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Orixá Nanã e suas qualidades de depuração na Umbanda

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Orixá Nanã: você conhece suas características e importância na Umbanda?

Falar, ou melhor, escrever sobre Mãe Nanã é uma situação única.
Imediatamente sua irradiação se faz presente e conduz à decantação de valores e paradigmas.

Assim, a dita tradição do Culto de Nação descreve a Orixá Nanã como uma figura controvertida.
De origem daomeana, seu culto foi introduzido no meio iorubano a partir das conquistas regionais em África.
A partir disso, a figura matriarcal da Grande Mãe precisava ser quebrada.
Enfim, os Orixás iorubanos já ocupavam seus lugares/postos na sociedade e cada um mantinha uma relação de paridade com as posições sociais e cronológicas.

Dessa forma, o posto de Mãe já era ocupado por Iemanjá e Oxum.
E a Nanã foi relegado o posto de Avó.

Aliás, as lendas falam da submissão de Nanã a Oxalá, mostrando definitivamente a condição patriarcal da sociedade iorubana.
Enfim, conta a história quem vence a guerra.

Inegavelmente, as lendas serviram e servem para difundir o conhecimento acerca dos Orixás.
E se analisarmos profundamente seu fundamento, veremos que a forma correta de interpretar suas irradiações, sentidos e elementos já estavam embutidas nessas lendas.

Portanto, é injustificável qualquer analogia humana exagerada com uma divindade.
Até como forma de justificar a própria imperfeição do ser.

Assim, dizer que é conduzido por este ou aquele Orixá e que têm essa ou aquela característica negativa porque seu Orixá também tem essa característica negativa humana nos parece incorreto.

Igualmente, dizer que a pessoa é ranzinza porque Nanã tem em sua lenda a característica de avó rabugenta é, no mínimo, abstracionismo e uma desculpa esfarrapada.

Filhos da Orixá Nanã possuem sim, no geral, um conjunto de características.

Mas limitar os seres humanos a isso é muito reducionismo.

Todavia, eu disse que a irradiação de Mãe Nanã nos leva a decantação de conceitos pré-estabelecidos.
Dessa forma, Nanã rege a sexta linha de forças do ritual de Umbanda Sagrada e divide com Pai Obaluayê a Linha da Evolução.
Primordialmente, Sua irradiação atua sobre os seres emocionados, paralisando sua evolução, decantando-os de seu negativismo.
Tabmém atua em seus vícios, preparando-os para uma vida mais equilibrada.

Enquanto Nanã decanta e adormece o espírito em fase de pré-reencarnação, Obaluayê o envolve numa irradiação energética que reduz o tamanho desse espírito ao tamanho adequado para ser alojado no feto em crescimento no ventre da mãe, já ligado ao espírito no momento da fecundação.

Igualmente, Orixá Nanã também atua na memória dos seres.

Além de diluir seus acúmulos energéticos negativos, adormece sua memória, fazendo-o esquecer – num processo análogo à senilidade – onde não se lembrará de nada de seu passado.

Então, esse é o benefício divino do esquecimento.
Imaginem se lembrássemos das tristezas que causamos em nosso passado, em outras encarnações.
Com certeza esse tormento atrapalharia nossa atual retificação.

Cronologicamente, temos a Orixá Nanã realmente como a anciã, a vovó.
No início dessa linha, temos Mãe Oxum, a própria jovialidade – estimulando a sexualidade feminina.
No meio, temos Mãe Iemanjá, como a mulher madura – estimulando a maternidade.
Por fim, temos Mãe Nanã paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.

Da mesma forma, seu elemento é água-terra, sendo que seu par oposto magnético (Obaluayê) atua no elemento terra-água.

Assim, Orixá Nanã é dual por definição e unigênita em si, pois traz em si a qualidade divina de decantar os excessos e enterrar os vícios e negativismos em seu barro, ou seu lodo, preparando os seres para retornarem ao caminho da evolução através da reencarnação.

Analogamente, rege, entre outras linhas, as linhas de Exus e Pombagiras do Lodo.

Assim, elevemos nosso pensamento à Orixá Nanã, ao Divino Trono da Evolução.
Peçamos que atue em nossas vidas, nos auxiliando em nossa caminhada evolutiva, nos guiando e conduzindo.

De tal forma que, voltados para a Luz, não nos desviemos do caminho e que não seja necessário que sejamos paralisados e decantados em seu lodo.

Saravá Nanã! Salubá Nanã! Salve Vovó!