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Grupo Corpo restreia em São Paulo os espetáculos “Gira” e “21”

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O Grupo Corpo criou uma celebração sobre a vida, suas possibilidades e complexidades, todas reunidas em uma figura: Exu.

Assim, Gira, trabalho criado pelo Grupo Corpo, que reestreou em São Paulo no dia 2 de agosto, ao Teatro Alfa, homenageia o Orixá das passagens, responsável pela comunicação entre o plano espiritual e terreno.

No entanto, o tema não foi escolhido pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras ou pelo diretor artístico da companhia mineira, Paulo Pederneiras, que nenhuma intimidade tinham com
religiões de matriz africana.

Assim, a ideia foi proposta pela banda Metá Metá, convidada por Paulo para criar a trilha.

“Logo que recebemos o convite, pensamos no Orixá Exu.
Pois é uma divindade ligada ao movimento, ao corpo.
Sempre que possível, gostamos de exaltar as características de Exu, que foram sendo demonizadas no Brasil”, diz Juçara Marçal, integrante do Metá Metá ao lado de Kiko Dinucci e Thiago França.

Dessa forma, o trio segue o Candomblé e, em seus álbuns, une elementos da cultura afro-brasileira, da música africana, do jazz e do rock.

Então o coreógrafo começou a estudar, ler livros, mas não achou a teoria suficiente.

Posteriormente ele e a companhia passaram a visitar Terreiros de Candomblé e Umbanda.

“Estou fascinado com a generosidade das pessoas, com a forma de acolherem qualquer um, seja da religião ou não”, revela Rodrigo.

Assim, foi da Umbanda que Rodrigo mais se aproximou e, hoje, continua a frequentá-la.

Enfim, foi nos Terreiros, o coreógrafo encontrou o que chama de “mundo infindável”.

Igualmente, observou movimentos de pessoas e entidades.

Absorveu as referências para, em menos de três meses, transformá-las em uma coreografia intensa e diversa.

E isso sem cair no lugar-comum.

“Não tem nada a ver com o que já fizemos.
Não achei que eu deveria fazer referência muito mais forte ao Terreiro, como funciona, como é. Gira, na verdade, é uma festapara Exu, uma homenagem.
Porque Exu é o Orixá mais próximo dos homens e da Terra.
Exu é vida, movimento, é a própria dança”, explica Rodrigo.

Portanto, respeito.

Diferentemente da coreografia, que tem a Umbanda como guia, o Metá Metá partiu da cultura Iorubá, difundida no Brasil principalmente pelo Candomblé, para compor a
trilha.

Elza Soares gravou duas faixas e o poeta e artista plástico Nuno Ramos fez a letra de uma delas.

Assim também, Freusa Zechmeister assina o figurino, igual para todos os bailarinos: saia branca bem rodada, deixando o torso nu.

“Tem um quadrado iluminado, onde as pessoas dançam, onde ocorre a Gira.
Em volta, é tudo preto. É uma instalação, mais do que um cenário.

Em cima de cada cadeira, tem uma lâmpada, que é menos para iluminar e mais para mostrar que ali tem a presença de uma entidade”, explica Paulo.

Já o espetáculo”21″ é considerado um marco na história do Grupo Corpo.
Antes criados a partir de músicas preexistentes, os números passaram a partir daí a ter suas trilhas encomendadas.
Dividido em oito atos musicais, a coreografia tem cenário e figurino repletos de cores e se inspira nos folguedos populares mineiros.

Em síntese, o Grupo Corpo se apresenta em São Paulo, no Teatro Alfa, até o dia 12 de agosto.

Depois, segue para Belo Horizonte, Salvador e Rio de Janeiro.

 

ESPETÁCULOS
Gira e 21

DATA
De 2 a 13 de agosto de 2018

HORÁRIOS
Quartas e Quintas – 21h

INGRESSOS
A partir de R$ 75,00

LOCAL
Teatro Alfa
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722

INFORMAÇÕES
(11) 5693-4000