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Ação mágica ou ação religiosa?

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Ação mágica ou ação religiosa? Como diferenciar?

Então, para esclarecer de uma vez por todas essa dúvida vou ser didático.
Porque a partir deste esclarecimento creio que muitas outras dúvidas serão sanadas.

Comecemos por esses pontos:

– Ação ou ato religioso é aquele onde o poder divino flui e manifesta-se de dentro para fora das pessoas necessitadas de auxílio e amparo.

– Ação ou ato mágico é aquele onde o poder divino flui de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxílio e amparo.

Também existe uma terceira ação que é mista ou de dupla ação.

Tanto age de dentro para fora quanto de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxílio e amparo e denominada ação mágica-religiosa.

Após isso vamos a outro ponto que deve ser esclarecido e que refere-se ao duplo aspecto que tudo o que existe possui.
E que são os lados interno e externo.
Esse duplo aspecto começa em Deus e alcança até a matéria.

Senão, então vejamos:

Deus possui em si um lado ou aspecto interno.

E este é inerente à sua própria natureza divina que é impenetrável e incognoscível para nós, os espíritos, uma vez que somos emanações Dele, que é nosso Divino Criador.

Sabemos que, enquanto espíritos, provimos Dele.
Mas não sabemos como essa geração acontece “dentro” Dele.
Pois isso e tudo o mais que existe é gerado dentro desse lado interno, impenetrável e indevassável e sequer imaginável por nós sobre a forma como acontece.

Mas Deus possui seu lado ou aspecto externo, lado este que pode ser perscrutado, identificado, estudado e apreendido por nós, os espíritos criados por Ele.

Assim, observando e estudando o lado externo de Deus descobrimos suas ações ou atos criadores na origem de tudo, desde nós mesmos até a matéria.

Foi essa possibilidade de observar e estudar os aspectos ou o lado externo de Deus que levou a humanidade a descobrir a existência das divindades.

E também de um plano ou dimensão divina da Criação, habitado só por seres divinos.
Além disso, esse plano nos é inacessível porque somos espíritos.

A partir da existência dos dois “lados” da Criação, um interno e outro externo, e da existência desse duplo aspecto em tudo o que Deus criou, podemos comentar as diferenças entre ações mágicas e ação mágica e ação religiosa.

O fato é que toda a ação religiosa se realiza de “dentro para fora” e toda ação mágica se realiza de “fora para dentro”.

Explicando melhor:

– Toda ação religiosa realiza-se através do lado interno da Criação e de tudo e de todos criados por Deus.
– E toda ação mágica realiza-se através do lado externo da Criação e de tudo e de todos criados por Deus.

Com isso entendido, falta diferenciar as ações propriamente ditas, para reconhecer qual é uma e qual é a outra.

Vamos a alguns exemplos de ações mágicas e religiosas:

1º – Uma pessoa vai a um Centro de Umbanda.

Então, ao consultar-se com um Guia espiritual, este, após ouvir com atenção os problemas ou pedidos de ajuda recomenda-lhe que vá até um dos pontos de força da natureza e faça uma oferenda para determinado Orixá.
Pois só assim será auxiliado.

Essa é uma ação mágica porque a ajuda virá através da oferenda feita na natureza.
À qual o Orixá invocado ativará e desencadeará uma ou várias ações “de fora para dentro” da pessoa.

2º – Uma pessoa vai a um Centro de Umbanda e o Guia consultado recomenda que comece acender velas de determinada cor para um Orixá.

E que depois disso deve se colocar em concentração por determinado tempo.
Essa ação é religiosa porque durante a concentração o Orixá firmado atuará por “dentro” da Criação e por “dentro” da pessoa trabalhando o lado interno dela, desequilibrado devido a alguma ação mágica negativa que desarmonizou-a internamente.

Ou devido a seus próprios sentimento negativos, que a negativaram em um ou alguns sentidos.

Temos aí duas ações onde a pessoa fez duas coisas parecidas.

Mas, ao ir à natureza e fazer uma oferenda para determinado Orixá a pessoa ativou no ponto de forças do Orixá invocado um “campo” mágico a partir do qual será ajudada.

Essa ação vem “de fora” (da natureza) para dentro da pessoa (sua vida), auxiliando-a através do seu lado externo.

