É tempo de Quaresma… Ai que medo!

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Quaresma, ai meu Deus! Valei-me, meu Pai Ogum! Proteção Pai Oxalá! SOCORRO!!!

É comum as pessoas terem muito medo desta época do ano. Há Terreiros que entram em recesso e não trabalham na Quaresma.

Há pessoas que se recolhem e nada fazem energética ou espiritualmente durante os quarenta dias após o Carnaval.

Há médiuns que cessam todas as atividades mediúnicas nesse período.

A pergunta é: por quê? Vamos entender o contexto.

A tradição de cultuar esse período do ano começou no paganismo (bem antes de Cristo) e era a despedida do difícil período de sobrevivência no inverno e a preparação para a chegada da Primavera. Mas só ganhou força e ficou conhecida como Quaresma com a Igreja Católica.

Um número forte e recorrente na Bíblia é o 40: 40 dias de chuva durante o dilúvio de Noé; 40 dias Moisés ficou no Monte Sinai para receber os 10 mandamentos; 40 anos de peregrinação no deserto após o povo judeu fugir do Egito… e há muitos outros “quarentas” importantes na Bíblia.

Então surgiu os 40 dias antes da Crucificação de Jesus, ou seja, 40 dias antes da Páscoa.

E o início se dá no fim do Carnaval – que vem do latim CARNE VALE = “despedida da carne”.

No Carnaval bebemos, comemos, rimos, nos divertimos fazendo uma intensa despedida da vida profana, pois durante a Quaresma a Igreja Católica prescreve um período de jejuns, abstinência de carne, penitências, mortificações do corpo (autoflagelação), caridade e orações como uma preparação sofrida para celebrar a Morte e Ressureição de Cristo.

Entendemos que o Culto da Quaresma é Cristão e tem valor no mundo Cristão (religiões cristãs) que representa hoje algo em torno de 30% do planeta.

E as outras 70% de pessoas do mundo (muçulmanos, budistas, hinduístas, etc.)?

Será que acham que a Quaresma é época densa, de medo e temor?

Muitas pessoas cristãs (incluindo dos umbandistas católicos) acreditam que esse é um período denso, negativo, pesado, onde muitos espíritos negativos estão rondando o Mundo do Encarnados. Daí o medo da Quaresma!

E por que eu estou falando tudo isso? Para dar a minha opinião, que é só uma opinião, longe de se pretender uma verdade absoluta.

Acredito que não é preciso uma data específica para os sofredores e trevosos virem nos visitar. Creio que o ônibus do Umbral é “Linha Circular”, ou seja, vem e vai, vai e vem continuamente 24 horas por dia e está sempre lotado com gente pendurada na porta.

Então, o movimento de espíritos desequilibrados e negativados circulando entre nós é intenso SEMPRE, independente de Quaresma, Carnaval, Finados, Natal ou Páscoa.

No entanto, acredito que as mentes humanas juntas numa mesma sintonia produzem o que chamamos de Egrégora: e se muitas milhares de mentes acreditam que na Quaresma a energia fica mais densa, tudo fica mais perigoso e devemos temer essa época… pronto!

A Egrégora da Quaresma está formada, a energia ficou densa e a atuação dos irmãozinhos do Umbral fica muito mais fácil nessa névoa de receio e pavor.

E aí o trabalho dos terreiros umbandistas dobra, temos que fazer hora extra para combater essa Egrégora do Baixo Astral entre nós.

Então SIM, eu trabalho na Quaresma! SIM, meu terreiro trabalha na Quaresma! SIM, meus filhos de fé trabalham na Quaresma!

Mas como eu não compartilho da crença de que a Quaresma é um período denso e negativo, essa energia não entra em nosso Solo Sagrado. Na verdade, ninguém sente nada de anormal ou diferente durante esses 40 dias.

Continuamos nossos trabalhos espirituais normalmente, firmes, fortes, equilibrados, contentes, felizes e leves, muito leves, pois não compartilhamos da crença que Quaresma é época para se temer!

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É sacerdotisa de Umbanda e dirigente do Núcleo de Umbanda Sagrada Jacira das Águas em Santos (SP). Do Kardecismo à Umbanda, conheceu Rubens Saraceni e a Umbanda Sagrada. Em 2006 tornou-se médium do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, de Alexandre Cumino e em 2013 fundou a escola Recanto dos Saberes, também em Santos.