Publicidade
Início Matérias Textos Filho de Exu e Pombagira: na Umbanda tem isso?

Filho de Exu e Pombagira: na Umbanda tem isso?

0
2349
Publicidade

Filho de Exu e Pombagira existe?

Vejamos primeiro sobre o Orixá Exu no Candomblé.

Certamente entendemos que a origem cultural de uma divindade é diferente da sua origem divina.
Com isso é certo que Exu está presente na Umbanda tanto quanto no Candomblé.
Mas também é certo que na Umbanda existem os Exus entidades (que incorporam nos médiuns e desenvolvem seus trabalhos).
E há também o culto ao Orixá Exu, que não acontece da mesma maneira que no Candomblé.

Assim, as múltiplas formas em que se manifesta o Candomblé no Brasil remontam ou pelo menos buscam resgatar o culto de Exu que acontecia no continente africano.

Aliás, a essa divindade dá-se então a posição de Orixá mais próximo do homem, intrigueiro, comunicativo, trickster e ao mesmo tempo sábio.

Sua personalidade, atuação e mistério são frequentemente descritas nos mitos iorubás.

Ademais, na África cada nação cultuava o seu Orixá.
Todavia a grande peculiaridade é que ninguém sabe de
qual nação ou de qual cidade veio do Orixá Exu.
Simplesmente por que Exu é cultuado em todas as nações em todos os locais.
Ele é reverenciado, adorado e ritualizado em todas as partes desta cultura Nagô de Iorubá.
– Alexandre Cumino em Exu – O Guardião da Luz

Orixá Exu na Umbanda

Assim, para a Umbanda, o conceito de Exu enquanto Orixá é algo que surge na literatura de Rubens Saraceni.

Igualmente foi ele que disseminou ao longo dos seus anos de atividade mediúnica mais de 50 livros entre romances psicografados e obras que fundamentam a religião.

Aliás, foi a partir dele que também se inicia uma nova vertente da religião denominada Umbanda Sagrada.

Saraceni afirma que Exu enquanto Orixá é o mistério que corresponde ao estado do vazio absoluto.

Nessa concepção, antes que Deus criasse os Orixás, Ele primeiro teve a intenção de criá-los e a esse plano das intenções compreendemos o Mistério de Exu-Mirim e em seguida disso surge o vazio absoluto, ao qual se designa o Mistério do Orixá Exu.
Para se sentir vazia, uma pessoa deve estar sentindo a ausência de algo que a torna vazia.
E esse vazio só deixará de existir se
algo for ocupado por outra coisa ou por outro sentimento.

– Rubens Saraceni

Bom, esse vazio dá condições para que as realidades sejam criadas.
Então ele é preenchido pelo estado de plenitude – Mistério de Pai Oxalá.
Em seguida preenche-se também pela concepção de Tempo – regência de Mãe Logunan – e assim por diante seguem todos os outros mistérios que compõe a Criação Divina, ao qual hoje nos é revelado (sem considerar Orixá Exu, Exu-Mirim e Pombagira) 14 Tronos ou 14 Orixás que respondem aos 7 sentidos da vida.

Mas qual a explicação para não considerarmos como Orixás Pais e Mães Ancestrais Exu, Pombagira e Exu-Mirim? Filho de Exu então não existe?

Natureza Humana e a ligação com o mistério 7

Existem outros Orixás?
Sim, existem outras Divindades a nós desconhecidas.
Assim como inúmeros outros seres e realidades.

Na casa de meu Pai há muitas moradas.
– João 14:2 – Bíblia Sagrada

Entretanto, nós somos seres naturais, passando pelo Sexto Estágio Evolutivo e vivendo em uma realidade humana!

Assim, na condição humana, somos Seres Sétuplos.
Dessa forma, essa questão irá explicar o porquê de não podermos ser filho de Exu e dos Tronos que correspondem a Exu-Mirim e Pombagira.

Nossa natureza é composta por 7 vibrações, 7 chakras, 7 sentidos da vida, 7 elementos, 7 cores, 7 vibrações e também por isso temos as 7 Linhas de Umbanda.

