Descarga energética: há somente uma forma possível?

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Descarga energética é uma questão interessante e sempre presente na Umbanda.

Muitos me perguntam, algumas vezes surpresos, como numa determinada sessão eu passei por um processo de descarga energética [ou descarrego] intenso, deixando minhas guias guardadas.

Fui questionado:

– “Como pôde? Você é um médium experiente…”
– “Você é um SCCT (Subcomandante Chefe de Terreiro). Era necessário?”

Meus amigos, vejam: as letras ou qualquer outra forma de identificar a hierarquia dentro de um Terreiro servem apenas para isso, nada mais.
Somos e estamos TODOS em processo evolutivo, suscetíveis e vulneráveis às cargas do dia a dia, que atualmente não são poucas.

É claro que a experiência e o ESTUDO nos ajudam a entender e interpretar mais profundamente cada situação.

Mas, em certos momentos, até o mais estudioso precisa de uma “ajudinha” superior.

E mais: isso acontece por intermédio de nossos Guias e Mentores que entendem que este ou aquele processo de descarga energética é necessário, visando até mesmo a preparação do médium para os trabalhos que vão se seguir.

O acúmulo de miasmas ou energias negativas não escolhe letra muito menos cargos de chefia num Terreiro.

Esses elementos negativos são absorvidos quando em determinado momento “abrimos as portas pra quem não deve”, nas palavras de Vovô Jeremias do Cruzeiro.

A reforma íntima, necessária para nosso bom andamento na Umbanda, requer muita HUMILDADE ao passarmos pela descarga.
E ela, por si só, não é fácil.

Já vi muitos falando e batendo no peito:

– “Nossa, hoje trabalhei como nunca na descarga!”, com certo tom de vaidade.

Quem realmente e efetivamente passou por esse processo, mergulhou num mundo de angústia e sofrimento, de amigos espirituais em busca desesperada por ajuda, outros resistentes e até raivosos por estarmos oferecendo auxílio.

Temos que agradecer ao Pai Maior, assim que finalizarmos essa ASSISTÊNCIA e não se envaidecer porque me “contorci” mais que o irmão ao lado.
Aquele irmão pode ter ajudado em silêncio ou em choro sentido e sofrido.

Fez igualmente bem a descarga energética. Cumpriu seu papel.

Alerta: muitos quiumbas se divertem no contorcionismo vaidoso, mas se apavoram no sentimento sincero da lágrima verdadeira.

Somos sim, recompensados com uma experiência espiritual inesquecível e necessária para caminharmos cada vez mais firmes na CARIDADE!

Isso é UMBANDA!

Texto de Marcos Rangel de Carvalho – Cabana Fraterna de Omolu – FUAC