Umbandista: o que é ‘Ser’ umbandista

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Umbandista: o que é ‘Ser’ umbandista

Umbandista, o que significa?

Vivemos no país mais católico e mais espírita do mundo, o que por si só, já é uma contradição.

Cerca de 70% da população se diz católica e cerca de 60% crê em reencarnação.

Somos um país de católicos não-praticantes, algo inédito no mundo.

Somos um país onde a religião é um rotulo (etiqueta) que se coloca em você por meio de um ritual chamado “batismo”.

E mesmo se você nunca vá à igreja e não concorde com nenhum de seus valores e dogmas?

Ainda assim uma maioria se considera “católico não-praticante” pelo simples fato de que foi batizado.

Por quê isso acontece aqui no Brasil?

Pelo fato de que o batismo assegura que as crianças estão protegidas do inferno e caso venham a morrer não vão para o “limbo”.

Da mesma forma, deixam de ser “pagãs” e “hereges”.

Mesmo que ninguém saiba, teologicamente, o que quer dizer “inferno”, “limbo”, “pagão” e “herege”, todos têm certeza que isso é ruim e te condena em vida e após a “morte”.

E assim temos a receita de como manipular os números e fazer crer a toda uma população uma identidade de uma religião que não é praticada nem por 10% destes 70% que se denominam católicos.

Religião não é um rótulo e sim algo que você crê e ou pratica.

Confunde-se ser católico com ser cristão, acreditar em Cristo.

Há um outro obstáculo ainda para a construção da pertença e identidade umbandista.

Poucas pessoas sabem o que é Umbanda e, ao se afirmar umbandista, é preciso explicar o que é isso.

Muitas pessoas não querem ficar explicando o que é sua religião e, aí dizer que é “católico não-praticante” encerra o assunto.

Outros preferem dizer que são espíritas; afinal, a Umbanda trabalha com espíritos, logo sou espírita, certo? ERRADO!

Embora os primeiros umbandistas se auto intitulassem espíritas, há um contexto de época para isso.

O Espiritismo foi aceito e regularizado muito antes que a Umbanda.

Assim, naquela época, afirmar que se era espírita fornecia um status legal e social.

No entanto, de fato e de direito, ser espírita é seguir a obra codificada por Allan Kardec, na qual não se aceita ritual, magia, divindades, altar, velas, símbolos e etc., entre outras coisas que se chocam com a Umbanda.

E neste quadro, no panorama da religião, o que temos são praticantes (médiuns, cambones, ogãs etc.) e frequentadores assíduos e habituais, que em boa parte acreditam, participam e seguem a Umbanda mas não assumem esta identidade religiosa.

O que falta para assumir identidade e pertença religiosa umbandista?

Para muitos falta ser batizado na Umbanda, por acreditar que só um ritual pode trocar sua “identidade sobrenatural”.

Não sabem que na maioria das religiões, como Judaismo, Islã e Budismo, nem existe ritual de batismo, o que é uma marca do cristianismo e das religiões cristãs.

Embora a Umbanda, em sua maioria de templos, se considere cristã e adote o ritual de batismo, ser umbandista é apenas sentir afinidade, praticar e/ou frequentar a Umbanda.

Ser umbandista é crer na Umbanda, apenas isso e simples assim!

Foto: Varal Cultural