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A Última Abolição – Documentário traz novo olhar

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A Última Abolição é desses documentários que não podem (e não devem) passar despercebidos.

Afinal, faz uma retrospetiva detalhada de um momento crucial da história do Brasil: a abolição da escravidão.
Além disso, apresenta uma outra perspectiva.

Assim, ao contrário da maioria dos livros didáticos, demonstra que não foi apenas a assinatura da Princesa Isabel na Lei Áurea em 13 de maio de 1888 que libertou os escravos.
Da mesma maneira, tampouco a liberdade foi um presente ou um passo na direção da mitológica democracia racial.

Se você não matou as aulas de História no colégio já sabe: em 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.

Por outro lado, cem anos depois a Unidos de Vila Isabel foi campeã do carnaval carioca com “Kizomba, Festa da Raça”, que falava em Zumbi como influenciador da abolição.

No mesmo ano, a Mangueira, vice-campeã, cantou:

Será que já raiou a liberdade? Ou se foi tudo ilusão?
Será que a Lei Áurea tão sonhada, há tanto tempo assinada, não foi o fim da escravidão?
Hoje, dentro da realidade, onde está a liberdade?.

Da mesma forma, no carnaval carioca de 2018 a Paraíso do Tuiuti revelou-se a sensação do desfile das escolas de samba ao apresentar “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”, com samba de Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal que clama o fim do cativeiro social.

A Última Abolição, documentário da diretora estreante Alice Gomes, não é embalado por tais sambas.
Mas relembra justamente desses três momentos cruciais na trajetória do negro brasileiro, contando com depoimentos de historiadores, sociólogos, juristas, pesquisadores e filósofos para a destruição de dois mitos: o da Princesa Isabel como “A Redentora” e o da democracia racial no Brasil.

Inegavelmente, em sua maioria professores, os entrevistados apresentam conteúdo que pouca gente teve na escola.
Assim, explicam como a assinatura da Áurea foi na verdade o fim inevitável de todo um longo processo, agitado também por pensadores e trabalhadores negros esquecidos.

Portanto, cem anos depois a exclusão ainda era norma na sociedade.
E em 2018, ainda que tenham ocorrido avanços, a realidade está longe do ideal.

Embora a luta, presente desde antes da partida dos primeiros navios negreiros da África, permanece tão forte quanto.

A Última Abolição traz uma edição ágil, desenhos manipulados para prender atenção e recursos como linhas do tempo e nomes saltando na tela.

Tudo como estratégias de popularização e sedução destinadas a “segurar” os mais desatentos.

Assim como são bem acessíveis as análises, tanto históricas quanto jurídicas, da injustiça racial que caracteriza a nação.

A Última Abolição volta à suposta primeira abolição para mostrar que desde lá a história vem mal contada.

Aliás, vem sendo contada principalmente por brancos.

Certamente A Última Abolição não é capaz, sozinho, de reverter esta situação.
Afinal, o longa-metragem não altera as baixíssimas porcentagens a respeito dos lançamentos comerciais comandados por negros.

Mas há o diagnóstico, os fatos reais, o desafio e a esperança de que o filme atinja muita gente e as influencie.

A Última Abolição é para estudantes, mas é também pra todos.

Já em cartaz

Fontes: Globo Filmes/Adoro Cinema