de viver”, disse.

Segundo a OMS, a depressão é a doença que mais provoca suicídios no mundo.

São 800 mil casos por ano e, além disso, 264 milhões de pessoas sofrem de transtornos de ansiedade, em média 3,6% da população, 15% a mais do que em 2005.

“A depressão é uma forma de ansiedade depressiva, andam lado a lado. Existe um grande vazio nas pessoas, uma falta que nunca será preenchida fora”, afirmou Celia.

Fonte: Época Negócios/Pau Ramirez

Nota dos Editores: O assunto é sério e deve ser tratado como tal. Nos Terreiros de Umbanda, é comum os médiuns atenderem muitas irmãs e irmãos com sintomas de pré ou depressão. Não há estatísticas sobre isso, mas é certo afirmar que a religião ajuda muito no restabelecimento das pessoas, reativando sua vontade e disposição de enfrentar e superar obstáculos. Pena que o tema não foi abordado pela revista.

 

FONTEÉpoca Negócios
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