Mediunidade em seus diferentes aspectos

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Mediunidade: em que acredita o espiritualista?

A pedra angular da Umbanda e de todo o Espiritismo (ou espiritualismo) é a de que existirá sempre uma vida após outra vida.

Ou melhor: quando nos separamos de nosso corpo físico pela passagem (morte) para o plano espiritual, apenas o nosso corpo físico se desfaz.

Nossa alma, liberta de seu material invólucro, prossegue sua existência.

A isto se sucede uma nova existência, um novo nascimento após a completa triangulação, nesta ou em outras formas de vida, neste ou em outro planeta.

Isso difere totalmente da crença católica, a saber:

– De que após a morte física o destino da alma é a total aventurança;
– De que há um período intermediário em que o espírito é punido por pequenos erros;
– De que há uma eternidade de provações e de castigos aplicáveis àqueles espíritos considerados maus ou inferiores semeadores do mal;
– Em outras palavras: o Céu, o Purgatório e o Inferno, onde os espíritos aguardarão a ressurreição.

Isto é o que creem os católicos.

Creem que um dia voltarão a ressurgir com os mesmos aspectos físicos de antes da morte, no dia do “Juízo Final”.

Seria mais ou menos como retornar ao antigo corpo, que voltaria a ter o mesmo aspecto de antes da morte.

Reencarnação, ao contrário, é o renascimento dessa mesma alma, em outro corpo preparado, ou concebido, para esse fim.

Em outras palavras, a morte é uma renovação.

É preciso que se morra para que se possa renascer.

Pelo exposto acima, vemos que entre uma encarnação e outra o espírito, que em tempo algum deixou de existir, pode de alguma forma se comunicar com os encarnados e, através de alguns encarnados, pode até mesmo servir-se de seus corpos físicos nessas comunicações.

A estes, nós chamamos médiuns.

Então, o que é mediunidade?

É a faculdade que determinados indivíduos possuem de captar vibrações espirituais.

Ou ainda, mais diretamente no que se relaciona à Umbanda, mediunidade é a faculdade que determinados indivíduos têm de poderem até mesmo emprestar seu corpo físico a um espírito desencarnado.

São várias as formas de mediunidade.

Mas seria interessante esclarecer um problema com que se defronta quase a totalidade dos neófitos na Umbanda.

Consiste no fato de que muitas vezes o médium tem pleno conhecimento do que ocorre quando incorporado.

Chega até a criar uma dúvida angustiante, gerando perguntas como:

“Como eu posso ser médium se eu sei tudo o que a entidade diz ou faz?”

Ou ainda: “Foi a entidade ou fui eu quem disse ou fez algo quando incorporado”?

Isso acontece principalmente porque criou-se, dentro das diferentes doutrinas espíritas ou espiritualistas, um verdadeiro tabu:

o de que só é médium aquele que não tem consciência do que ocorre durante a incorporação.

E isto não se resume apenas aos neófitos.

Átila Nunes, em seu livro “Antologia da Umbanda” pergunta: “Haverá médiuns inconscientes?”

Onde está então a verdade?

Via de regra, quase todo médium passa por diferentes estágios durante seu desenvolvimento mediúnico.

Geralmente, as primeiras manifestações ocorrem em estado de inconsciência.

Depois, quando se inicia o desenvolvimento, o médium passa por um período de quase total consciência.

Posteriormente, à medida que a entidade se adapta à incorporação, o médium fica melhor adaptado às suas funções.

O médium passa primeiro por um estado de semiconsciência.

Ou seja: não consegue se lembrar de detalhes, como se tudo tivesse ocorrido num sonho, como se estivesse vendo através da névoa, ou depois de ter abusado do álcool, para depois tornar-se totalmente inconsciente.

Conhecemos não poucos bons médiuns que sempre foram totalmente inconscientes.

Outros, não menos eficientes, nunca conheceram em sua plenitude a inconsciência.

Para melhor facilidade de compreensão, vamos ilustrar da seguinte forma:

Faça de conta que o médium é um automóvel e o seu espírito é o motorista (que o conduz).

Imagine agora que um outro motorista que não tem mais seu automóvel (o corpo físico), peça ao primeiro para usar o seu, mas com a condição de que o primeiro participe do passeio ou viagem.

Então, o motorista (proprietário do automóvel) empresta seu carro para o outro e senta-se no local destinado ao passageiro.

Como o mesmo não sabe de que forma o outro dirige, durante algum tempo até se certificar da habilidade do outro motorista, viajará apreensivo, pois cada erro notado será um arranhão em seu patrimônio.

Se o segundo motorista avança um sinal, será o primeiro quem levará a multa, ou se arriscará a sofrer danos em seu veículo.

Todavia, se após algum tempo de viagem, o primeiro constata que o segundo motorista é cuidadoso, que não comete imprudências e zela pelo seu veículo, poderá até se distrair, observar a paisagem e, ao final da viagem, embora naturalmente cheguem juntos, o primeiro, por haver se distraído, não saberá citar com certeza todos os detalhes do caminho.

Mais tarde, quando partirem para outros passeios mais longos, acabará por se abandonar no banco do carro, adormecendo.

Naturalmente que, no final dessa viagem, não terá nenhuma recordação do que aconteceu enquanto dormia, embora não houvesse, em tempo algum, se ausentado do veículo e tivessem chegado exatamente juntos ao final da viagem.

O primeiro caso mencionado é o do médium consciente, que em início de desenvolvimento não consegue se entregar por inteiro à entidade, trabalhando a maior parte das vezes irradiado, sem uma total e completa incorporação.

O segundo caso aplica-se ao médium que, depois de alguns anos de trabalhos constantes, quando mesmo tendo sido considerado sempre como médium consciente, lembra-se apenas parcialmente dos fatos ocorridos durante o transe mediúnico, não conseguindo fixar-se nos detalhes.

O terceiro caso citado é da mediunidade que, atingindo uma total identificação vibratória com a entidade, pode permitir o mais absoluto controle de seu corpo e de sua mente pela entidade incorporante.

Resultado disto: não conseguir lembrar-se absolutamente de nada do que lhe aconteceu durante a incorporação.

Nota dos Editores do Umbanda Eu Curto
Na nossa visão, não há melhor ou pior mediunidade.
Mais de 90% dos médiuns de Umbanda são semiconscientes.
A maioria, assim, se enquadra no “segundo caso” citado pelo autor.

Isso é bom, pois o médium pode aprender com as entidades e assim evoluir.