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Pai de Santo e uma história de soberba

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Pai de Santo, Sacerdorte ou Dirigente. Muitos são os nomes.

Dizem que os fatos na história estão sempre se repetindo.

Também na Umbanda observamos fatos, como a história de um tal ‘Pai X’. Um Pai de Santo, para simplificar.

Assim sendo, segundo contam, em sua juventude era dotado de privilegiada inspiração cósmica.

Apesar de pouca instrução, possuía grande imaginação.
Falava como filósofo, podendo até prever acontecimentos futuros.
Da mesma forma, tinha grande respeito às religiões e bastante inclinação para estudos místicos e religiosos.

Filiou-se, posteriormente, a algumas escolas e frequentou várias religiões.
Cursou algumas escolas de origem oriental, onde adquiriu algumas noções de misticismo.
Por fim, ingressou no Espiritismo e, por algum tempo, estudou com entusiasmo as instruções kardecistas.

Mais tarde, ingressou na Umbanda, onde dizia ter se encontrado, pela ritualística, pela magia e encantamento.
Aliás, revelou-se bom médium, realizando inclusive, curas com sucesso.

Posteriormente, com a graduação de Sacerdote de Umbanda (ou Pai de Santo, como quiserem), abriu um Templo e teve seus próprios discípulos.
Ensinou de início algo que admitia: não era ‘dele’.

Tornou-se um Pai de Santo conhecido e passou a gostar da notoriedade e popularidade.

Assim, passou a declarar que os ensinamentos eram seus, assim como todas as coisas que estava fazendo e dizendo.

Pensava com exclusivismo, considerava-se autônomo e único orientador espiritual capacitado, esquecendo-se das Leis que exprimem o pensamento de Deus e dos Orixás.

Ao passo que violou a Lei do Amor Fraterno, invertendo a direção da verdadeira Lei da Espiritualidade na ilusão de crescer e subir.

Nesse sentido, muitos manuscritos de natureza altamente espiritual afirmam:

Não há pecado maior na matéria do que a vaidade, filha dileta do egoísmo.

Com esta atitude, Pai X foi decaindo, também na saúde.
Era um exemplo típico que fora rejeitado pelo cósmico, em virtude da violação das Leis do Universo.

Assim, na ilusão de crescer e subir, ficou aprisionado em seu próprio desespero.
Tornou-se uma vítima de suas obsessões e desencarnou após anos de terrível sofrimento íntimo.

Assim sendo, a vaidade, a tentação de procurar poder e a ânsia pela popularidade em ver-se chamado de mestre supremo o levou à queda espiritual, material e física.

POIS QUEM SE FAZ DEUS, POR DEUS SERÁ PUNIDO.

Será que o que aconteceu com este Pai de Santo vem acontecendo em nossos dias?

De tal sorte que é necessário que se encare a doutrina como algo muito sério.

Assim, o médium deve se conscientizar de que é apenas um instrumento para servir as leis do Universo e as leis espirituais.

Pai de Santo deve acolher, ensinar, direcionar. Mas deve saber que é igual a todos. Sem soberba.

Fonte: Iniciação à Umbanda – Volume 2 – Ronaldo Antônio Linares

Foto: 7º Festival Um Grito de Liberdade/Varal Cultural

Texto proferido por Pai Ronaldo Linares em 1969 no programa “Umbanda em Marcha” na extinta Rádio Cacique de São Caetano do Sul (SP). Também foi publicado no Jornal de Umbanda Sagrada em Setembro de 2006 e aqui adaptado.