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Sou médium numa Casa: posso visitar outros Terreiros?

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Visitar outros Terreiros é uma questão importante na Umbanda.

Mas antes de começar a responder esta questão, vamos olhar para o sentido da palavra e para nossa vida cotidiana.

O que é visita? Visita no Dicionário Aurélio é “Ato de ir a algum lugar (com alguém ou não) para apreciar algo ou alguém”.

Assim, é uma questão que aflige alguns Terreiros.
Pois todos nós (ou a maioria de nós) gostamos de receber ou fazer visitas.

Nesse sentido, visitamos lugares novos, casa de amigos, parentes, etc.
Posto que a visita pode ser: rara, contínua, de tempos em tempos, de surpresa, combinada, demorada, longa, etc. Não importa!

Visita tem em si um caráter positivo que é “matar saudades”, “reencontrar algo ou alguém”, “colocar o papo em dia”, “recordar um fato ou paisagem”, etc.

Assim, na religião, em especial na religião de Umbanda é sabido que cada Casa tem:

– Sua doutrina;
– Seus costumes;
– Seus ritos;
– Suas regras;
– Seus fundamentos;
– Seus valores;
– Etc.

Então, conversando com outros dirigentes de Terreiro, pudemos coletar alguns pontos a favor e pontos desabonadores sobre a prática de visitar outros Terreiros.
Vamos analisá-las?

PONTOS POSITIVOS

Decerto ninguém é dono da verdade absoluta.
Se uma Casa de Umbanda abre para prestar a caridade, partimos da premissa que lá também seja uma Casa de Deus.
Aliás, a maldade não está na religião, mas em seus frequentadores.

Assim, visitar outros Terreiros pode e certamente agregará valor e conhecimento.

Igualmente, visitar outros Terreiros nos ajuda a manter os laços de amizade material e espiritual.
Pois, às vezes, nossos amigos e familiares não necessariamente irão trabalhar no mesmo Terreiro que a gente.
Da mesma forma, agrega troca de energia, aprendemos outros rituais, formas diferentes de louvar o Orixá, etc.

PONTOS DESFAVORÁVEIS

Em contrapartida, pode misturar e confundir fundamentos, incentivar a comparação, confundir regras e formas de conduzir ritos, etc.

Dessa maneira, para alguns Pais de Santo o excesso de visitas deixa o médium até à mercê de cargas e misturas de energias que podem colocar em risco o desenvolvimento do médium.

Bem como fofocas, distorção de informações, quebra de sigilo sobre as magias e mirongas de uma Casa também podem ser pontos negativos.
A saber, se a pessoa que visitar outros Terreiros não tiver muito bem estruturados os valores desta religião.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim, quando uma pessoa escolhe uma determinada Casa para trabalhar ela está dando aceite a tudo que ela representa.
Igualmente, ao entrar para uma Casa, o médium está assumindo os compromissos com ela.

Quando um Guia se firma em uma Casa ele está dizendo ao médium que ali será seu local de trabalho.
Por outro lado, quando o Guia e mentor espiritual diz que é hora de sair, esta ordem também é seguida.

Portanto, muitas vezes a Umbanda será nosso chamado, mas não necessariamente em uma determinada Casa.

Se você gosta de visitar outros Terreiros com grande frequência, deve se perguntar se é a hora de assumir compromissos com uma Casa ou não.

Terreiro é igual a um casamento: podemos ter amigos.
Porém, se preferimos as baladas ao invés do matrimônio, é de se perguntar se não é melhor ficar solteiro.

Dessa forma, quando assumimos o compromisso com uma Casa, assumimos o compromisso com tudo que ela representa.

Algumas pessoas “batem cartão” em Terreiros acreditando que a quantidade de vezes que se consulta ou que dá passagem a seu Guia é que determinará a qualidade da sua incorporação ou o grau do seu merecimento.

Decerto estão enganados.

Não é a quantidade de vezes que a gente fala com um Guia ou visita uma Casa que determina a nossa missão.

Aliás, Umbanda é evolução e evoluir remete à mudança de comportamento.
Se não conseguirmos cumprir e respeitar uma Casa como queremos ser respeitados?

Se não conseguirmos zelar pela força da nossa Casa, como vamos pedir força?
Se não conseguirmos confiar como vamos exigir confiança?

Assim, a Umbanda é uma religião onde fica claro que recebemos do mundo tudo aquilo que emanamos.
Tudo aquilo que vai para o universo, o universo devolve para você.

Dessa forma, o certo versus errado varia de Casa para Casa.
Portanto, na dúvida sobre poder ou não visitar outros Terreiros, sempre consulte o Pai de Santo da sua confiança, ainda mais se estiver compromissado com uma Casa.

Afinal de contas, mais do que respeito, este “Pai” é o responsável por tudo que acontecer com você.
Daí o nome “zelador de santo”. Ele (a) é quem zela pela sua coroa, seus Guias e mentores.

Assim, visitar outros Terreiros é possível (desde que você saiba o que está fazendo).

Texto publicado originalmente por Eduardo de Oxóssi no Blog do Baiano Juvenal

Imagens:  Livia Mariah Fotografia – Tupã Oca do Caboclo das 7 Pedreiras