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Grávida pode incorporar e dar passe na Umbanda?

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Grávida pode incorporar? Dar passe, fazer tudo igual aos demais médiuns?

Uma vez que a mediunidade, as entidades, a energia e tudo mais que demanda o ato de incorporar não são nocivos a saúde espiritual, física ou emocional da gestante?

Aliás, pelo contrário: tudo isso é até terapêutico para as mulheres.
Entretanto, esse é um período da vida da médium que requer uma maior atenção.
Sobretudo com a forma que seu corpo irá reagir a cada fase da gestação.

Assim, o embrião, logo após a concepção, será amparado por uma redoma etérica.
Dessa forma, essa redoma é semelhante à placenta e é como uma membrana, altamente resistente a choques energéticos.

Visto que esses choques acontecem em qualquer ambiente, no trabalho, no transporte público, enfim.

Portanto, em qualquer lugar que a grávida transite pode sentir as energias densas do local.
Assim, para que isso não atinja o feto, existe esse invólucro espiritual.

Desta forma, compreendemos que a gestação acontece não só no interior físico da mulher, mas também em seu espírito.

Mas em qual momento da gestação o espírito daquele bebê passa habitar seu corpo físico?

Assim, tudo o que encontramos na internet é: grávida pode ir no terreiro? Pode.
Grávida pode incorporar? Pode se ela se sentir bem.

Mas então ficam várias dúvidas em aberto e uma delas é a questão espiritual daquele embrião.
A esse fenômeno o sacerdote Rodrigo Queiroz explica que quando a mulher engravida, a única coisa que une o espírito, pronto para a reencarnação ao embrião gestado, é um cordão magnético.

O espírito, que no plano espiritual têm suas capacidades mentais já desenvolvidas dentro da particularidade de quem era, agora precisa apagar sua memória, reduzir seu corpo etérico e ‘mutar’ sua consciência para se adequar ao novo corpo.

Esse espírito, com aparência e forma adulta, é envolvido em uma cápsula energética e durante 7 meses (paralelo ao desenvolvimento do feto), ele será preparado para o reencarne.

“À medida que o feto está se transformando no corpo da mulher, há também uma transformação no espírito do indivíduo que vai reencarnar e que está no plano espiritual. Nessa cápsula ele será irradiado por um magnetismo intenso e transformador.É um processo mesmo de adormecimento da memória e moldagem do corpo etérico. Quando se trata de nascimento precoce a espiritualidade sempre tem o recurso “SOS”.”

– Rodrigo Queiroz

Passado os 7 meses “esse espírito já está pronto no plano espiritual para a sua nova forma física”.
Então, nesse momento ele é conduzido ao ventre da mulher.

A partir desse momento, esse espírito começa a animar aquele corpo físico que estava ali ligado apenas por um cordão espiritual.
Portanto, é assim que acontece o encarne e assim começa um novo momento da gestação”.

Antes dos 7 meses o bebê não tem espírito? Como assim?

Por isso, é comum que no sétimo mês a mulher sinta algumas mudanças psicológicas e emocionais.
Aliás, agora dois espíritos habitam o mesmo corpo.
Isso não quer dizer, que anterior ao sétimo mês o feto não tenha interagido com o que acontecia no mundo externo no ventre da mãe.
Por certo, nessa fase da vida ele já percebeu sons, emoções, que por meio do cordão magnético foram transmitidas ao espírito em preparação.

“A mulher que vai ao Terreiro nas gestações e participa da Gira positiva esse processo.
Só a vibração dos atabaques é uma terapia.
É muito bom para a criança que está ali se desenvolvendo e desenvolvendo seus sensores.
A energia é muito importante nesse processo.

– Rodrigo Queiroz

Experiência própria

Thelma Martins, responsável pelo atendimento aos alunos da plataforma Umbanda EAD, nos contou um pouco do que foi a sua experiência de gestação inserida na corrente mediúnica.
Assim, ela disse que trabalhou dando passe até os 5 meses de gestação.
Após isso, permaneceu na corrente até a semana do parto, com a função de chamada de senha. Incrível não é?

“Até os 5 meses senti a mediunidade mais forte,
mais conexão, como se fosse uma explosão de energia.
Quando Pai Rodrigo chegou e disse que seria meu último atendimento na Gira de acolhimento, fiquei até preocupada de ficar na
chamada de senha “tremelicando” querendo incorporar.
Mas isso não aconteceu.
Foi automático o “resfriamento” e eu não sentia a energia tão forte,
a ponto de precisar incorporar.”

– Thelma Martins

Quanto ao uso do tabaco, ela disse que quando descobriu a gestação fez o uso em apenas dois atendimentos.
Após isso não sentiu mais necessidade dos elementos durante aquele período.

Depois do parto, Thelma ficou 4 meses frequentando o Terreiro apenas como consulente e foi durante uma Gira, ao tomar o passe, que aconteceu a incorporação.

Nesse momento ela percebeu que estava pronta para voltar a atividade mediúnica e ao ser cedida a permissão do sacerdote da Casa, retornou aos trabalhos.

Pós parto

“Mudou muito a forma de trabalho, a forma das entidades trabalharem.
O tipo de atendimentos que passam pelas minhas entidades parece que alterou também.
Sinto muito mais forte a espiritualidade, mas também muito mais serenos, uma parceria realmente.
Depois que me tornei mãe, trabalhar mediunicamente se transformou em um momento de doação e muito menos um momento de necessidade.”

– Thelma Martins

Como mãe de primeira viagem, Thelma também se relacionou pela primeira vez com as entidades na condição materna.
Quanto à essa experiência, ela nos conta que toda vez que o atabaque tocava, sentia seu bebê mexendo muito.