Vejo em Deus Sete qualidades maiores, Sete atributos maiores, Sete vibrações maiores, Sete elementos maiores, Sete tronos maiores, a partir dos quais todos os outros infinitos Tronos e Divindades se desdobram.
– Alexandre Cumino em Jornada Teológica

Então, quando nós saímos do interno de Deus, fomos recebidos por um Pai e uma Mãe Orixá.

Desde esse primórdio nossa natureza humana já estava definida.

Por isso, mesmo quando ainda éramos uma centelha Divina e estávamos no primeiro plano da vida (plano fatoral), quem nos “preencheu” e inseriu nossa primeira essência ou característica foi um dos Orixás que corresponde aos 7 Sentidos de Deus (fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração).

Assim, nós fomos gerados por Deus e trazemos desta nossa
gênese divina uma qualidade original.

Igualmente esta qualidade sempre se ressaltará sobre todas as outras,
que também herdamos do nosso Criador.

A Ciência Divina nos ensina que Deus gera vidas o tempo todo e as fatora em ondas ou padrões vibratórios, imantando-as com o fator que estiver
fluindo D’Ele no momento de Sua geração.

– Rubens Saraceni em Gênese Divina de Umbanda Sagrada

Decerto há seres que seguem um caminho evolutivo paralelo ao nosso.
Eles detém em si outra natureza e estes sim podem ser fatorados por outras Divindades ou Orixás.
Temos como exemplo disso os Encantados, que incorporam como Exus-Mirins e ainda os Exus e Pombagiras Naturais.

Teologia de Umbanda turma 19 – Inscrições abertas

Alguns desses seres nunca experenciaram a realidade humana e não vão encarnar nesta configuração de vida terrena.
Por isso seguirão um caminho de evolução diferente do nosso e por esse motivo podem realmente ser filhos dos Orixás Exu, Pombagira e Exu-Mirim.
Pois sua natureza é afim com esses mistérios que os receberão enquanto Centelha Divina.

Portanto, precisamos entender:

1 – Deus é um só que se manifesta em incontáveis formas.
2 – Nós não somos o epicentro de toda a Criação, existem outro seres assim como outras Divindades, realidades e etc.
3 – Deus é pra nós o que nossa natureza nos permite conceber dele.

Assim, buscamos em Deus, a perfeição do humano.

Deus como um super humano.

Na verdade eu busco em Deus as únicas coisas que posso,
que são aquelas conhecidas em mim.
Como posso buscar em Deus algo tão desconhecido a mim?
O que é conhecido a mim? O amor é conhecido, busco ele em Deus. A fé, a justiça, o conhecimento… É conhecido a mim aquilo que sou.
– Alexandre Cumino em Teologia de Umbanda – Jornada

Portanto há outras Divindades encarregadas de outras atribuições, que se dividem em classes hierarquicamente constituídas e que compõem o mistério divino da Criação de Nosso Pai Olorum.

Orixá Exu, Exu-Mirim e Pombagira são alguns deles já revelados e abertas suas funções à nós.
Pois também interagem com nossa realidade humana.

Mas há outras formas de vida, assim como há outras formas de evolução.

Os animais e os vegetais, por exemplo, seguem por outros caminho evolutivos.

Com isso, na concepção da Umbanda Sagrada sobre os Orixás Exu, Pombagira e Exu-Mirim e levando em consideração que somos seres Sétuplos não é possível que esses Tronos nos fatorem.
Sendo assim, também nessa vertente, não há filho de Exu, Pombagira e Exu-Mirim.

Aqui cabe retomar o que foi colocado no início do texto: Candomblé e Umbanda são duas religiões distintas.

No Candomblé é comum ter filho de Exu e por isso também algumas vertentes de Umbanda fortemente influenciadas pelos Cultos de Nação, como a Umbanda Omolokô, também irão considerar Exu como Orixá.

Então, aí será possível a presença no Terreiro de filho de Exu.

Axé! Mojubá! Que Exu proteja nossos caminhos!

Teologia de Umbanda turma 19 – Inscrições abertas

Texto: Júlia Pereira/Redação Umbanda EAD