“No Brasil, a gente manipula a cor. Há quem diga que isso é um racismo fluído. Eu discordo.”

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Racismo fluído, democracia racial, espetáculo das raças.

Com certeza você já ouviu algum destes termos (e muitos outros similares).

Todo ano é a mesma coisa. Chega o dia da consciência negra e de repente o tema ganha importância.

Isso mesmo. O tema.

É assim que a imprensa brasileira trata o assunto: um tema a mais para ocupar os noticiários.

O Umbanda Eu Curto é um portal de conhecimentos religiosos, um portal de Umbanda. Mas é inegável a herança cultural negra em nossa religião (embora existam Terreiros por aí que parecem querer livrar-se de qualquer influência negra).

Não cabe a nós publicar aqui tratados sobre racismo, racismo fluído no Brasil, preconceito racial, etc.

Cabe sim reafirmar que o assunto é mais do que um tema cuja atenção seja relegada a um dia de protestos e comemorações. A questão é gigante. Nos define como país. Está em tudo, a todo momento. Só não vê quem não quer.

Para pôr luz nisso tudo,  Lilia Moritz Schwarcz, historiadora e antropóloga da Universidade de São Paulo (USP) é autoridade no Brasil.

Em todos os seus livros e pesquisas trata sobre os conceitos de raça, cor e preconceito, ora direta ou indiretamente.

O título desta matéria, inclusive, é aspas dela.

Na entrevista concedida ao portal Sul21, em recente passagem por Porto Alegre, a professora Lilia diz muito.

Diz, inclusive, coisas que você dificilmente lerá ou verá no dia 20 de novembro, como:

“Quando a gente pedia para descrever o grau de preconceito, nós não pedíamos nomes, mas as pessoas queriam dar. Era sempre, ‘meu melhor amigo’, ‘minha mãe’, ‘minha avó’, ‘meu tio’. A gente brincava que todo brasileiro se sente uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados.”

“Eu estudo um autor, o Lima Barreto, que justamente era uma voz isolada, que acusava a invisibilidade dos negros. Eu dei uma palestra na PUC-RS, com quatro textos dele, brincando que o “negro não existe no Brasil”, porque basta não querer olhá-lo.”

“No Brasil, a gente manipula a cor. Há quem diga que isso é um racismo fluído. Eu discordo.”

Racismo fluído ou não, recomendamos que leia a entrevista CLICANDO AQUI. É imperdível.

 

Foto (Lilia Schwarcz): Amanda Perobelli/Estadão (Reprodução)