“Não sei se pelo meu batimento que acelerava, mas isso era nítido.
Minha conexão com sonhos se fortaleceu também, as respostas as minhas indagações como mãe vinham sempre em forma de sonhos.
Me lembro muito de chegar na frente das entidades e eles darem
o passe na minha barriga e isso era um conforto.
Sem dúvida após a gestação minha mediunidade ficou muito mais aguçada.
Hoje, após 1 ano e 5 meses [depoimento dado em 2017], ainda sinto a diferença acontecendo semanalmente.
Acredito que a maternidade me transformou, tanto como pessoa, como médium.”

– Thelma Martins

Grávida pode incorporar: o que impede?

Rodrigo Queiroz explica que o condicionamento físico da médium é que irá dizer se ela deve ou não continuar no exercício mediúnico.
O desconforto ou dores no tranco da incorporação, nos movimentos de abaixar, ajoelhar, girar, podem indicar que está na hora de parar.
Se isso será no primeiro ou no último mês, quem precisa sentir é a própria mãe.

O que acontece é que a espiritualidade de certa forma, em dado momento começa a “cortar” ou abrandar as percepções mediúnicas da mãe.
Isso indica que a partir daí ela precisa encaminhar seu foco energético exclusivamente para o bebê.

“A maternidade exige no início uma devoção ao bebê,
uma dedicação plena, uma dedicação focada, integral ao bebê.

Ele precisa disso e a mãe precisa disso.
A espiritualidade vai preparando a “licença maternidade mediúnica”.
Podemos batizar desta forma.
Normalmente a mulher vai sentindo isso. Sente menos as energias.
Percebe que tem algo estranho.
É importante esclarecer à mulher: isso vai acontecer.”

– Rodrigo Queiroz

Assim, lembra sobre o que a Thelma contou sobre o “resfriamento” que ela teve após os 5 meses de gestação?
E que isso foi até os 4 meses de vida da sua bebê?

Rodrigo Queiroz explica que isso é algo normal e a mulher não precisa se preocupar imaginando que perdeu sua capacidade mediúnica.

“Normalmente seis meses depois ela está pronta para voltar.
Mas é importante entender, que as primeiras incorporações não vão ser como foram as últimas antes da gestação.
Assim, se iniciará um processo de evolução.
Ela vai precisar perceber que vai evoluindo. É muito mais rápido. Não vai re-desenvolver a mediunidade, não é nada disso.
Mas ao longo de mais uns dois ou três meses, indo semanalmente ao Terreiro.
Vai sentir que chegou no estágio de onde ela parou” explica.

Interdição pelo Terreiro

Natalya Osowiec que também integra a equipe Umbanda EAD e assim como a Thelma é mãe e umbandista, teve outra experiência em relação à sua gestação e o trabalho mediúnico.

Assim, ela era médium em desenvolvimento e cambone de um Terreiro, onde a indicação era para se afastar do trabalho desde o momento em que se ficava sabendo sobre a gravidez. Isso é algo habitual por entre as Casas de Umbanda e faz parte da particularidade daquele trabalho.

“Assim que eu descobri e avisei, fui afastada por tempo indeterminado o que me deixou bem fragilizada.
Mesmo sabendo que seria assim e planejando a gravidez, na hora que eu não pude mais voltar foi difícil”, disse Natalya.

Natalya voltou a frequentar a Casa como consulente 15 dias depois do parto.
Nesse momento não teve permissão para voltar a cambonar e desenvolver.
Visto que a indicação do Terreiro era para que ela voltasse depois de seis meses.

Os Guias que mantinham contato com ela explicaram a decisão, dizendo que após o parto era para ela depositar suas energias no cuidado e relacionamento com o bebê, assim como Rodrigo Queiroz explicou acima.

“Lá eu era cambone de um único médium e já estava há um bom tempo.
Então desenvolvi uma relação muito próxima com aqueles Guias.
Assim, durante toda a minha gestação eu frequentei o Terreiro todos os dias de Gira (sempre na assistência) e eles foram me falando tanta coisa, que me acalmaram muito em relação a ter saído da corrente dessa forma brusca.
Aliás, me fizeram entender o quanto era importante eu pensar em mim e no bebê naquele momento.”

Sensibilidade à energias

Em razão da maternidade, a mãe da primeira gestação pode notar que se torna mais sensível a determinadas sensações.
Porém, não é sensível no sentido de frágil, mas com maior abertura a novas percepções, mais apuradas sobre si e o mundo espiritual.

Essa reclusão mediúnica, a interiorização da mediunidade da mulher nessa situação é, ao mesmo tempo, um período em que ao se desabrochar novamente vem melhor.
Ela amadurece muito nesse processo.
Mas também a mediunidade amadurece junto.
A mediunidade pode se reapresentar já com um “upgrade” e é uma nova história, uma experiência muito bacana.

– Rodrigo Queiroz

Enfim, grávida pode incorporar?

A própria Natalya responde:

“Acredito que toda mãe deva ter esse sentimento consigo, não é mesmo?
A maternidade por si só, já é algo incrível. Agora a maternidade, acompanhada dos Guias e Orixás é fortalecedor!
Foi muito marcante esse período da minha gestação frequentando as Giras.
Os Guias foram verdadeiros pais e mães para mim, me acolhendo, acalmando e amparando com o maior amor que eu podia receber…
Eles foram um grande porto seguro e até hoje quando eu paro para lembrar, consigo sentir esse amor!”

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Texto: Júlia Pereira/Redação Umbanda EAD

Fotos: Roger Cipó