Já no exemplo da vela acesa e consagrada para o mesmo Orixá dentro de sua casa e a concentração, recolhimento e isolamento, essa é uma ação religiosa.

Porque o Orixá invocado tanto atuará pelo lado de dentro da Criação em benefício da pessoa, quanto atuará a partir do íntimo dela (o seu lado de dentro).
Pois só assim reequilibrará os seus sentidos desequilibrados.

E só a partir do seu recolhimento, concentração e isolamento momentâneo poderá rearmonizar suas faculdades mentais e o seu magnetismo.

E assim, recalibrando seu campo magnético e reenergizando e fortalecendo seus campos vibratórios, facilmente trabalhados de dentro para fora.

Mas de difícil recalibragem quando a ação é de fora para dentro, já que a maioria desses desequilíbrios são internos.

Existe uma grande dificuldade em diferenciar uma ação mágica de uma ação religiosa.
Mas sempre é possível perceber as diferenças.

Vamos a mais dois exemplos:

1º – Uma pessoa vai a um Centro e o Guia espiritual recomenda-lhe um banho de descarrego feito com ervas ou flores.
Essa é uma ação mágica.

Pois o “banho” irá remover suas sobrecargas energéticas com uma ação de fora (o banho) para dentro (o espírito da pessoa).

2º – Uma pessoa vai a um Centro e o Guia recomenda que faça um “amaci” na força de determinado Orixá.

No dia acertado e após certo resguardo alimentar e comportamental, a pessoa volta ao Centro.

Então o dirigente ou um médium graduado aplica-lhe o amaci e manda que recolha-se em sua casa e só retire-o da “coroa” no dia seguinte.

Assim, essa ação é religiosa porque o amaci é aplicado em seu chacra coronal ou no seu “ori”.

E isso irá inundar seu lado interno com uma energia elemental consagrada, imantada e vibracionada pelo Orixá invocado que a manipulará através do lado de dentro da pessoa necessitada desse tipo de auxílio interno ou religioso.

Então:

– Um banho de ervas é um ato mágico.

– Um amaci de ervas é um ato religioso.

Portanto, um atua de fora para dentro e outro atua de dentro para fora, certo?

Vamos a mais um exemplo:

1º – Uma pessoa vai a um Centro para receber um passe, ou seja, uma ação do Guia Espiritual para ela.

2º – O Guia vê o problema da pessoa e pega seu nome em um papel ou sua fotografia e a “cruza”.

Então, em seguida, a coloca em seu ponto riscado ou sob os pés de uma imagem “entronada” no altar do centro.

Assim, ele desencadeia na vida da pessoa uma ação de dentro para fora.

Pois tanto o seu ponto riscado está ativado dentro do campo religioso do Orixá sustentador do Centro quanto todo altar é um portal para o lado divino da Criação.

Nos dois casos – o ponto riscado do Guia e o altar – toda a ação, ainda que pareça mágica, é na verdade religiosa porque o auxílio virá diretamente do “lado de dentro” da Criação e através do Orixá sustentador do Centro.

No primeiro exemplo a pessoa recebe com o passe uma ação mágica (será descarregada e trabalhada) por fora.

No segundo exemplo a pessoa será auxiliada por dentro.

E também será trabalhada internamente.

Pois o passe ou o descarrego não alcança seu “lado de dentro” e sim, efetua-se em seu espírito e seus campos vibratórios.

Só pelos exemplos que demos já se tem uma ideia de como é complexo o campo religioso e o magístico.

Saibam que a Umbanda serve-se dos dois tipos de ação para auxiliar as pessoas que os frequentam.

Assim como aos seus médiuns, que também são auxiliados se seguirem à risca as orientações dos seus Guias Espirituais.

Que ora recomendam-lhe acender em casa uma vela para determinado Orixás ou anjo da guarda.

E ora recomendam-lhe fazer uma oferenda na natureza, ou que tome um banho de ervas, etc.

Por isso muitos a classificam como uma religião mágica.
Pois nela estão bem ostensivos os dois lados da Criação e os dois lados de uma mesma coisa.

Sendo que um lado é o religioso ou o interno.
E o outro lado é o magístico ou externo.

Esperamos ter fundamentado as práticas de Umbanda, tanto as internas quanto as externas.

Publicado originalmente no Jornal Nacional de Umbanda – JNU

Fotos: Davi Nunes/Reprodução