Preconceito: 2 em cada 10 brasileiros admitem a prática, diz Ibope

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Preconceito é ruim, é uma praga, mas ele existe. Não dá pra fingir o contrário.

De cada dez brasileiros e brasileiras, apenas dois assumem ser racistas, machistas ou homofóbicos, mas sete admitem já ter feito alguma declaração discriminatória pelo menos uma vez na vida.

“Mulher tem de se dar ao respeito.”
“Não sou preconceituoso, tenho até um amigo negro.”
“Pode ser gay, mas não precisa beijar em público.”

Estes são exemplos de comentários que expressam a reação da população diante da diversidade racial, de gênero, de orientação sexual ou estética.

“O brasileiro não tem consciência de que as coisas que diz demonstram preconceito”, disse Márcia Cavallari, diretora-executiva do Ibope Inteligência.

Ela é a responsável por mapear as práticas discriminatórias dos brasileiros em pesquisa inédita sobre preconceito.

O levantamento do Ibope encomendado pela Ambev-Skol foi publicado pelo jornal O Estado de São Paulo.

Os entrevistados foram questionados se têm algum tipo de preconceito.

De 2.002 brasileiros e brasileiras abordados pelo Ibope, 17% disseram “sim” e 83% responderam “não”.

Em seguida, os pesquisadores apresentaram frases racistas, machistas, homofóbicas e gordofóbicas.
E então, perguntaram a todos os entrevistados se já fizeram esses comentários (ver mais no quadro).

“As pessoas tendem a dar a resposta politicamente correta.
Quando perguntamos diretamente se a pessoa tem preconceito, ela acha que não tem.
Só que, quando apresentamos frases preconceituosas, o índice aumenta bastante”, afirmou Márcia.

Do total de pesquisados, 73% admitiram ter falado frases como “mulher ao volante, perigo constante”, “ela tem cabelo ruim”, “isso é coisa de mulherzinha”, “ela é bonita, mas é gordinha”, entre outras.

É quase um ‘preconceito inconsciente’…

“As discriminações são estruturais, não são manifestadas por atos conscientes.
Não é necessário que a pessoa se declare racista ou machista, manifestações frequentes podem ser observadas.
Há a naturalização de certos grupos em patamar de inferioridade.
Esses dados podem sugerir tecnicamente saídas para políticas públicas de combate às discriminações”, disse Silvio Almeida, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), professor da Universidade Mackenzie e ativista negro.

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