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Oferenda na Umbanda: uma visão mágica dos seus fundamentos

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Oferenda na Umbanda diferem de outras religiões de matriz africana.

Eu sou umbandista e sou médium de incorporação, caso o leitor não saiba. Pois bem!
Além disso, eu era um médium dedicado e aplicado e fazia ao pé da letra o que meus Guias espirituais determinavam.
Então, quando determinavam um banho de pétalas de rosas brancas, eu corria para comprar algumas e, antes de ir ao Centro que eu freqüentava, preparava meu “banho de rosas”.

Da mesma forma , se recomendavam que eu fosse à natureza e fizesse uma oferenda na Umbanda para um Orixá ou um Guia espiritual e levasse velas de determinada cor, certas bebidas, certas frutas, certas flores, etc, eu procurava fazer tudo certo eu não deixava faltar nada.
Às vezes, até exagerava.

Até aqui nada demais, porque é assim que procedem todos os médiuns umbandistas dedicados e aplicados.
Portanto, não é mérito algum meu proceder assim.

Pois esse é nosso dever: obedecer às orientações dos nossos Guias, que nos amam e querem o melhor para nós.

Todavia, o fato é que eu, um curioso incorrigível, comecei a prestar atenção às oferendas na Umbanda e conversava com outros médiuns sobre elas.

Dessa forma, em nossas ingênuas e bem intencionadas conversas sobre as “coisas” que colocávamos em nossas oferendas, não atinávamos com o poder mágico dos “elementos” mágicos que “entregávamos” aos nossos Guias espirituais e aos nossos Orixás.

Inclusive, as formas de indicá-las obedeciam a uma linguagem própria, pois às vezes diante de um Guia para uma consulta, ele dizia:

– Filho, você precisa dar uma oferenda na Umbanda para Orixá tal ou para o Guia tal porque precisa fortalecê-lo.

Outra vez outro Guia espiritual recomendava:

– Filho, esta pessoa está com uma demanda muito forte.

Só levando-a no ponto de força do Orixá tal e fazendo uma oferenda para ele é possível ajudá-la, porque não podemos mexer nesse trabalho aqui no Terreiro.

Pois bem.
Nós médiuns obedecíamos e tudo ficava bem.
Mas, em nossa ignorância e ingenuidade (no bom sentido, é claro) ficava a impressão de que só seriamos ajudados se “déssemos” algo em troca.

Assim, para complicar ainda mais o nosso aprendizado, a comunicação dos Exus e Pombagiras colocava uma pá de cal sobre o assunto.

Pois diziam em alto e bom som:
– De graça, Exu não faz nada!

Aí dava um nó cego em nossa religiosidade.

Isso porque eles deixavam claro que só trabalhariam em nosso beneficio se fossem “pagos”.

– Por que preciso “pagar” ou dar algo em troca para ser ajudado?

Na verdade, essa é a grande verdade jamais revelada.
Mesmo sendo “Guias espirituais” eles precisam (em certos casos) de que lhes forneçamos os “recursos elementais”.

Assim, para manipulando-os magisticamente, ajudarem-nos.

Até certo ponto, eles nos auxiliam com o que possuem em si como seus “poderes pessoais”.
Mas, dali em diante, ou recebem numa oferenda ritual mágico-religiosa com os elementos que precisam, ou não têm como trabalhar em nosso benefício.

Com efeito, só ativando os elementos magisticamente conseguirão fazer por nós o que só a “magia elemental” consegue fazer.

Talvez, se tudo tivesse sido colocado de outra forma, tudo teria sido muito mais fácil para as pessoas que precisavam de auxilio.

Elas teriam entendido que, na verdade, não estavam pagando nada.
Estavam sim fornecendo só os recursos elementais (ou energia dos elementos) para que as entidades pudessem trabalhar seus problemas.
Pois na Criação tudo é energia nos mais variados graus vibratórios e “sem energia não se produz nada”.

As oferendas na Umbanda, quando ativadas corretamente, realizam coisas que nenhuma outra energia consegue realizar.

Não se trata de dar forças a um Guia.
Não era porque Ele estava fraco.

E sim para fornecer-lhe os recursos elementais magísticos para que pudesse trabalhar em nosso benefício.

Dessa forma, dar determinadas frutas, bebida, velas, etc, em uma oferenda na Umbanda não é porque o Guia ou o Orixá precise “comer e beber”.

E sim porque são recursos elementais mágicos com os quais nos ajudam na solução dos nossos problemas.

Texto extraído do livro “A Magia Divina das Sete Ervas Sagradas”, Editora Madras.

Foto: Davi Nunes/Reprodução