Religião de Umbanda: um paralelo com o início do Cristianismo

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Religião de Umbanda. Umbanda é religião.

Por definição, Umbanda é uma religião espírita, ritmada, ritualizada, de origem euro, afro, indígena e brasileira.

Isto é:

– Tem seus fundamentos embasados na cultura do branco europeu dominante;
– Na cultura do negro africano aqui trazido como escravo;
– E na cultura dos que aqui já viviam antes da chegada do homem branco.

A religião de Umbanda ainda está em formação, embora seus pilares já estejam devidamente assentados.

Ela não é e nem pode ser uma religião estática.

E, como tal, se aperfeiçoa e ganha cada vez mais novos adeptos, principalmente por ser uma religião sem dogmas.

(Dogma é uma verdade que deve ser aceita sem questionamento, consequentemente incompatível com o pensamento moderno).

Na verdade, a religião de Umbanda nasceu em São Gonçalo das Neves, no Rio de Janeiro, em 15 de Novembro de 1908.

Surgiu com o advento do Caboclo das 7 Encruzilhadas, incorporado em Zélio Fernandino de Morais.

E tem no Santuário Nacional da Umbanda, seu maior patrimônio físico, sua maior realização.

A exemplo do Cristianismo, que só depois de 70 anos de fundado começou a estabelecer as bases de sua doutrina atual, a Umbanda também está em processo.

A religião de Umbanda está se estabelecendo, pouco a pouco.

Da edição da revista Galileu, de abril de 2001, vemos esta jóia de descrição que nos serve de paralelo:

Após se converter, Paulo prega fora da Palestina para não-judeus.
E começam as brigas com Tiago, irmão de Jesus.

A religião não começou com Jesus.

Segundo estudos recentes feitos por historiadores e teólogos cristãos, a imagem desse homem como Filho de Deus surgiu alguns anos após sua morte em Jerusalém por volta do ano 30 do que hoje chamamos Era Cristã.

Mais ainda: a versão de que Jesus teria sido condenado pelo povo judeu passou a ser construída muito depois de sua morte, com a elaboração dos evangelhos.

Diante de um mundo dominado pelos romanos, o Cristianismo evitou complicações políticas e se distanciou de sua origem: uma seita judaica formada por homens contrários à dominação estrangeira.

Liderada por Tiago, irmão de Jesus, a seita praticamente desapareceu no massacre de Jerusalém pelos romanos na revolta que terminou no ano 70.

Para seus integrantes, Jesus era o Messias, descendente do rei Davi que nascera para libertar o povo judeu da opressão.
E fora morto sob acusação de rebelião.

Fora da Palestina, o trabalho iniciado pelo apóstolo Paulo prosseguiu, com a mensagem de um Cristo divino e descomprometido com a política.

Para criar uma religião mundial, o Jesus libertador do povo judeu foi transformado no Filho de Deus e ganhou o nome de Cristo.

As descobertas se agravam.

Paulo faz uma violenta acusação na Epístola aos Gálatas (2,4) aos “falsos irmãos que se infiltraram para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus, a fim de nos reduzir à escravidão”.

Ele segue para um encontro com Tiago em Jerusalém, possivelmente no ano 58.

Reconhecido no Templo como aquele que pregava o abandono da Lei, é ameaçado de morte.

Apela então para sua cidadania romana e escapa do linchamento ao ser preso pelos soldados.

Tiago é morto por apedrejamento quatro anos depois.

Paulo é decapitado em Roma depois por ordem de Nero.

Mas o mundo conhecerá somente o Cristo de Paulo.

***

O exemplo citado, mostra de modo inequívoco as dificuldades que o Cristianismo enfrentou para se firmar como a grande igreja ocidental em seus primeiros anos.

É por isso que não devemos nos surpreender quando pouco mais de 100 anos após sua criação ainda afirmamos que a verdadeira religião de Umbanda está em formação.

Ela une valores dos povos mencionados no início e tem como máxima:

“Aprender com os espíritos evoluídos, ensinar aos espíritos atrasados e a nenhum negar a oportunidade de se manifestar.”

Vamos seguir aprendendo e inspirando a todos!

Salve a religião de Umbanda!

 

Foto: Ronaldo Linares entrevistando Zélio de Moraes (1972)/Reprodução