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Mulheres nos Terreiros de Umbanda e seus desafios

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Mulheres nos Terreiros é um tema sempre atual.
Houve época em que as médiuns eram proibidas de ser dirigentes espirituais, sacerdotisas, mães, etc, mesmo que elas já estivessem preparadas.

Nesta época elas não podiam ser ogãs, ou seja, aquelas que tocam ou assumem a responsabilidade da Curimba (atabaques) do Terreiro.

Assim que soubessem da sua gravidez eram afastadas, pois não poderiam trabalhar na corrente.

E quando essa mulher incorporava, Guias masculinos precisavam amarrar-lhe um pano em seu corpo para bloquear as energias femininas.

As mesmas não podiam trabalhar em seus Terreiros quando estavam menstruadas.
Justificativa: seus corpos estavam abertos e, assim sendo, impuros.

As indiferenças, os preconceitos, pressões e humilhações foram atitudes vindas de uma sociedade machista que julgava-se superior.
E que se refletiam, na época, na vida espiritual, social e afetiva.

Mas, mesmo assim, a mulher confiou na dualidade de Pai/Mãe Olorum e, principalmente, tempo/evolução.

Quero acreditar que os tempos mudaram, evoluíram, e que as mulheres estão sendo consideradas médiuns independente do seu estado.
E que fazem parte do corpo mediúnico de um Terreiro em igualdade com os demais.

Desde os primórdios da Umbanda, as mulheres nos Terreiros podiam incorporar Orixás masculinos.
E também Guias como Caboclos, Pretos Velhos, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, Exu e Exu Mirim.
E já tinham como guia chefe, mentor ou guia de frente uma entidade masculina.

São tantas as mulheres, senhoras, meninas, moças, idosas que trabalham que, se formos analisar, hoje a maioria dos Terreiros é composta por um número maior de mulheres médiuns.

Muitas mulheres nos Terreiros são tão guerreiras, líderes, inteligentes quanto os homens.
Não há diferença para Pai/Mãe Olorum, pois na sua dualidade gerou de seu interior seres masculinos e seres femininos.
E estes, com o mesmo princípio e genética.
Olorum os criou e os dotou com qualidades e atributos iguais.

Tem Pai sacerdote, dirigente espiritual, que até hoje não incorpora Orixás femininos.
Como também não incorpora Cabocla, Preta Velha, Cigana, Erê feminino, Pombagira e Baiana.

Muito raramente você encontra em Terreiros um dirigente masculino tendo como mentora, guia chefe ou guia de frente uma entidade feminina.
Nós umbandistas reclamamos da discriminação, do preconceito, da falta de respeito com as nossas práticas religiosas.
Porém, falta entendimento mútuo para os próprios umbandistas.

E quando um dirigente espiritual rompe estas barreiras preconceituosas e pratica a doutrina umbandista com igualdade, é considerado no próprio meio um inconsequente.
E, muitas vezes, passa a ser visto como um adversário.

Os fundamentos umbandistas e as leis que regem a base ritualística não ditam que homens e mulheres tenham atitudes diferenciadas dentro dos Terreiros.

Apesar de tudo, e graças ao Divino Trono do Tempo, tudo na vida renova-se e evolui, pois é uma lei natural gerada e criada pelo Divino Pai/Mãe Olorum.

Enquanto houver pessoas que acreditam na igualdade do ser humano e sabem que a dualidade de Pai/Mãe Olorum é infinita, continuarão praticando e respeitando as suas leis imutáveis que são eternas.
Enquanto os seres humanos acreditarem na sua igualdade, continuarão a manifestar de seu íntimo o amor incondicional.

Mulheres nos Terreiros deve ser sinônimo de igualdade, seja qual for a função.

Texto produzido por Monica Berezutchi, sacerdotisa no Templo da Luz Dourada

Foto: Templo da Luz Dourada/Reprodução