Atabaques na Umbanda: função ritualística e importância

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Atabaques na Umbanda é sinônimo de alegria, mas também de respeito à ritualistica.

Vindo da África, o atabaque é um instrumento musical largamente usado em quase todo ritual de Umbanda e também em muitas outras religiões de origem afro.

Dentro de um Terreiro, os atabaques na Umbanda podem agregar energias de louvação e invocação dos Orixás e evocação dos Guias Espirituais.

Além disso, devem ser manuseados e cuidados pelos responsáveis pelos toques.

E estes são os curimbeiros que devem ser, de preferência, filhos da Casa.

Curimba é o nome que damos para o grupo responsável pelos toques e cantos sagrados dentro de um Terreiro de Umbanda.

São eles que percutem os atabaques na Umbanda, assim como conhecem cantos para as partes de todo o ritual umbandista.

Esses pontos cantados, junto dos toques de atabaque, são essenciais nas Giras.

E é por isso que devem ser bem fundamentados, esclarecidos e entendidos por todos.

O som dos atabaques aguça, prepara e estimula todos para a captação de energias.

Os atabaques na Umbanda acionam vibrações dos planos material e espiritual.

Com a produção de energia calorífica, através do toque no couro, o atabaqueiro fará a mistura com as vibrações das entidades e as vibrações naturais dos médiuns.
Assim, a sua energia e a do Guia irão circular na corrente mediúnica começando dos médiuns mais preparados e passando para os iniciantes.

Em geral, os atabaques na Umbanda são compostos por três partes distintas:
– Couro animal
– Madeiramento
– Ferragens

Os atabaques devem ter sua afirmação feita por cordas e tranças e devem usar couro animal.

São um dos principais pontos de atração de vibrações de um Terreiro.

A energia do Orixá/Entidade chamada é captada pelos assentamentos e direcionada para o Zelador onde é concentrada e depois lançada para os atabaques onde é modulada e distribuída para os médiuns da corrente.

O responsável pelos atabaques na Umbanda é normalmente uma pessoa escolhida no Terreiro que conhece os ritmos aplicados para cada Linha dentro da Umbanda.
Estes instrumentos devem ser tratados com o máximo de respeito e nenhuma pessoa desautorizada deverá tocá-los.

Isso poderia colocar em risco o equilíbrio da Gira e a faixa mediúnica dos médiuns da corrente.

Quando fora de uso, os atabaques devem ser cobertos com pano próprio.

É importante observar que o toque (volume) dos atabaques na Umbanda nunca deve exceder as vozes da corrente.

Quando o atabaque excede as vozes, a corrente pode se desorganizar e o médium pode perder a concentração.

E isso pode atrapalhar e muito o desenvolvimento dos médiuns e o bom andamento do trabalho.

Com a junção do atabaque e a corrente cantando vibrante os pontos cantados faz-se a festa de Umbanda.

Esta é que mantém a vibração do Terreiro!

Foto: Varal Cultural

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É sacerdote umbandista e fundador da Escola de Curimba Aldeia de Caboclos (SP), em funcionamento desde 1999. Fundou o Jornal Aldeia de Caboclos, com distribuição gratuita, com muita informação sobre a Umbanda. É um dos responsáveis pela criação da Semana da Umbanda, durante as festividades do aniversário da religião, em novembro.